quinta-feira, 15 de novembro de 2018

[Livros e Leituras] Fascismo de esquerda – a história secreta do esquerdismo americano

Escrito por Jonah Goldberg, em 2008.  Um dos livros mais vendidos em 2008, segundo o New York Times.  Traduzido e publicado em 2009 pela Editora Record. Adorei. Bombástico!

A Esquerda detestou e, como sói acontecer, desata em insultar o livro e/ou o autor.

Leiamos o que está nas ‘orelhas’ desta edição da Record:

FASCISMO DE ESQUERDA oferece uma perspectiva nova e impressionante sobre as teorias e práticas que definem a política fascista.  Ao escrutinar mitos convenientemente fabricados e substituí-los por dados de pesquisa e resultados esclarecedores, Jonah Goldberg nos lembra de que os fascistas originais estavam, de fato, à esquerda, e que liberais desde Woodrow Wilson até Hillary Clinton têm defendido políticas e princípios notavelmente semelhantes àqueles do nacional-socialismo de Hitler e do fascismo de Mussolini.

Ao contrário do que pensa a maior parte das pessoas, os nazistas eram fervorosos socialistas. Eles acreditavam em serviços de saúde gratuitos e empregos garantidos. Confiscaram heranças dos ricos e despenderam grandes somas com a educação pública. Removeram a Igreja da política pública, promoveram uma nova forma de espiritualidade pagã e inseriram a autoridade do Estado em todos os cantos da vida diária.

Eles eram contra o livre mercado e forneceram generosas pensões aos idosos. Os nazistas foram líderes mundias em agricultura orgânica e medicina alternativa. Hitler era um vegetariano convicto, e Himmler, um ativista que defendia os direitos dos animais.

É difícil negar que o progressismo moderno e o fascismo clássico partilhavam as mesmas raízes intelectuais. Com frequência esquecemos, por exemplo, que Mussolini e Hitler tinham muitos admiradores nos Estados Unidos.

Neste fascinante e controvertido livro, Jonah Goldberg vira pelo avesso nossos preconceitos e mostra o verdadeiro significado do fascismo liberal de esquerda.

O primeiro capítulo, páginas 35 a 39:

Mussolini: o pai do fascismo

Você é o máximo!
Você é o Grande Houdini!
Você é o máximo!
Você é Mussolini!
- Versão anterior da música de Cole Porter "You're the top"

Se alguém se guiasse somente pelo que lê no New York Times ou no New York Review of Books, ou pelo que aprendeu com Hollywood, seria perdoado por pensar que Benito Mussolini chegou ao poder mais ou menos na mesma época que Adolf Hitler - ou até um pouco mais tarde - e que o fascismo italiano era meramente uma versão tardia, aguada, do nazismo. A Alemanha aprovou suas odiosas políticas raciais - as Leis de Nuremberg - em 1935, e a Itália de Mussolini a seguiu em 1938. Os judeus alemães foram levados para campos de concentração em 1942, e os judeus na Itália foram levados para campos de concentração em 1943. São poucos os escritores que mencionam casualmente, entre parênteses, que, até a Itália aprovar suas leis raciais, na realidade havia judeus trabalhando no governo italiano e no Partido Fascista. E, de tempos em tempos, pode-se encontrar uma concordância com a exatidão histórica quando alguém indica que os judeus só foram aprisionados depois que os nazistas invadiram o norte da Itália e criaram um governo títere em Saló. Mas, em geral, tais fatos inconvenientes são postos de lado o mais rapidamente possível. O mais provável é que nossa compreensão dessas questões venha de filmes de sucesso como A vida é bela,2 que pode ser resumido assim: o fascismo chegou à Itália e, poucos meses depois, chegaram os nazistas, que amontoaram os judeus em vagões e os levaram embora. Quanto a Mussolini, era um ditador bombástico, com aparência ridícula, mas altamente eficiente, que fez com que os trens passassem a andar no horário.

Tudo isso significa passar o filme de trás para frente. À época em que a Itália relutantemente aprovou suas vergonhosas leis raciais - que foram postas em prática com um grau de barbaridade nem de longe parecido com o exibido pelos nazistas -, já haviam transcorrido mais de três quartas partes do reinado do fascismo italiano. Dezesseis anos se passaram entre a Marcha sobre Roma e a aprovação das leis raciais italianas. Começar com os judeus quando se fala de Mussolini é o mesmo que começar pelo confinamento dos japoneses ao falar de FDR: boa parte da história é deixada para trás. Durante toda a década de 1920 e na maior parte da seguinte, fascismo significou algo muito diferente de Auschwitz e Nuremberg. Antes de Hitler, de fato, nunca ocorrera a ninguém que o fascismo tivesse alguma coisa a ver com antissemitismo. A rigor, Mussolini era apoiado não apenas pelo principal rabi de Roma, mas por uma parte substancial da comunidade judaica italiana (e da comunidade judaica mundial também). Além disso, os judeus estavam super-representados no movimento fascista italiano desde a sua fundação, em 1919, até serem expulsos, em 1938.

Questões raciais de fato ajudaram a mudar o rumo da opinião pública americana a respeito do fascismo. Mas isso não tinha nada a ver com os judeus. Quando Mussolini invadiu a Etiópia, os americanos finalmente começaram a se voltar contra ele. Em 1934, a canção de sucesso de Cole Porter "You're the top" não provocou nem ao menos uma palavra de controvérsia a respeito do verso: "Você é Mussolini!" Quando Mussolini invadiu aquele pobre, mas nobre, reino africano no ano seguinte, isso danificou sua imagem irremediavelmente, e os americanos decidiram que já tinham visto o bastante. Aquela era a primeira guerra de conquista empreendida por uma nação europeia ocidental depois de mais de uma década, e os americanos ficaram claramente insatisfeitos, especialmente os liberais e os negros. Ainda assim, foi um processo lento. O Chicago Tribune inicialmente apoiou a invasão, bem como repórteres como Herbert Matthews. Outros afirmaram que seria hipocrisia condená-la. O New Republic - que estava no auge de sua fase pró-soviética - acreditava que seria "ingênuo" responsabilizar Mussolini quando o verdadeiro culpado era o capitalismo internacional. E não foram poucos os americanos preeminentes que continuaram a apoiá-lo, embora discretamente. O poeta Wallace Stevens, por exemplo, continuou pró-fascista. "Eu sou pró- Mussolini, pessoalmente", escreveu a um amigo. "Os italianos", explicou, "têm tanto direito de tomar a Etiópia dos crioulos quanto tinham os crioulos de tomá-la das jiboias constritoras."3 Mas, com o tempo, principalmente devido à sua subsequente aliança com Hitler, a imagem de Mussolini ficou cada vez mais desgastada.

Isso não significa dizer que ele não tenha levado vantagens.

Em 1923, o jornalista Isaac F. Marcosson escreveu no New York Times, em tom de admiração, que "Mussolini é o Roosevelt latino que primeiro age e só depois procura saber se é legal. Ele tem sido de grande ajuda para a Itália".4 A Legião Americana, que, durante quase toda a sua história, tem se destacado por ser uma grande e generosa instituição, foi fundada no mesmo ano em que Mussolini tomou o poder, e, em seus primeiros tempos, buscou inspiração no movimento fascista italiano. "Não se esqueçam", declarou naquele ano o comandante nacional da Legião, "de que os membros do Partido Fascista são para a Itália o que a Legião Americana é para os Estados Unidos."5

Em 1926, o humorista americano Will Rogers visitou a Itália e entrevistou Mussolini. Ele disse ao New York Times que Mussolini era "um tipo de carcamano". "Eu estou muito entusiasmado com essa figura." Rogers, a quem o National Press Club havia informalmente apelidado de "embaixador itinerante dos Estados Unidos", escreveu a reportagem para o Saturday Evening Post. Ele concluiu: "O governo ditatorial é a melhor forma de governo que existe: quer dizer, desde que você tenha o ditador certo."6 Em 1927, o editor do Literary Digest fez uma pesquisa perguntando: "Existe escassez de grandes homens?" Dentre os grandes homens apontados para refutar a pergunta, o mais votado foi Benito Mussolini - seguido de Lenin, Edison, Marconi e Orville Wright (um dos inventores do avião), com Henry Ford e George Bernard Shaw empatados em sexto lugar. Em 1928, o Saturday Evening Post glorificou ainda mais Mussolini, publicando uma autobiografia do Duce em oito capítulos. A série recebeu um acabamento especial e virou um livro que entrou para a história como um dos maiores adiantamentos já pagos a um editor americano.

E por que não haveria o americano médio de pensar que Mussolini era um grande homem? Winston Churchill o havia chamado de o maior legislador vivo do mundo. Sigmund Freud enviou a Mussolini uma cópia de um livro que escrevera junto com Albert Einstein, com a dedicatória "Para Benito Mussolini, de um velho que saúda o Governante, o Herói da Cultura". Os titãs da ópera, Giacomo Puccini e Arturo Toscanini, estavam entre os primeiros acólitos fascistas de Mussolini. Toscanini foi um dos primeiros membros do círculo do Partido Fascista de Milão, que conferia a seus integrantes uma aura de autoridade e precedência semelhante à dos membros do Partido Nazista nos tempos do Putsch da Cervejaria. Toscanini foi candidato ao parlamento italiano numa chapa fascista em 1919 e só foi repudiar o fascismo 12 anos depois.7

Mussolini era um herói especial dos muckrakers - aqueles jornalistas liberais progressistas dedicados a denunciar corrupções e escândalos e a defender os interesses do homem comum. Quando Ida Tarbell, a famosa repórter cujo trabalho ajudou a derrubar a Standard Oil, foi enviada à Itália em 1926 pela revista McCall's para escrever uma série sobre a nação fascista, o Departamento de Estado dos Estados Unidos temeu que aquela "radical bastante vermelha" pudesse escrever apenas "violentos artigos anti- Mussolini". Tais receios eram infundados. Ida foi cortejada pelo homem que ela chamou de "um déspota com covinhas" e louvou sua atitude progressista com relação aos trabalhadores. Igualmente atraído ficou Lincoln Steffens, outro famoso muckraker, que talvez seja vagamente lembrado nos dias de hoje como o homem que retornou da União Soviética declarando: "Estive no futuro, e funciona." Pouco depois daquela declaração, ele fez outra a respeito de Mussolini: Deus havia "criado Mussolini a partir de uma costela da Itália". Conforme veremos, Steffens não via nenhuma contradição entre seu gosto pelo fascismo e sua admiração pela União Soviética. Até Samuel McClure, o fundador do McClure's Magazine, o lar de tantos muckrakers famosos, apoiou o fascismo depois de visitar a Itália. Ele o saudou como "um grande passo adiante e o primeiro novo ideal de governo desde a fundação da República americana".8

Enquanto isso, quase todos os jovens intelectuais e artistas italianos mais famosos e admirados eram fascistas ou simpatizantes (a mais notável exceção foi o crítico literário Benedetto Croce). Giovanni Papini, o "pragmático mágico" tão admirado por William James, estava profundamente envolvido nos vários movimentos intelectuais que criaram o fascismo. Seu A história de Cristo - um tour de force turbulento, quase histérico, relatando sua aceitação do cristianismo - causou sensação nos Estados Unidos no início da década de 1920. Giuseppe Prezzolini, frequente colaborador do New Republic que um dia haveria de se tornar um respeitado professor na Universidade de Colúmbia, foi um dos primeiros arquitetos literários e ideológicos do fascismo. F. T. Marinetti, o fundador do movimento Futurista - que na América era visto como um companheiro artístico do Cubismo e do Expressionismo -, foi instrumental para fazer do fascismo italiano o primeiro "movimento jovem" bem-sucedido do mundo. O establishment educacional americano estava profundamente interessado nos avanços da Itália sob o notável "mestre-escola" Benito Mussolini - que, de fato, havia sido professor.

Talvez nenhuma instituição de elite na América tenha se acomodado ao fascismo tanto quanto a Universidade de Colúmbia. Em 1926, ela criou a Casa Italiana, um centro de estudos da cultura italiana e cenário para palestras de acadêmicos italianos preeminentes. Era a "genuína casa do fascismo na América" e uma "escola para os ideólogos fascistas que despontavam", de acordo com John Patrick Diggins. O próprio Mussolini havia contribuído com alguns móveis barrocos para a Casa Italiana e enviado ao presidente da universidade, Nicholas Murray Butler, uma foto autografada agradecendo sua "grande e valiosa contribuição" para a promoção do entendimento entre a Itália fascista e os Estados Unidos.9 Butler, pessoalmente, não era um defensor do fascismo para a América, mas acreditava que estava de acordo com os melhores interesses do povo italiano e que havia sido um sucesso muito real que merecia ser estudado. Essa distinção sutil - o fascismo é bom para os italianos, mas talvez não o seja para a América - era feita por uma grande variedade de destacados intelectuais liberais, posição muito parecida com a de alguns liberais que defendem o "experimento" comunista de Fidel Castro.
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2 comentários:

  1. O texto acima ,é explicitamente um marketing do fascismo, e da esquerda radical,
    poderia ser também da direita radical igualmente!
    Um elogio explícito ao fascismo ,que deve ser alvo de repulsa seja de direita ou de esquerda .
    Seja lá o que isto signifique!

    A técnica usada no texto se assemelha a uma das variações da psicologia reversa (Psicologia reversa é o nome de uma técnica de persuasão, onde o objetivo pretendido é apresentado de modo contrário ao que realmente se deseja.).

    Se pegar o leitor menos esclarecido e desavisado, ficará convencido de que não entendeu as entrelinhas.

    Senão vejamos , em várias partes do texto o autor tece loas ao fascismo e a Mussolini , como se esta ideologia fosse capaz de criar um mundo quase ideal .
    Vide partes do texto pinçadas ,sutilmente disfarçadas , e mais havia , mas estas já dizem o que pretendemos.

    Os fascistas e mussolini;

    Eles acreditavam em serviços de saúde gratuitos e empregos garantidos. Confiscaram heranças dos ricos e despenderam grandes somas com a educação pública.

    Removeram a Igreja da política pública, promoveram uma nova forma de espiritualidade pagã e inseriram a autoridade do Estado em todos os cantos da vida diária.

    ... forneceram generosas pensões aos idosos. Os nazistas foram líderes mundiais em agricultura orgânica e medicina alternativa.

    Hitler era um vegetariano convicto, e Himmler, um ativista que defende os direitos dos animais.

    Mussolini, era um ditador bombástico, com aparência ridícula, mas altamente eficiente, que fez com que os trens passassem a andar no horário.

    A rigor, Mussolini era apoiado não apenas pelo principal rabino de Roma, mas por uma parte substancial da comunidade judaica italiana (e da comunidade judaica mundial também).
    Além disso, os judeus estavam super-representados no movimento fascista italiano desde a sua fundação, em 1919, até serem expulsos, em 1938.

    Winston Churchill o havia chamado de o maior legislador vivo do mundo.

    Sigmund Freud enviou a Mussolini uma cópia de um livro que escrevera junto com Albert Einstein, com a dedicatória "Para Benito Mussolini, de um velho que saúda o Governante

    Mussolini era um herói especial dos muckrakers - aqueles jornalistas liberais progressistas dedicados a denunciar corrupções e escândalos e a defender os interesses do homem comum.

    Então fica o dito por não dito , e alertado ficamos que ideologia cada um tem a sua, mesmo quando afirma exatamente o contrário!

    Paizote

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  2. Qualquer semelhança pode não ser mera coincidência!

    https://www.significados.com.br/caracteristicas-do-fascismo/

    Paizote

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