Paulo Hasse Paixão
Ninguém poderia ter previsto
isto há cinco anos, mas a conta do Twitter de Elon Musk tornou-se uma das
fontes de notícias mais honestas da internet. Uma publicação chamou a atenção
de milhões de utilizadores aqui há uma semana atrás.
“Isto é injusto”, escreveu
Musk claramente acima de capturas de ecrã das descrições da Wikipédia sobre
orgulho negro, orgulho gay, orgulho asiático e orgulho branco.
This is unfair https://t.co/ggYZWUI6p6
— Elon Musk (@elonmusk) December 19, 2025
Eis as definições actualizadas do site, na data de publicação deste texto:
Orgulho negro: um movimento
que incentiva os negros a celebrar as suas respectivas culturas e abraçar a sua
herança africana.
Orgulho gay: a promoção dos
direitos, autoafirmação, dignidade, igualdade e maior visibilidade das pessoas
lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e queer (LGBTQ) como um grupo social.
Orgulho asiático: um termo
que incentiva a celebração da etnia e da cultura asiáticas, com várias
interpretações e origens.
Orgulho branco: uma
expressão usada principalmente por organizações nacionalistas brancas, neonazis
e supremacistas brancas para sinalizar pontos de vista racistas ou racialistas.
Repararam na discrepância?
E para clarificar: o
ContraCultura acha que ter orgulho por pertencer a uma determinada raça, ou por
ser de um determinado sexo (ou preferência sexual) é ridículo. Um indivíduo não
tem qualquer mérito, nem nenhuma virtude adquirida por ser branco, preto ou
magenta; homem ou mulher, heterossexual ou maricas. Não há nenhum mérito nisso,
como não há nenhum estigma nisso. Somos todos produto do ato divino. Mas também
somos todos responsáveis, como indivíduos, por quem somos.
É claro que podemos honrar e
valorizar a nossa cultura e a nossa história e os nossos antepassados, que nos
legaram valores, referências, ensinamentos e – no caso do Ocidente – o mais bem
sucedido modelo civilizacional da História, apesar do tenebroso declínio,
material e moral, a que assistimos hoje. Mas não é porque herdámos esse
edifício que somos dignos dele, como é fácil de constatar.
A Wikipedia, porém, discorda.
A Wikipedia acha que há virtudes e defeitos inerentes ao tom de pele de cada
um, ou decorrentes das inclinações da sua libido, e descreve o orgulho dos
negros, asiáticos e homossexuais em termos elogiosos como “celebração”,
“dignidade” e “autoafirmação”, inferindo-se assim que podem ser orgulhosos das
suas origens étnicas ou do facto de preferirem acasalar com seres humanos do
mesmo sexo, mas critica os brancos que têm orgulho de sua herança como
“racistas” e “nazis”.
É espantoso.
Os brancos cometeram
atrocidades ao longo da história? Claro que sim, como todos os restantes grupos
étnicos e todas as outras raças. E também há homossexuais criminosos. Podemos
até encontrar nesse grupo alguns genocidas (Frederico, o Grande, por exemplo).
Se todas as populações fossem desprezadas pelos erros dos seus antepassados,
toda a gente neste mundo estaria constantemente mergulhada num estado
depressivo de culpa, vergonha e arrependimento. Não vivemos assim porque isso
seria, não só injusto, mas insano.
E assim sendo, por que é que
os brancos devem viver assim?
A culpa de sangue é aberrante.
Deixemos isso para regimes distópicos. Somos todos seres humanos, que nascemos
livres dos pecados dos nossos ascendentes. Que nascemos, também, inocentes das
suas glórias.
E é assim que deve ser. Porque
no fim, seremos julgados pelas nossas ações e não pelos erros ou os acertos dos
nossos avós.
E já agora: Cristo não veio à
terra para salvar esta raça ou a outra, mas para redimir toda a humanidade.
Título, Imagem e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 5-1-2026

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