quinta-feira, 18 de junho de 2020

Tenho saudades dos paneleiros

Vitor Cunha

Sim, leu bem. Saudades dos maricas, de bichas, de abafa-palhinhas, de paneleiros, de fufas, veados, sapatonas… Eram pessoas boas, das que não andavam aí a impor normas, só a defenderem a liberdade individual de os deixarem em paz sem julgamentos coletivos.

Eram pessoas com dúvidas, com angústias sobre se o seu estilo de vida notoriamente fora da norma poderia ser compatível com o culto religioso e com uma salutar convivência com a família. Eram defensores acérrimos da liberdade individual e do extraordinário direito a não ser julgado por ninguém na sua vida pessoal.

Agora só temos LGBT(x)s chatos, puritanos, massacradores da realidade. Os velhos não andavam aí a “desafiar normas”: entendiam perfeitamente que o estado default de qualquer animal é o da heterossexualidade, pelo que compreendiam serem eles os fora da moda social, os marginais. Aceitavam a marginalidade, não impunham ficções sobre a normalidade.

Eu também sou um marginal. Também não me enquadro na pasmaceira do centrão progressista, nem no aberrante saudosismo romântico de um liberalismo utópico ou no tosco conceito idílico da fada-do-lar. Eu sou um perfeito paneleiro político. Uma bicha social que rejeita os ismos todos. Mas, garanto, um LGBT(x)s é que não sou.

Precisamos de mais marginais. De sistêmicos está o inferno cheio.
Título e Texto: Vitor Cunha, Blasfémias, 18-6-2020

O ódio entre as pessoas só tem aumentado e está disfarçado de politicamente correto 😉

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não aceitamos/não publicamos comentários anônimos.

Se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-