sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Vale a pena repetir: é a Economia, estúpido!

Assembleia da República, foto: Zoonabar
Governo cria empregos e arranja gestores para os desempregados. Viva o socialismo
António Ribeiro Ferreira
Infelizmente, os políticos têm a mania de se meter onde não são chamados em vez de passar o tempo a discutir e a tratar de coisas verdadeiramente importantes para a pátria. Um bom exemplo é o extraordinário debate em curso no parlamento sobre o consumo da água, uma verdadeira batalha ideológica que põe em dois campos opostos sociais-democratas e socialistas, uns a defender a iniciativa privada e outros, como de costume, a puxar a brasa ao Estado, às empresas públicas e a tudo o que é pago com o dinheiro extorquido às famílias e às empresas.
O PSD defende, obviamente, o consumo de água engarrafada. Não só por não haver ainda uma empresa pública dedicada ao negócio, mas também porque provou, por A mais B, que fica muito mais caro gastar água da companhia, isto é, do Estado. É que além do custo do metro cúbico é preciso ter em conta o preço dos jarros e dos copos que seriam necessários para tanta boquinha sequiosa e as horas gastas pelos funcionários do parlamento para manter operacionais as ditas peças de vidro.
Feitas as contas, o conselho de administração da casa onde têm assento os representantes da nação chegou à conclusão que ficaria mais barato comprar água engarrafada. Não é preciso louça e as garrafas de plástico vão para o lixo. Claro que os socialistas contestam esta medida com o falso argumento do combate ao despesismo. Querem é favorecer a empresa pública monopolista que fornece água ao parlamento. Isto sim, é um debate digno entre dois dos principais pilares da democracia e devia servir de exemplo a muitos Conselhos de Ministros em que se gastam horas e horas a discutir matérias que manifestamente não são da competência do governo e que apenas servem para escamotear os problemas reais do país. Como aconteceu ontem quando o ministro da Economia e o seu secretário de Estado do Emprego apareceram nas televisões com um pacote de medidas para combater o desemprego.
Dois liberais acham que o assunto se resolve com 150 dirigentes de um instituto público a fazer de conta que são gestores dos 600 mil desempregados, na vã tentativa de lhes arranjar trabalho. Dois liberais a prometer ao povo boquiaberto que o governo, sim, o governo, vai arranjar 3 mil empregos por mês e por aí adiante. O que seria natural era Álvaro Santos Pereira e Pedro Martins dizerem que o emprego depende da economia e que com uma recessão de 3,3% este ano, como adiantou também ontem a Comissão Europeia, o desemprego vai aumentar e não há Estado, governo ou gestor que inverta a situação.

A não ser que, à boa maneira socialista, o Estado invente uns cursos de formação, uns estágios ou ponha as câmaras a arranjar empregos virtuais para aliviar as estatísticas e limpar os ficheiros do instituto.
É por estas e por outras que os políticos deviam estar muito sossegadinhos nos seus cantinhos, a descobrir maneiras de reduzir o Estado, rebentar a burocracia e diminuir os impostos. Ou, em alternativa, a tomar medidas inteligentes, como aconteceu recentemente no Brasil, concretamente no Mato Grosso do Sul, em que os gagos só pagam metade das contas do telemóvel. Isto sim, é fazer política. A sério.
Título e Texto: António Ribeiro Ferreira, jornal “i”, 24-02-2012

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