quinta-feira, 29 de maio de 2014

Aos amigos velhinhos e velhinhas do Aerus... e, por que não também, do Brasil em geral?...

Valdemar Habitzreuter 
 
O velho homem triste, pintura de Van Gogh
Escrevo aos velhinhos e velhinhas do Aerus não num sentido depreciativo, mesmo porque estou inserido nesta categoria, mas num sentido e contexto em que verifico pessoas idosas profundamente sensíveis, relembrando um passado no qual o tempo se encarregou de distanciar fatos notáveis vivenciados por eles, e que acalentam ainda hoje uma grande união e amizade entre eles, embora espalhados pelos confins do planeta terra. Quero dizer com isso que nós do Aerus envelhecemos, mas lembramos-nos de inúmeras aventuras, venturas e desventuras que a aviação nos proporcionou. A profissão que escolhemos nos fez exploradores do mundo e, ao mesmo tempo, servidores do próximo pela atividade profissional característica, e também, por que não dizer?, fincando a bandeira brasileira para além das nossas fronteiras, disseminando e recolhendo riquezas econômicas e culturais para o país. Resume-se aí o nosso orgulho e nossa dignidade, agora, de velhinhos e velhinhas do Aerus.

Além da atividade produtiva que exercemos em prol do nosso país, fundamos concomitantemente nosso fundo de pensão como garantia futura de complementação ao exíguo provento da aposentadoria do Estado. Um fundo de pensão visa ajudar o governo a minimizar os encargos sociais que ele tem com a população. Por isso, um fundo de pensão é plausível, fomentado e protegido pelo próprio governo. É claro, ele se exime, assim, de inúmeros problemas sociais. As pessoas idosas, por exemplo, que mormente apresentam problemas de saúde, aposentadas somente pelo sistema do governo (aposentados pelo INSS), não terão recursos para um tratamento de saúde a contento. Por acaso o governo consegue atendê-las com qualidade nos SUS? Constatamos contrariados, diariamente, a triste realidade em nossos hospitais públicos e postos de saúde.

Pois bem, que culpa temos nós velhinhos e velhinhas de o nosso fundo ter sido saqueado, que estava sob a custódia do governo, e que nos proporcionaria melhores condições para cuidarmos de nossa saúde, agora que nos encontramos na terceira idade? Somos nós os culpados ou é o governo? Aliás, a Justiça já se pronunciou a nosso favor e condenou o governo. E por que precisamos ainda mendigar os favores dele para que cumpra as determinações da Justiça? Só posso concluir dizendo que somos vítimas de um grande calote. O que nós velhinhos presenciamos é uma afronta, um menosprezo à constituição brasileira, ao estatuto do idoso e à democracia, que tem como objetivo preservar a ordem pública, a vida pacífica e bem-estar dos cidadãos em sociedade. Vemos um governo desrespeitoso, fazendo valer sua prepotência autoritária e nulificando o império da lei.

Qual a diferença entre o estatuto da criança e adolescente e o estatuto do idoso? Bem, como é do conhecimento de todos, o ECA é 'milimetricamente' respeitado. Por exemplo, um adolescente bandido, com menos de dezoito anos, pode cometer o mais horrendo dos crimes e é tido como um pobre coitado e merecedor de cuidados especiais, sendo recolhido numa casa de custódia onde permanecerá por apenas três anos como medida de reeducação para o convívio na sociedade, e quando se reintegra novamente ao convívio social continua na mesma batida da criminalidade, sabendo que seus crimes serão relevados. E o que observamos são crimes cada vez mais hediondos e freqüentes praticados nesta faixa etária e nada se faz para deter esta praga.

E o que dizer do estatuto do idoso? Bem, este não serve para nada. Seria melhor jogá-lo no lixo. O idoso é tido como um estorvo, um parasita, um ser humano insignificante para o governo; o idoso não necessita de cuidado algum e é preferível que morra o quantos antes, pensa o governo. Não, não estou exagerando. Nós velhinhos e velhinhas do Aerus sentimos isto na pele. Até mesmo a nossa poupança (Aerus) o governo confiscou e não a quer devolver, mesmo condenado pela Justiça. Pode isso? É deveras triste a nossa situação de mendicantes de justiça, e deploramos a falta de sensibilidade do poder que deveria assegurar o bem-estar de seu povo e, com muita simpatia, dos velhinhos desse Brasil que participaram de sua construção e seu progresso, não merecendo, portanto, tanto descaso.

O que mais poderemos fazer ou inventar, amigos velhinhos e velhinhas do Aerus, para sensibilizar esta múmia petrificada da presidente para que modifique sua atitude descabida de intransigente e nos acolha e receba como seres humanos que nada mais quer do que viver com dignidade seus últimos dias de vida? É pedir muito para que se respeite o estatuto do idoso que tem como ápice, em sua formulação preposicional, a prioridade e urgência na solvência de questões sociais que envolvem os idosos? Dona Dilma, Vossa Excelência se prontificou a ser a mãe de todos os brasileiros quando da posse como Presidente do Brasil, modifique seus valores humanitários e considere os velhinhos do Aerus seres humanos e não seres abjetos descartáveis! Até o estatuto da defesa dos animais tem mais respeitabilidade do que o estatuto dos idosos. Não queremos nenhum prêmio de consolação ou complacência por sermos idosos, apenas a observância estrita da constituição brasileira, nossa carta magna que serve como guia para a democracia plena.

Nós, idosos do Aerus, já fizemos todo o possível (manifestações, greve de fome, pedido de socorro a políticos influentes e a entidades internacionais, etc., etc., etc.) para que, ao menos, o governo dê uma atençãozinha mínima aos velhinhos e velhinhas do Aerus. Mas nada acontece. Quem sabe, uma medida extrema nossa, o suicídio coletivo, resolveria? Sim, teria uma dupla solução para o caso. Uma que o governo exultaria e se livraria do ônus do pagamento de nossos proventos, e outra que cessaria nossa humilhante condição de mendigos dos favores dessa autoridade petista despótica que se intitula defensora dos trabalhadores.

Mas, meus velhinhos e velhinhas do Aerus, não demos o braço a torcer, nada de suicídios e atitudes extremas, mas fustigando o governo com nossos protestos de inconformismo, fazendo valer nossa coragem na luta pelos nossos direitos até as forças físicas e psíquicas se exaurirem, levadas pelo vento das forças cósmicas e deterministas de finitude. Então, nossos descendentes e gerações futuras poderão dizer: combateram o bom combate até o fim. Mesmo que não foram atendidos em suas reivindicações, deixaram o exemplo da altivez e persistência na luta pelo que é justo. Vencedores, portanto...

Painel de Azulejos: Santa Clara armada com o Santíssimo Sacramento afugenta os muçulmanos que se preparavam para assaltar e saquear o convento de São Damião. Basílica de Santa Clara.

E não estamos sozinhos nesta batalha de enfrentamento ao governo pelas injustiças, falcatruas e incompetência no gerenciamento da empresa Brasil. A insatisfação está se generalizando, estendendo-se a toda a sociedade. O fundo Petros, por exemplo, segundo me consta, também já foi alvo dos tentáculos gananciosos do PT assaltando o caixa desse fundo para seus interesses políticos escabrosos. O olho grande do PT não pôde ver esta poupança polpuda (se ainda o é) do Petros sem meter a mão descaradamente e sacar quantias consideráveis, deixando em polvorosa também os velhinhos e velhinhas do Petros. Sim, como a Petrobras é uma estatal e administrada por "cumpanheiros", o PT se arrogou o direito de assaltar o fundo dos trabalhadores dessa empresa.

Lembrete: haverá eleições. Como li alhures: "Ou o Brasil acaba com o PT, ou o PT acaba com o Brasil". Abraço a todos, e avante, heróis velhinhos e velhinhas do Aerus. Sou grato e devedor àqueles que se prontificam a comparecer às manifestações no aeroporto do Santos Dumont, no Rio; e de Congonhas, em São Paulo... Desculpem a prolixidade textual para uma postagem facebookiana, mas minha indignação é tamanha que acabo estendendo-me em demasia, e também em repisar sempre o mesmo assunto...
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 29-05-2014

12 comentários:

  1. Corta essa , seu Valdemar ; não somos velhinhos mas , sim , clássicos ! Somos um grupo de rapazolas e balzaquianas de pouco mais de 60 e alguns anos . Ouça Led Zeppelin, Stones e Beatles , e sinta-se animado para tudo . Tenha fé , confiança e siga em frente.

    Abração.

    Sidnei Oliveira
    Assistido AERUS - RJ

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    1. O nosso grupo se compõe eminentemente de pessoas das mais variadas tendências culturais pelas quais cada qual representa a comédia da vida, e, assim, apreciar o dom da existência.

      Uns fazem isto ouvindo Led Zepelin, Stones e Beatles para sentirem-se animados para tudo; outros se interessam por filosofias de vida de tendências as mais variadas; outros ainda - embora poucos - da maçante e profunda filosofia racional pura, lendo Kant, Nietsche, Heidegger e outros pesos pesados - leitura muito profícua para dilatar os horizontes na compreensão da vida e encenar com mais tempero a comédia da vida.



      Nós, velhinhos e velhinhas do Aerus (rapazolas e balzaquianas), estamos encenando o ato mais importante de nossa existência, talvez o ato final: a reconquista das perdas que em algum momento da comédia da vida tivemos o desprazer de encenar e sentir na carne seus flagelos. Este momento ou ato infortúnio foi na cena de 2006 quando foi decretada a intervenção no Aerus e a conseqüente dissolução do mesmo até minguarem as reservas pecuniárias em definitivo, o que dentro de alguns meses irá acontecer.

      Tudo faz parte da comédia da vida: alegrias e tristezas. O que importa é que mantenhamos um espírito jovem que possa dirigir com determinação o corpo que lentamente vai cedendo aos apelos da decrepitude. Temos exemplos dentro de nosso grupo de espíritos audazes que se agigantam quando se trata de clamar por justiça e enfrentar um Golias que se ostenta o todo-poderoso. Nossos Davids (José Manuel, Paulo Resende, Jonathas Filho, Bolognese e outros tantos figurantes... talvez peque por não citar a todos – seria longa a lista) fazem um papel impecável para que o ato final tenha seu momento de glória.

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    2. Valeu, meu caro Valdemar. Democracia é isso: cada um de nós ter o direito de opinar ( e criticar) . Gostei das leituras ; já li Friedrich Nietzsche , Edgar Alan Poe e estou lendo Alistair Taylor e Geoff Emerick . Na verdade , quis protestar no sentido de que não devemos nos considerar tão velhos assim .
      Pondero que tiremos dos nossos dicionários ( nos meus rasguei as folhas) vocábulos , tais como: infortúnio , desgraça, maldição, flagelo, decrepitude , azar e outros termos afins. Sim, vejo um teatro completamente cheio até a metade . E tenha a certeza que o Grande Arquiteto nos levará ao êxito na questão AERUS . Afinal, fomos feitos para vencer !
      A propósito : ao ver sua foto de boné , e sua semelhança com Tony Sheridan é total .

      Abração .

      Sidnei

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    3. Entendo-te perfeitamente, meu caro Sidnei. Sinto que és uma pessoa positiva e em qualquer idade devemo-nos sentir assim. Mas é isso mesmo que quero passar aos amigos velhinhos e velhinhas do Aerus. É um jeito carinhoso de chamar os companheiros de luta para encararmos a vida com positividade e espírito jovem. Quanto aos vocábulos negativistas não os quero eliminar do meu dicionário, pois eles me impelem para o confronto. Isto é, a oportunidade de aniquilá-los como inimigos de minha alegria pela vida. Um grande abraço!
      Valdemar

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  2. Meus queridos, não sei o que dizer mais.
    Tem que ter uma saída: Quem sabe, uma" porta falsa" nessa caverna, onde vocês estão.
    Tem que procurar uma fresta, onde haja uma luz...
    Quem sabe nessa maldita Copa da Fifa, os amigos se exporem mais para a imprensa estrangeira?

    Abraços de Janda Mendez.

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  3. Não sei se felizmente ou infelizmente, não me sinto assim. Eu analiso que podemos nos considerar velhos quando não temos mais acompanhados os acontecimentos contemporâneos, quando reunidos, contamos as histórias passadas centenas de vezes, por mais belas que sejam. Estamos velhos quando falamos do mesmo assunto centenas de vezes para as mesmas pessoas. Temos de nos engajar no cotidiano, ler mais, aprender mais, para poder-se debater mais.
    Vento negro, campo afora
    Vai correr
    Quem vai embora tem que saber
    É viração
    Montamos nele e deixamo-lo correr...

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  4. Valdemar, parabéns pelo texto. Você conseguiu expor nosso drama como poucos. Seu texto é digno de um Bolognese, de um José Manuel, de um Herênio, de um Jonathas e alguns outros colegas que sabem utilizar a verborragia.

    Rubens de Freitas

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  5. Bonjour, allemand Waldemar Habitzreuter...
    Encore une fois vous mettez tous les mots qui sont dans nos esprits ... les vieilles dames et de vieux hommes de Aerus.
    Sans autre commentaire, je pense que nous serions plus heureux si cette formulation a été rendue publique; vous ne pensez pas?
    À commencer par le site social Face et peut-être d'autres moyens de communication populaire comme les journaux ...
    J'ai essayé de publier le Estadão quelques articles sur le sujet ...
    Mais je n'étais pas attirée. Mais peu importe! Mieux garder la diplomatie tranquille et ne pas laisser exasperate.
    Merci, mon bon ami; continuer dans cette ligne et peut-être en mesure de les convaincre qu'ils peuvent et doivent respecter la Constitution, obéissant simplement une ordonnance de la cour ... pas vrai?
    étreintes
    Amilton Correa

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    1. Bitte, nächste Mal, wenn Sie schreiben, tun es auf Deutsch so kann ich besser verstehen.

      Umarmungen und vielen Danke.

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    2. Já, das werde ich machen nächsten mal. Aber wer bist du? Hast du keinen Namen? Etwas möchte ich auch sagen: ich schreibe besser auf portugiesisch, und meine 'velhinhos e velhinhas, verstehen nicht alle deutsch.

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  6. Jonathas Filho
    Kirido Rubens de Freitas, obrigado pelo elogio mas, quando a minha verve for 10% desse talento chamado Valdemar Habitzreuter, me sentirei o máximo e escreverei um livro de poucas páginas mas, dizendo tudo, da forma como habilmente faz o Habitzreuter. Grande abraço fraterno!!! Jonathas Filho

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