segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Não era assunto, mas quem decide se é ou não és tu

Vitor Cunha

Não concordo contigo, Telmo. Dizes que não tens vontade, necessidade ou dever de debater eutanásia, mas, como poderás reparar, essa vontade não depende de ti.


Eu também não queria debater eutanásia, particularmente porque não há nada a debater: misturar o que se passa no interior de uma casa em família e um medicamento que alivie dores mas que com isso acelere a morte da pessoa com “eu tenho o direito a que o estado me providencie uma execução nos moldes que eu quero” não foste tu – nem eu – que fizemos: foram os calhaus que se arrogam o direito divino de achar que nos representam.

Se, por força de lei, abres a porta à execução de doentes só porque uns cabrões encaram a liberdade como um conceito filosófico em vez de uma doutrina de vida, passas a criminoso. Como serão todos os que se abstiverem ou votarem a favor de qualquer projeto de lei que atribui ao estado poder discricionário para terminar com a vida de alguém.
Criminosos, assassinos. Todos eles.
Título e Texto: Vitor Cunha, Blasfémias, 3-2-2020

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