Determinação vem após investigação sobre ocorrência envolvendo perda de controle em voo, deixando 20 feridos
Luiz Fara Monteiro
A Airbus anunciou na sexta-feira que está ordenando uma atualização imediata de software em um “número significativo” de sua família de aeronaves modelo A320, o mais vendido da fabricante. Segundo fontes do setor, a medida afetará metade da frota global, ou seja, milhares de jatos. No Brasil, LATAM Airlines e Azul Linhas Aéreas operam com esse modelo. O A320 é, na verdade, um dos jatos comerciais mais comuns no mercado mundial.
A medida deve ser realizada
antes do próximo voo de rotina, de acordo com um boletim separado enviado às
companhias aéreas e visto pela Reuters. A autoridade de aviação civil do Reino
Unido alertou para “algumas interrupções e cancelamentos” de voos nos próximos
dias, informa o The Guardian.
A Diretriz de
Aeronavegabilidade de Emergência ocorre durante um dos fins de semana de maior
movimento de viagens do ano nos Estados Unidos, por exemplo. A determinação
ocorre em consequência de um incidente recente envolvendo uma aeronave da
família A320, que segundo as investigações, revelou que a intensa radiação
solar pode corromper dados críticos para o funcionamento dos controles de voo.
“A Airbus reconhece que essas
recomendações causarão interrupções operacionais para passageiros e clientes”,
afirmou a empresa.
Fontes do setor disseram que o
incidente que desencadeou a ação de reparo inesperada envolveu um voo da
JetBlue de Cancún, México, para Newark, Nova Jersey, em 30 de outubro, no qual
vários passageiros ficaram feridos após uma
perda brusca de altitude, conforme o blog noticiou em 3 de novembro.
O voo 1230 fez um pouso de emergência em Tampa, na Flórida, após um problema no controle de voo e uma queda repentina e não comandada de altitude, o que levou a uma investigação da FAA.
A JetBlue e a FAA não se
pronunciaram de imediato.
Para cerca de dois terços dos
jatos afetados, o recall resultará em uma paralisação relativamente breve,
enquanto as companhias aéreas retornam a uma versão anterior do software,
disseram fontes do setor.
No entanto, isso ocorre em um
momento de intensa demanda sobre as oficinas de reparo de aeronaves, já
afetadas pela escassez de capacidade de manutenção e pela paralisação de
centenas de jatos Airbus devido aos longos tempos de espera para reparos ou inspeções
de motores. Centenas dos jatos afetados também podem precisar de alterações de
hardware, o que pode prolongar consideravelmente o tempo de espera, disseram as
fontes.
A American Airlines e a Wizz
Air, da Hungria, disseram já ter identificado quais de suas aeronaves
precisariam da correção de software. A United Airlines afirmou que não foi
afetada.
A American Airlines, em
comunicado, afirmou que cerca de 340 de suas 480 aeronaves A320 precisam da
atualização de software e espera que a maioria das correções seja concluída
“hoje e amanhã”, com cerca de duas horas necessárias para cada avião.
A Wizz Air informou que
“alguns voos durante o fim de semana podem ser afetados” e que os passageiros
que fizeram reservas pelo site ou aplicativo serão notificados sobre quaisquer
alterações.
Um porta-voz afirmou: “A
segurança dos nossos clientes, tripulação e aeronaves é sempre a nossa
prioridade número um e primordial. Pedimos desculpas por qualquer inconveniente
causado por circunstâncias fora do nosso controle direto.”
A Lufthansa afirmou que
esperava um “pequeno número de cancelamentos ou atrasos de voos durante o fim
de semana”, já que também estava cumprindo as instruções da Airbus em relação
aos trabalhos necessários.
A Air India afirmou que
esperava “tempos de resposta mais longos e atrasos nas operações”.
Existem cerca de 11.300
aeronaves da família A320 em operação, incluindo 6.440 do modelo A320 original,
que voou pela primeira vez em 1987.
O revés parece estar entre os
maiores recalls em massa que afetaram a Airbus em seus 55 anos de história e
ocorre semanas depois que o A320 ultrapassou o Boeing 737 como o modelo mais
entregue.
O A320 foi o primeiro jato
comercial de grande porte a introduzir controles computadorizados fly-by-wire.
O boletim consultado pela
Reuters apontou como causa do problema um sistema de voo chamado ELAC (Elevator
and Aileron Computer), que envia comandos do manche lateral do piloto para os
profundores na parte traseira. Estes, por sua vez, controlam o ângulo de
inclinação ou o ângulo do nariz da aeronave.
Em resposta a uma consulta da
Reuters, a fabricante do computador, a francesa Thales, afirmou que o
computador está em conformidade com as especificações da Airbus e que a
funcionalidade em questão é suportada por um software que não é de
responsabilidade da Thales.
Leia o comunicado oficial
da Airbus:
A análise de um evento
recente envolvendo uma aeronave da família A320 revelou que a intensa radiação
solar pode corromper dados críticos para o funcionamento dos controles de voo.
Consequentemente, a Airbus
identificou um número significativo de aeronaves da família A320 atualmente em
serviço que podem ser afetadas.
A Airbus trabalhou
proativamente com as autoridades de aviação para solicitar ação preventiva
imediata dos operadores por meio de uma Transmissão de Alerta aos Operadores
(AOT, na sigla em inglês), a fim de implementar a proteção de software e/ou
hardware disponível e garantir que a frota esteja em condições seguras de voo.
Essa AOT será refletida em uma Diretiva de Aeronavegabilidade de Emergência da
Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA).
A Airbus reconhece que
estas recomendações acarretarão perturbações operacionais para passageiros e
clientes.
Pedimos desculpa pelo
incómodo causado e trabalharemos em estreita colaboração com as companhias
aéreas, mantendo a segurança como a nossa principal e primordial prioridade.
Título e Texto: Luiz Fara Monteiro, R7, 28-11-2025, 18h23

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