São cerca de 2 mil lotes, somando quase 10 mil itens, que vão de grandes nomes das artes plásticas a pratarias, mobiliário, porcelanas e até objetos dos antigos proprietários do imóvel
Victor Serra
O inventário que será leiloado na mansão mais cara do país não impressiona apenas pelo volume, mas pelo peso financeiro. Juntas, as peças avaliadas e catalogadas para o pregão ultrapassam R$ 25 milhões, colocando o leilão no Jardim Pernambuco, no Leblon, entre os mais valiosos já realizados no Rio. Como noticiado pelo DIÁRIO DO RIO nesta semana, são cerca de 2 mil lotes, somando quase 10 mil itens, que vão de grandes nomes das artes plásticas brasileiras a pratarias, mobiliário, porcelanas e até objetos cotidianos da família Amaral, antiga dona dos supermercados Disco.
A sessão é organizada pela tradicional Ernani Leiloeiros. Entre os destaques está Deposição de Cristo, atribuída pela casa de leilões ao italiano Caravaggio, que pode alcançar até R$ 1,8 milhão, segundo O Globo. O lance inicial é de R$ 600 mil. Especialistas ouvidos pelo DIÁRIO DO RIO ponderam que a peça pode ter sido produzida por alunos ou artistas do círculo do mestre do Barroco. O catálogo segue robusto: Portinari, Pancetti, Guignard, Carybé, Beatriz Milhazes, Bruno Giorgi e até Rodin aparecem entre as assinaturas disponíveis. Uma tela de Malhôa – importante pintor português – está listada a R$ 2 milhões.
Também há peças do
valiosíssimo conjunto de jantar de Dom João VI, o chamado “Serviço dos Pavões”,
um dos mais valiosos e procurados do mundo. Um conjunto de cerca de 170 peças
está à venda em São Paulo por 4,5 milhões. Outros serviços de porcelana da Companhia
das Índias estão sendo apregoados no leilão do Leblon, de padrões menos
conhecidos mas também muito valorizados. Um quadro – óleo sobre tela – do
próprio Dom João está à venda e é atribuído a ninguém menos que Jean
Baptiste Debret, cuja exposição de gravuras aquareladas vem recebendo
atenção da imprensa, no espaço de cultura do DIÁRIO no Arco do
Teles.
O pregão, que terá início na
próxima segunda (1/12) também trará obras com procedência histórica sensível,
algumas com etiquetas de galerias europeias e carimbos de catalogação do
período da Segunda Guerra. Uma colagem modernista, marcada pelo selo da Gestapo,
integra o lote — peça rara que já fez parte de acervos confiscados pelo regime
nazista sob o rótulo de “arte degenerada”
Mansão da família Amaral
O imóvel, construído em estilo
inglês, tem seis suítes, 18 banheiros, biblioteca, salas de estar e jantar,
estúdio de música, espaço para reuniões, sauna, área de lazer com piscina
semiolímpica, churrasqueira, além de 15 vagas de garagem. Tudo isso espalhado
por 4 mil metros quadrados de terreno, com direito a um sistema europeu de
aspiração de pó embutido no rodapé.
A casa foi vendida por R$ 220
milhões no ano passado, em uma das maiores transações imobiliárias recentes no
país, pilotada pela imobiliária Sérgio Castro Ouro, através do corretor Paulo
Ximenes.
Título, Imagens e Texto: Victor Serra, Diário do Rio, 29-11-2025

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