domingo, 30 de novembro de 2025

Acervo que vai a leilão na mansão mais cara do Leblon ultrapassa R$ 25 milhões

São cerca de 2 mil lotes, somando quase 10 mil itens, que vão de grandes nomes das artes plásticas a pratarias, mobiliário, porcelanas e até objetos dos antigos proprietários do imóvel

Victor Serra


O inventário que será leiloado na mansão mais cara do país não impressiona apenas pelo volume, mas pelo peso financeiro. Juntas, as peças avaliadas e catalogadas para o pregão ultrapassam R$ 25 milhões, colocando o leilão no Jardim Pernambuco, no Leblon, entre os mais valiosos já realizados no Rio. Como noticiado pelo DIÁRIO DO RIO nesta semana, são cerca de 2 mil lotes, somando quase 10 mil itens, que vão de grandes nomes das artes plásticas brasileiras a pratarias, mobiliário, porcelanas e até objetos cotidianos da família Amaral, antiga dona dos supermercados Disco.

A sessão é organizada pela tradicional Ernani Leiloeiros. Entre os destaques está Deposição de Cristo, atribuída pela casa de leilões ao italiano Caravaggio, que pode alcançar até R$ 1,8 milhão, segundo O Globo. O lance inicial é de R$ 600 mil. Especialistas ouvidos pelo DIÁRIO DO RIO ponderam que a peça pode ter sido produzida por alunos ou artistas do círculo do mestre do Barroco. O catálogo segue robusto: Portinari, Pancetti, Guignard, Carybé, Beatriz Milhazes, Bruno Giorgi e até Rodin aparecem entre as assinaturas disponíveis. Uma tela de Malhôa – importante pintor português – está listada a R$ 2 milhões.

Também há peças do valiosíssimo conjunto de jantar de Dom João VI, o chamado “Serviço dos Pavões”, um dos mais valiosos e procurados do mundo. Um conjunto de cerca de 170 peças está à venda em São Paulo por 4,5 milhões. Outros serviços de porcelana da Companhia das Índias estão sendo apregoados no leilão do Leblon, de padrões menos conhecidos mas também muito valorizados. Um quadro – óleo sobre tela – do próprio Dom João está à venda e é atribuído a ninguém menos que Jean Baptiste Debret, cuja exposição de gravuras aquareladas vem recebendo atenção da imprensa, no espaço de cultura do DIÁRIO no Arco do Teles.

O pregão, que terá início na próxima segunda (1/12) também trará obras com procedência histórica sensível, algumas com etiquetas de galerias europeias e carimbos de catalogação do período da Segunda Guerra. Uma colagem modernista, marcada pelo selo da Gestapo, integra o lote — peça rara que já fez parte de acervos confiscados pelo regime nazista sob o rótulo de “arte degenerada”

Mansão da família Amaral

O imóvel, construído em estilo inglês, tem seis suítes, 18 banheiros, biblioteca, salas de estar e jantar, estúdio de música, espaço para reuniões, sauna, área de lazer com piscina semiolímpica, churrasqueira, além de 15 vagas de garagem. Tudo isso espalhado por 4 mil metros quadrados de terreno, com direito a um sistema europeu de aspiração de pó embutido no rodapé.

A casa foi vendida por R$ 220 milhões no ano passado, em uma das maiores transações imobiliárias recentes no país, pilotada pela imobiliária Sérgio Castro Ouro, através do corretor Paulo Ximenes.

Título, Imagens e Texto: Victor Serra, Diário do Rio, 29-11-2025 

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