sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Faca de dois legumes

Aparecido Raimundo de Souza

Os senhores e as senhoras saberiam explicar as diferenças entre ‘furto’ e ‘roubo’? Para o texto que aqui trazemos a público, se faz necessária essa explicação em fase preliminar. Procuraremos ser diretos, para não cansarmos as vistas e a paciência de nossos leitores.

‘Furto’ é quando o sujeito se apodera de alguma coisa, sem usar a violência. Exemplo. O cidadão passa os cinco dedos em sua carteira, leva todo o dinheiro que você havia reservado para passar o mês e não emprega nenhum tipo de violência.

‘Roubo’, portanto, seria o mesmo sujeito se apossando desses seus trocados, usando a violência. Exemplo claríssimo: na hora da ação, o vagabundo, antes de grudar na sua grana, tiraria o pinto para fora das calças e mijaria literalmente em seu rosto. A diferença reside exatamente no emprego da ação usada por ele, ou seja, o pinto duro do meliante seria a arma. E a mijada a violência.

Em ambos os casos, as duas palavrinhas são vistas como crime. Em sendo assim, o autor do ‘furto ou do roubo’ será sempre um larápio sem vergonha ou, dito de outra forma, o nosso querido ladrão de todos os dias que nos cumprimenta no ponto de ônibus, na padaria, no barbeiro, etc. Não importa, portanto, se ele empregou força física ou intimidação moral.

Vista pelos operadores do direito, ‘furto e roubo’ são os dois lados da mesma moeda. O furto seria aquele delito agasalhado pelo artigo 155 do Código Penal, que leciona: ‘subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa. Parágrafo primeiro. A pena aumentará um terço (não confundam terço com rosário) se o crime for praticado sobre repouso noturno’.

O ‘roubo’ está situado um pouquinho mais adiante, no artigo 157 do mesmo Código. ‘Subtrair algo mediante violência’. Para esse crime, o legislador se mostrou um pouquinho mais severo. Mandou uma sanção ‘de quatro a dez anos’ e multa, culminando também com a ‘RECLUSÃO’.

Explicados esses pontos fundamentais, perguntaríamos às senhoras e aos senhores. E o governo brasileiro nos ‘furta’ ou nos ‘rouba’? Entendam aqui, por favor, como ‘governo’, todo o bando de rinocerontes ‘mamadores’ das tetas dos partidos políticos, a caterva do senado, a súcia da câmara, os ‘171’ (estelionatários) dos ministérios, os mafiosos dos tribunais de justiça, não nos esquecendo, evidentemente, do fúlgrido presidente.

Enfim, toda a alcateia de lobos vagabundos que sustentamos com nosso trabalho, com o suor que derramamos, no dia a dia de nossas vidas infames. 171 são os ladrões mafiosos vestidos em peles de cordeiros, os velhacos e refinados que nos roubam na maciota, usando a imaginação. ‘Aquele nosso vizinho é um 171 do caralho’

Fúlgrido’ no linguajar ‘Machadeano’ se traduz por ‘pessoa sem sal, insosso, insípido, monótono’.

Devemos lembrar, ninguém fala ‘o governo nos furtou’, o partido tal ‘furta’ através do deputado tal nossos salários na cara de pau. Seria o certo, o correto. Porém, virou prática o emprego errôneo da palavra ‘roubar’. A sociedade adotou o ‘roubar’ como parâmetro para todas as coisas ruins que lhes são impostas. O filho da puta ‘roubou meu carro’.

O ‘desgraçado roubou minha mulher, e de lambuja, levou meu filho junto’. Se não houve violência, seria ‘furto’. Entretanto, ninguém usa o termo. Daí ter caído em desuso. A popularidade do ‘roubar’ como era de se esperar, atingiu seu apogeu.            

Mas em resumo, senhoras e senhores. A questão é: o governo nos ‘furta’ ou nos ‘rouba’? Os ladrões de Brasília (fica mais bonita a utilização dessas palavras ‘os ladrões’) não vêm à nossa porta. Não usam do ‘exercício desproporcional do poder ou da força’. Logo, não mijam -, fazem pior.

Cagam em nossas calçadas, sujam nossos portões. Limpam as bundas gordas e peludas com as nossas covardias. Descargueiam o cocô que saem de seus rabos com a nossa integridade. Fodem a nossa moral geralmente usando flores em suas retóricas.

Não satisfeitos, metem as nossas caras de babacas nas latrinas como se fôssemos cagalhões. Na verdade, somos um amontoado de bosta fedendo a inhaca. O governo, senhoras e senhores, sapateia sobre nossos sonhos, com a violência que deixamos escondida, amedrontada, calada dentro de nossos corações. O Epicentro se desfaz de nós, o tempo todo. Não vamos além de um punhado de vermes, de bichos do mato. Precisamos sem mais delongas, ser MASSACRADOS.

E o governo, não espera. Tem pressa. Usando de toda a sua lisura nos tortura, nos humilha, nos ridiculariza, nos arrasa, nos oprime, nos rebaixa a pobres e indefesos Tiradentes, na falta de figura mais apropriada para ilustrar essas assertivas.

Em vista da caixa de pandora aberta com essa interminável coleção de drasticidades advindas dos ‘Poderosos’ para com a plebe desprotegida, a resposta correta, conseguintemente, repetindo o óbvio, não é outra, senão, o ‘governo literalmente nos rouba’. E nos rouba com força.

Por extensão, nos assalta nos submete, nos subjuga às suas leis. Suas armas não são os revólveres. A violência empregada é outra. Vem camuflada, maquiada, chega de mansinho, na calada da noite.

Quando damos pela coisa, quando acordamos do marasmo, do desânimo, da inativação é tarde demais. Tomamos no olho do traseiro faz tempo e nada mais podemos pleitear, a não ser ‘ACEITARMOS’.

O Brasileiro é bom para aceitar. Basta um grito mais alto que o normal, e ele se curva se sente, ‘pra baixo e sem saída’, como um camundongo diante de um bichano de unhas afiadas. A arte de se rebaixar, diz Arthur Paranhos, em seu livro ‘Eta povo besta, sô’ Editora Sucesso  São Paulo, 1ª edição, página 25, a eterna ‘vontade de se tornar franzino, mirrado, raquítico, desanimado, faz parte do sangue que corre em suas veias e artérias. O brasileiro nasceu para ser comandado. Vive a vida inteira para obedecer ordens. Mesmo depois de morto, se curva para mostrar que é um Barnabé-Ninguém, que fora durante toda a sua existência, um saco de pó. O abestado se curva tanto, tanto se curva, tanto se abaixa, tanto se deprecia, que deixa a mostra (como a figura de Napoleão), aquela parte melindrada que segundo a história, lhe fez perder a guerra’.


Os ladrões do Planalto nos roubam e damos risadas. Gargalhamos das nossas bucolices e tolicidades de pulsões contrárias, borrifadas de tensão e horror. A insensatez, amados, não é só trunfo nosso. A burrice crônica se tornou uma epidemia nacional. Somos uma cáfila (cáfila?!) de jumentos pastando em derredor dos Poderosos, cabresteados por fortes peças de metais presas as nossas bocas, nos impedindo de gritarmos por socorro.

Os bandidos engravatados nos roubam. Brasília nos assalta. Mesmo iluminados por lampejos de fortes luzes holofotianas de neon, o brasileiro não se revolta. Se sente um João-ninguém, se mostra um fubica sem eira nem beira. Parece (mesmo vivendo em família) um apático de uma tribo nômade, onde criaturas microscópicas correm de um lado para outro, sem porto definido. 

Talvez seja por essa razão que ele nunca consiga sair do ‘lodaçal’ que verte ininterruptamente abaixo de seus pés. Seria de bom juízo que o brasileiro, ou dito de outra forma, seria de bom juízo que todos nós, gentios desta terra de ninguém, aprendêssemos, de uma vez por todas, que se corrermos, o bicho pega, se ficarmos, o bicho come.

Entretanto, senhoras e senhores, se UNIRMOS AS FORÇAS, O BICHO FOGE.

Cadê a garra determinante dessa porra de frase que apregoa ‘TODO PODER EMANA DO POVO E EM SEU NOME É EXERCIDO’??!!

Vamos acordar, cambada de parasitas. Os tempos urgem ordens na casa, companheiros. Custe o que custar. Doa a quem doer. Mas... e os Poderosos de Brasília??!! Os poderosos? Os magnatas??!!  Kikikikikikikiki... que se fodam!!!   

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Título, Imagens e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista, Belo Horizonte, Minas Gerais, 13-1-2017

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3 comentários:

  1. Foi a melhor crítica que já li sobre o império do planalto nascente e sobre um povinho que conheço, infelizmente.
    José Manuel

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  2. Parabéns Aparecido como sempre a verdade nua, e crua, continue, com certeza o povo vai acordar, e vai lutar pelos direitos exercidos nas urnas, uma andorinha só não faz verão, com luta, com a verdade vamos fazer esse bando de parasitas, acordar, antes que o Brasil afunde de vez, mais uma vez parabéns pela verdade dita.Carla

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  3. Sim, Aparecido.
    Sim, sua coragem e ímpeto de expor o que pensamos, meus parabéns! Realmente precisamos Acordar!
    Abs,
    Heitor Volkart

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