quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Risotos de abricós

Aparecido Raimundo de Souza

Minhas senhoras e meus senhores, acreditem. São injustificáveis, como inconcebíveis e vergonhosos, querermos moralizar nosso país falido, sem que tenhamos a coragem e a dignidade de “reciclarmos” nossos conceitos e comportamentos para tirá-lo, de vez, do buraco enorme em que se encontra metido.  Entendam “reciclarmos” no sentido amplo de mudanças bruscas, necessárias e radicais, não para hoje, ou para amanhã, para ontem, sem mais delongas. 

O fato é que vergonhosamente nos acomodamos diante de conveniências pessoais e fraquezas as mais diversas, não assumindo o papel de Legisladores da Pátria.  Aqueles que deveriam pugnar em favor de nossas carências, denegriram e deturparam as imagens do que ainda restavam intocáveis e poderiam ser chamadas de politicamente corretas e decentes.

Com impressionantes facilidades e espertezas, nossos desqualificados “fazedores de leis”, pagos e sustentados por nós, criaram e continuam criando normas que beneficiam somente a uma meia dúzia de vagabundos da mais esdrúxula laia que se tem conhecimento. Notem que ninguém faz absolutamente nada. Nenhuma alma caridosa se digna a mover uma palha para que esse quadro se modifique e sejamos vistos com mais importância e apreço aos olhos do mundo.


Não temos, em contrapartida, a coragem suficiente de nos tornarmos fiscais na condução de nossos destinos, de nossa independência e, menos ainda, da nossa honra ultrajada. Em face disso, nossos destinos (ou o que sobrou deles), estão à deriva, fragilizados, barcos sem rumos, sem portos conhecidos e direções confiáveis.

Mesmo passo, a nossa independência, há muito, se foi para a casa da Mãe Joana. Virou uma zona enorme.  Está agora, à mercê de um fulaninho que atende pelo nome de Seu Caralho, sujeito bandido, de mil facetas, rufião inveterado, cáften pilantra e desqualificado. Faz desse povo sofrido e pisoteado, escravos submissos, além de nos aprisionar em baixo de poderosos cabrestos, como se fôssemos uma manada desenfreada de cavalos no pasto.

Se pararmos um instante para coadunarmos os pensamentos, colocarmos em ordem cronológica as imbecilidades mais visíveis que nos aporrinham, chegaremos a conclusão assustadora de que, no fundo, realmente  não passamos de um bando de quadrúpedes comandados por um general fajuto e vigarista a frente  de um exército bem formado, entretanto, às avessas aos nossos verdadeiros ideais.

Aqueles princípios básicos de condutas, que deveriam ser inatacáveis, de igual forma, restaram jogados no brejo das incertezas, não existem mais. Viraram um monte de merda fedorenta. Excremento que os Poderosos de Brasília atiram em nossos rostos, todos os dias, como se não passássemos de uma vara de porcos (além de assumidos quadrúpedes), ajudando a tornar mais elástico e flexível o leque das misérias e penúrias desta nação sem talvez.

O Brasil, senhoras e senhores, não alimenta nenhum tipo conhecido de esperança, como, por exemplo, o de um futuro promissor, próspero e sem nuvens negras embaçando o infinito que nos contempla. Não fortalece, não acorre a nutrir, ou a contribuir para a realidade de uma terra decente, composturada, séria, onde cada ser vivente possa conduzir seu lar, sua família criar seus filhos e viver com respeito e integridade.

A nação inteira, pelas falcatruas aprontadas pelo  governo central, é vista pelos estrangeiros, como uma monumental loteria esportiva onde os jogadores apostam, depositam suas economias e desejos, porém, nunca serão os legítimos ganhadores. Por detrás dessa máquina indesejável, abundam aquelas figuras  maléficas que operam o equipamento na calada da noite, como fantasmas iracundos  entre as coxias. Tanto isso é verdade, até hoje, nenhum Zé Bunda Suja se vangloriou de ter visualizado frente a frente um de seus rostos.

Atentem para um dado interessante. Nós, brasileiros, não entendemos, ou não queremos perceber uma coisa muito simples. Um país só é verdadeiramente soberano se o seu povo for destemido e ordeiro. Não confundam com cordeiro, pelo amor de Deus. Somos sonsos e atopeirados faz anos. O que precisamos deixar nítido e marcante é o seguinte: não existe honra sem dignidade.

No mesmo pavio aceso, não existe nobreza onde impera a fome. Inexiste democracia sem liberdade. Em resumo, a nação não prospera, não progride, sem “aquele ingrediente indispensável”, que a faz se movimentar na enorme roda pujante da vida, que lhe fornece a harmonia ajustada, que lhe dá o toque preciso, o brilho necessário da outorga para uma seara em abundancia, personalizando com as cores multicoloridas de melhores dias. Essa “substância essencial”, senhoras e senhores, se traduz indubitavelmente pela conhecida alcunha de “ZÉ POVINHO”.


Se pararmos um instante para pormos as coisas em pratos limpos, chegaremos a uma triste e dura conclusão. Os preceitos atuais existentes, os códigos, servem unicamente para oprimir os mais fracos e desprotegidos. Via igual, impor as desigualdades sociais, de forma a torna-las mais fortes e coesas. Nossas instituições (tidas como legalizadas) alimentam finalidades especificas, uma delas, evitar que tomemos qualquer medida contraria de insurgência, aos Soberanos e Afortunados, com extensão garantida a seus cúmplices e apaniguados. Dito de outra forma: o “PROTEGER-SE” corporativamente da ralé miúda.

Nessa sujeira toda, que esborra qual amontoados de canos furados, advindos da enorme latrina Brasília, perguntaríamos senhoras e senhores: onde está a dignidade do povo brasileiro?  O que foi feito da sua vergonha e compostura? Os senhores por acaso, saberiam esclarecer?  É fato notório que reclamamos de tudo e de todos, nada nos agrada, tudo nos perturba a paz de espírito. No geral, o que fazemos para desfrutarmos dias melhores? Porra nenhuma, seria a resposta mais coerente.

Levem em conta, numa rápida introspecção, não somos capazes de lutarmos por nossos direitos. Fazemos referência aos mais urgentes, como o direito a vida e a justiça por uma vida melhor. Nada pomos em prática  para mudarmos essa situação. Temos incrustado, no corpo, o mau hábito de vivermos de aparências, enganando a tudo e a todos, principalmente a nós mesmos.

Queremos levar vantagens em tudo, não importa como. Ser honesto, reto, imparcial, andar de cabeça erguida, para a maioria da população é sinal de burrice. Precisamos deixar fluir em nós, o conceito de que o certo é certo, e o errado é errado. Precisamos mais, deixar de lado o sermos dissimulados, egoístas, coniventes. Não temos a devida coragem, a severa determinação para assumirmos nossos verdadeiros conceitos de isso pode ser levado em frente, isso não, jamais.

Desse formidável conjunto, concluímos que falamos muito, nada fazemos para estimularmos o nosso verdadeiro espírito cívico de amor por este país. Estamos todos, pretos e brancos, homens e mulheres, moças e rapazes, acorrentados e amordaçados, vergonhosamente mergulhados da cabeça aos pés, na gigantesca onda da inércia, no mar profundo da incapacidade de gerirmos nossos próprios destinos.

Imperioso se faz senhoras e senhores, diante desses caminhos incertos que nos contemplam, partimos com tudo, em busca de uma decisão única. Tomarmos um banho relaxante de cálidas animosidades, com sabonetes de fartas reanimações, e, sobretudo, termos a intrepidez de exercermos os sagrados deveres de exigirmos das autoridades competentes (e das incompetentes também), nossos laços constitucionais e, o mais importante, cumprirmos rigorosamente com as obrigações para com o Estado, se é que, efetivamente, almejamos transformar, da água para o vinho, do dia para a noite, esta terra sem chão, órfã de pai e mãe, tudo, numa verdadeira e suntuosa terra prometida, sem distinção de credos, cores, e condições sociais.

Das duas, uma, terceira, meus caros. Ou acordamos desse sono letárgico ou fazemos como as avestruzes. Enfiamos nossas cabeças nos buracos que encontrarmos pelas esquinas, nos entregando de corpo e alma aos inimigos, deixado as respectivas bundas desprotegidas aos acasos da sorte, para que os famigerados do Planalto Central (Brasília, Capital do Brasil), continuem metendo suas picas enormes, em nossos rabos adentro.  Ou damos um basta nessa chusma de ladrões, botando para correr os figurões envolvidos no lodaçal da corrupção desenfreada, lutando, com afinco garra e perseverança, com fé em nós mesmos para construirmos um Brasil mais humano em prol de nossos consanguíneos.

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Título, Imagens e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista, São Paulo, 5-1-2017

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Um comentário:

  1. Parabéns destemidas e sábias palavras do qual faço minhas também, apesar que a maioria estão cansados, oprimidos, sem ânimo pra lutar, mas tem aqueles que dão razão e ainda acreditam nesses corruptos safados, mas acredito que ainda à esperança para o Brasil.

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