domingo, 13 de outubro de 2019

[Livros & Leituras] Um Século de Escombros – Pensar o futuro com os valores morais da Direita

De Gabriel Mithá Ribeiro. Edição da Oficina do Livro, setembro de 2019. 300 páginas.

São seis capítulos:


1 – O dilema moral supremo: autorresponsabilidade ou vitimização
2 – Terrorismo moral esquerdista, o novo proprietário dos negros
3 – Destruição moral da colonização, miséria moral do descolonizado
4 – Migrações transfronteiriças e (des)ordem moral do mundo
5 – O assassinato moral e intelectual das salas de aula
6 – Universidades, centros de lavagem cerebral

Gabriel Mithá Ribeiro [foto] nasceu em Lourenço Marques/Maputo, em 1965.


Tem ascendência africana, árabe e indiana e emigrou para Portugal, onde se licenciou em História e concluiu o mestrado e o doutoramento em Estudos Africanos.

É docente e investigador e tem publicado textos científicos, ensaios, ficção e artigos de opinião na imprensa.

Suportado numa teorização que articula vários autores de referência, Gabriel Mithá Ribeiro realizou um extenso trabalho de campo em Moçambique, entre 1997 e 2015, baseado em entrevistas e conversas com pessoas comuns, tornando-se especialista na análise dos impactos dos fenômenos políticos no pensamento quotidiano.

Original, rigoroso, escrito com liberdade e simplicidade, este livro é a sua dissertação pós-doutoral que, no entanto, não resistiria ao crivo de um júri acadêmico.

Gabriel tem toda a razão quando conclui a sua apresentação pessoal, pois que ele, Gabriel, neste seu livro não faz concessões, nem pede licença para se expressar. Soberbo.

Ilustra, de forma brilhante, a doxa atual político-midiática. Quer isto dizer, a aliança, descarada, mas jamais assumida, entre políticos, ‘jornalistas’ e ‘professores universitários’, além de artistas que o povo ignora ou não gosta.

Confira este excerto, logo no comecinho do livro, páginas 22, 23 e 24:

O fenômeno racial espelha a voragem ardente que invade o nosso quotidiano. Basta um inadvertido lapso, como a cor de pele errada deixar escapar a palavra ofensiva preto ou uma empresa criativa propor uma simples peça de roupa interpretada como racialmente ofensiva, para uma turba mística autoproclamada tolerante investir num estranho ritual de imolação de um solitário intolerante ou contra uma instituição que vê o mundo desabar sobre si.

Sem resistências cívicas e sem arrependimentos ou remorsos, os ativistas-progressistas escolhem a dedo as sociedades brancas e nelas apenas um certo tipo de chefes de estado, governantes, juízes, banqueiros, professores, militares, policiais, empresários, membros de igrejas judaico-cristãs, entre outros.

Além de imporem ufanos o desejo primário da morte social dos seus alvos, por norma a sua violência visa os que representam instituições nucleares cuja viabilidade fica comprometida e, com ela, ficam fragilizadas a regulação, estabilidade e prosperidade de sociedades e democracias.

Após o mundo civilizado ter sido apanhado em contrapé com a novidade da guerra de guerrilha iniciada nos tempos do Vietname (1955-75), legado do lado soviético da Guerra Fria que se espalhou pelo mundo para contaminar os quotidianos das populações com a guerra como se esta se tratasse de um qualquer fenômeno social sem necessidade de quartéis ou agentes especializados, a sequela confronta-nos hoje com uma vida social sujeita a uma guerra civll permanente movida por mentes desequilibradas que prolongam o ciclo soviético de regressão civilizacional.

Se a variante em vigor renova nas causas e nos métodos, inova sobretudo porque o marxismo cultural (o que trocou o campesinato e o operariado, a foice e o martelo, pela versão intelectual light bem mais penetrante e resistente) conseguiu que a nova guerrilha mental germinasse no coração do mundo civilizado, na comunicação social, universidades, literaturas, entretenimento, meio artístico, redes sociais, um formato ultrarrefinado da ancestral caça às bruxas.

Como nos sonhos, quando se descobre que o manifesto (as imagens que conservamos ao acordar ou o que elas significam) desocultou o latente (um desejo inconsciente perverso que tentávamos esconder de nós mesmos, mas que escapou ao controle  da consciência coletiva, incluindo da consciência dos mesmos, o desejo de linchar a condição humana.

Os rituais antirracistas não enganam. Descarregam fobias numa pulsão suicida da pertença racial branca, ao mesmo tempo que alimentam fobias que instigam nos outros a fuga ao interior da sua própria alma, fobia transformada na fonte do infortúnio negro, cigano ou islâmico.

Aprisionada em tais crenças demenciais, ainda assim a brigada ativista-progressista, na versão antirracista e congêneres, tem conseguido arrastar consigo sociedades inteiras por manter viva a convicção da sua superioridade moral e intelectual para conduzir os destinos do mundo, a imagem de marca da família de esquerda a que pertencem.

Quase nada em tal família resiste hoje ao confronto com a natureza da condição humana ou com o olhar racional sobre a vida vivida, nem com as transformações das sociedades e do mundo nas décadas recentes.

O que a salva é a poderosa socialização da sua distopia no quotidiano das salas de aula ou através da imprensa, entre outros núcleos do controle do pensamento, o que obriga a quem queira sobreviver com sanidade psíquica a ter de realizar esforços permanentes para se proteger da crença absurda de a sua raça (branca), pertença (ocidental e/ou judaico-cristã) ou condição (burguesa/classe média ou alta) serem as culpadas dos males do mundo, do racismo e demais males da espécie humana, ou da crença não menos absurda, para outros, de a sua raça (negra ou cigana), pertença (não-ocidental e/ou islâmica)  ou condição (desfavorecida ou imigrante) serem as vítimas do mundo.

Não por acaso, só por acaso, eis duas fotos que tirei na Praça da Batalha, no Porto, no passado dia 8 deste mês.



O leitor adivinha quem serão os malvados racistas retratados neste escalafobético festival de cinema??

Lendo o livro a gente percebe claramente as causas do divórcio entre a doxa acima referida e a população. Por isso, os gritos ensandecidos quando alguém, adversário da oligarquia, ousa se candidatar a cargo político (executivo ou parlamentar) e, pior!, ser eleito!! Além da manjada série interminável de insultos e rótulos ao eleito, também seus eleitores são insultados e rotulados como... “deploráveis”, remember?

Curiosa e coincidentemente, nas últimas eleições legislativas em Portugal (6 de outubro) foram eleitos dois representantes de recentíssimos partidos, não de Esquerda: João Cotrim de Figueiredo, do Inciativa Liberal, e André Ventura, do Chega.

Pelo que já vi e li, muito pouco, pois não leio jornais portugueses nem assisto aos telejornais, o senhor André Ventura parece ser portador de um perigoso vírus contagioso. 

Logo logo, o Público, o DN, a SIC, a RTP etc... “denunciarão”:
- O bisavô de André Ventura era monarquista;
- A bisavó de André Ventura viajou num banco do elétrico 28, exatamente o mesmo (banco) que Oliveira Salazar sentou quarenta anos depois;
- André Ventura fez xixi na cama do primo Reinaldo;
- André Ventura, tinha 16 anos, ficou devendo trinta escudos à prima Rosário;
- Etc...

O livro pode ser adquirido nas livrarias portuguesas, aqui ou na Amazon Brasil.
Gabriel dedica o seu livro a Donald Trump, Jair Bolsonaro, Nova Direita Europeia e Povo de Israel.

Sabemos que um exemplar autografado foi encaminhado ao presidente Jair Bolsonaro através da Embaixada do Brasil em Portugal, em Lisboa.

Recomendo!
⭐⭐⭐⭐⭐

O professor é leitor diário do nosso blogue. Obrigado!

Anteriores:

4 comentários:

  1. Eu acredito que não há racismo no mundo humano e animal.
    Há xenofobia, ambos animais e humanos detestam os diferentes.
    Os humanos conquistavam brancos, negros, amarelos, indígenas, aborígenes, muçulmanos etc...
    Assim como os animais disputam territórios ou por mais terras ou por causa de alimentos.
    Falar de racismo é incoerente poi negros caçavam negros na África.
    Dificilmente negros famosos casam com negras.
    A miscigenação trouxe a anemia falciforme para a raça branca, e a fibrose cística dos brancos passaram para outras raças.
    Na realidade a miscigenação é o caminho do genocídio das raças e etnias humanas, criando novas raças e etnias e novas doenças.
    Observem que não sou contra, apenas constatando a verdade.
    fui...


    ResponderExcluir
  2. O livro será apresentado a 6 de novembro, na Livraria Buchholz (Lisboa), às 18h30, pela Doutora Maria Luís Albuquerque.

    ResponderExcluir
  3. Retomada a leitura do calhamaço (893 páginas) de Steven Pinker "Os anjos bons da nossa natureza".

    ResponderExcluir
  4. Se for "esquerdista" odiará e invejará (sentimentos genéticos) este livro (Um Século de Escombros).
    Se não for, compre-o, fa-lo-á perceber o quão acertada é a primeira frase deste breve comentário.
    Boa leitura!

    ResponderExcluir

Não aceitamos comentários "anônimos".

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-