domingo, 28 de junho de 2020

[As danações de Carina] Todos os nossos problemas devem ser encarados sempre como soluções, ainda que elas venham a longo prazo

Carina Bratt

Meu pai (que Deus o tenha), costumava dizer que não adiantava a gente ligar para os problemas, porque eles não usavam e tampouco atendiam as chamadas recebidas. Hoje, apesar e com todos os mecanismos que a evolução da modernidade nos oferece, de bandeja, a frase de meu genitor continua atualizadíssima e sem alterações.

De fato, como vamos ligar para as nossas dificuldades mais prementes (sejam elas das menores às mais cabeludas), se elas não se adaptaram aos aprimoramentos do século em que vivemos? Haja vista, que eles, os problemas, não têm telefone. Por dilatação, não os atende. Pouco lhes importam as nossas questiúnculas.

Eles continuarão não dando a menor importância. Só aperrearemos a nossa cabeça, estragaremos o dia, mancharemos de negro nossos melhores momentos, além de perturbarmos o nosso sossego. Devemos pensar como o escritor inglês Ashleigh Brilliant. Em seu livro The Great car craze, ele deixou cristalinalizado que não possui, nem de longe, a solução plausível seja lá para o que for, “mas certamente admira o problema como ele se apresenta”.

A magia, ou a solução, está exatamente aí. Não devemos deixar os obstáculos de lado. Carecemos encará-los de frente, de peito aberto, e o mais importante: nos apetecermos deles por existirem. A presença destes incômodos, ainda que nefastos, em nosso cotidiano, nos faz, de certa forma mais felizes. Seríamos completamente realizados sem problemas? Talvez sim, talvez não.

Se nosso hoje fosse maravilhoso, a vida seria banal, sem sentido, oca. Não lutaríamos é bem verdade. Porém, minhas amigas leitoras, percebam a visão. Se corrermos atrás, ou melhor, se dispararmos na frente, em busca de soluções, e contemplá-las com carinho, afinco, persistência, perseverança e força de vontade, tudo... Restará resolvido.

A trilha a ser seguida por todas nós é fácil e segura. Os problemas existem. Ponto pacífico! Jamais deixarão de nos perturbar o dormente da placidez, o sereno da negligência, ou o omisso delirante da nossa indolência. Se não somos parte da solução, parodiando o ativista americano Eldridge Cleaver, então “obviamente seremos parte integrante do problema”.

Que isto fique bem entendido: só parte.  Se negligenciarmos nunca desfrutaremos dos benfazejos das benignidades da vida plena. Nossa meta deve ser a seguinte: termos em mente, que os problemas são sozinhos. Eles não constituem famílias. Não obedecem a horas, tempo ou dia. Não se escandalizam com as nossas tristezas, menos ainda com as nossas alegrias e felicidades.

Eles são vazios, não acatam leis, não seguem padrões comportamentais. Pouco se lixam para os códigos de honra. São divorciados do bom senso, como desapartados de tudo o que entendemos como direito, certo e justo. Repetindo para que todas vocês gravem na mente: os problemas são órfãos, vão embora sem ninguém ao lado, porém, não se vilipendiem.

Não se olvidem jamais. Da mesma forma que se afastam de nós, sozinhos, de igual maneira, os problemas retornam de mãos vazias e claro, sozinhos. Como estamos vivendo o inusitado de uma pandemia, os arruinamentos, ao darem meia volta e se fazerem reais e palpáveis, de novo, de certo e de poderem ser vistos a olhos nus, estas mazelas só acrescentaram máscaras aos rostos.

Esses invólucros, atrelados aos nossos vacilos, jamais deverão parecer, para nós, como dificuldades novas ou pedras intransponíveis. Millôr dizia que “não há problema tão grande que não caiba no dia seguinte”. Neste pé, o vindouro deverá ser sempre, haja o que houver, o nosso começo, ou recomeço de um novo tempo. SEMPRE.

Se pararmos para pensarmos em nossos desequilíbrios diários, se colocarmos nossos medos (qualquer problema dará medo), se enumerarmos nossos receios, um por um (qualquer receio igualmente gerará forte indecisão e dura titubeação), na frente de nossos objetivos primordiais, estaremos abrindo a guarda, mandando para o ralo, para um buraco sem volta, as nossas energias, ou o positivismo que Deus reservou em nossas vidas.

A cada nova hora de um dia que nos galardoa, que nos premia, que nos gratifica, que nos reverencia, e logicamente, por conta disso tudo, vem nos cumprimentar por estarmos vivas, respirando, e podendo gozar, em toda a sua plenitude, das coisas maravilhosas  que o Universo nos oferece gratuitamente, devemos levantar as mãos ao Infinito e nos curvarmos ao Altíssimo e seguirmos em frente.  

Se não dermos valor ao que temos, ao que recebemos de graça, sem precisarmos pagar alguma coisa em troca,  a frase daquele industrial fundador da Ford (Henry), foi pensada e repassada à toda humanidade em vão: “A maioria das pessoas gasta mais tempo e energia ao falar dos problemas do que enfrentá-los”. 

Em outro modo de vermos as coisas ruins, todos os problemas que nos atormentam, criam, em contrapartida, uma capacidade diferenciada, disforme, gigantesca, anormal e irregular.  Para que possamos ou consigamos lidar com esses entraves, temos que nos atirar a esses percalços e flagelos, sem perdermos a esportiva, a serenidade, e acima de tudo, a FÉ. 

Título e Texto: Carina Bratt, de Vila Velha, no Espírito Santo. 28-6-2020

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3 comentários:

  1. Excelente texto. Parabéns, está me surpreendendo.
    Aparecido Raimundo de Souza, de Vila Velha, no Espírito Santo.

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  2. Tenho um familiar que, volta e meia, me diz que esta “cheio de problemas”.
    Ao que eu respondo; - Impossível.
    Sobre problemas, eu tenho uma tese, ninguém tem mais do que um de cada vez!
    Só existem três tipos de problemas; Financeiro, afetivo ou de saúde.
    E estes, nunca nos afligem, mais do que um de cada vez ,e pela ordem de prioridade, ou seja, saúde, financeiro e afetivo!
    Impossivel, estar cheio de problemas, se soubermos ordena-los por importância no dia a dia.
    Todo o resto do que nos queixamos são derivações menores, dos mesmos!
    O grande problema do momento é saúde. ´pois não sabemos se sobreviveremos ao coronavirus.
    Os problemas financeiros é hora de nossos credores começarem a perder o sono!
    Os problemas afetivos aprendi a lidar e superar.
    PROBLEMS, ONE AT TIME .PLEASE!

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    Respostas
    1. Vou ter que concordar.
      Problemas são:
      - Questões de difíceis resoluções
      - Distúrbios ou disfunções
      - Situações adversas
      Problema na filosofia é uma situação de possibilidade alternativa.
      Nunca deve ser confundido com a dúvida.
      Se vamos ou não pegar o corona vírus não é o problema que nos aflige é a dúvida, por isso nos cuidamos dedicadamente.

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