sexta-feira, 12 de junho de 2020

E o vento levou… a sensatez e a coragem do mundo!

Rodrigo Constantino

O filme "E o Vento Levou" foi retirado da plataforma de streaming HBO Max na terça-feira (9), no momento em que grandes protestos contra o racismo e a brutalidade policial levam os canais de televisão revisar o conteúdo oferecido.

O longa-metragem de 1939 sobre a Guerra Civil americana, que venceu oito estatuetas do Oscar, incluindo melhor filme, continua sendo uma das maiores bilheterias de todos os tempos (quando são calculados os ajustes pela inflação), mas sua representação de escravos conformados e heroicos proprietários de escravos é alvo de críticas.


'E o Vento Levou' é um produto de seu tempo e contém alguns dos preconceitos étnicos e raciais que, infelizmente, têm sido comuns na sociedade americana", afirmou um porta-voz da HBO Max em um comunicado enviado à AFP.

"Estas representações racistas estavam erradas na época e estão erradas hoje, e sentimos que manter este título disponível sem uma explicação e uma denúncia dessas representações seria irresponsável", completou.

Sim, a primeira constatação é a de que o mundo está muito chato, insuportável até, eu diria. Trata-se de uma geração mimizenta, afetada, sensível demais, que enxerga ofensa e microagressão por todo lado, e pretende reescrever a história para limpar os "erros do passado".

Mas essa constatação é imperfeita, ou melhor, incompleta. Sim, tudo isso é verdade. Uma garotada que "apanhou de pantufa" e usou Mertholate que não arde ficou fresca demais, covarde ao extremo, incapaz de conviver com ambiguidades e contextualizar o passado.

O rapazinho se sente melhor do que Thomas Jefferson, pois o "pai fundador" da América tinha escravos. Ele não precisa fazer mais nada da vida, pode matar aula e realizar protestos, expiar a "culpa" que atormenta essa elite, e assim posar de alma nobre.

Sérgio Camargo, da Fundação Palmares, desabafou nas redes sociais:

Mas não é só isso. Não é "apenas" algo idiota, sem maiores efeitos. É todo um fenômeno complexo, que passa pela política identitária, o refúgio da esquerda socialista e a forma encontrada pelos radicais de subverter a ordem no mundo ocidental.

Quando J.K. Rowling, autora de Harry Potter, é "cancelada" pela patota LGBT por comentários banais sobre menstruação, isso demonstra como a maluquice foi longe demais. E o problema é que há método na "loucura". Tem gente que sabe muito bem o que está fazendo ao disseminar esse ódio revestido de altruísmo.

Por coincidência, esse foi o tema da minha "live" com meus patronos ontem, e eles gentilmente me autorizaram a divulgar o vídeo, pois tem importante fator pedagógico. É crucial compreendermos melhor o mundo moderno, sem levar na brincadeira o que se passa, ou sem simplesmente atestar sua chatice tremenda. Eis a palestra, um tanto longa, mas que destrincha o fenômeno:



Título e Texto: Rodrigo Constantino, Gazeta do Povo, 10-6-2020, 10h42

NdE: Entre o elenco de E Tudo o Vento Levou contava-se Hattie McDaniel, que se tornou na primeira atriz afro-americana a vencer um Óscar - neste caso, o de Melhor Atriz Secundária pelo papel da escrava Mammy - que seria entregue a 29 de fevereiro de 1940. Na época, Hattie foi a primeira mulher negra a ser convidada para a cerimónia, mas, por causa das leis da segregação racial, não pôde sentar-se juntamente com o restante elenco. Durante a sua carreira, desempenhou maioritariamente papéis de empregada e foi criticada pelos seus pares por os aceitar.

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