quarta-feira, 3 de junho de 2020

Mandetta ignorou parecer de entidade médica a favor da cloroquina

Documento encaminhado pela Sociedade Brasileira de Cancerologia ao Ministério da Saúde recomendava uso do medicamento em caráter excepcional

Wilson Lima

Quando esteve à frente do Ministério da Saúde, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta [foto] ignorou uma manifestação da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), uma das mais respeitadas entidades médicas do país, com mais de 70 anos de atuação, em favor da utilização precoce da cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes com os primeiros sintomas de covid-19 no país.

Foto: Marcos Corrêa/PR
Oeste obteve com exclusividade o documento. Ele foi incluído em investigações do Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul (MPF-RS) relacionadas ao tratamento de pacientes da covid-19. A manifestação da SBC foi encaminhada ao então ministro em 13 de abril; Mandetta deixou o ministério três dias depois. Em suma, sua saída ocorreu após ele resistir a adotar os dois medicamentos como protocolo de atendimento para a covid-19. Enquanto esteve à frente do Ministério da Saúde, Mandetta recomendou o uso da cloroquina apenas para pacientes em estado grave. Nesse meio-tempo, ele alegava que adotaria o medicamento como protocolo após a existência de evidências médicas robustas sobre a droga.

Em sua manifestação, a Sociedade Brasileira de Cancerologia defendeu a ideia de que o medicamento deveria ser ministrado em caráter emergencial em virtude da então “situação crítica de pandemia COVID 19, da ausência de vacina e de tratamentos disponíveis efetivamente satisfatórios”. […] “O protocolo de tratamento monitorado da CQ/HCQ E AZITROMICINA é abrangente, eficaz, de baixo custo com potencial de grande disponibilidade no mercado e com baixa incidência de efeitos adversos”, defendia na época a Sociedade Brasileira de Cancerologia.

Mandetta ignorou documento

O documento é assinado pelo presidente da entidade, Ricardo César Pinto Antunes. Para Antunes, existiam protocolos favoráveis à adoção do medicamento até então. “O protocolo terapêutico precoce está alinhado às melhores evidências científicas (ENSAIOS CLÍNICOS) que se disponibilizam nesse momento emergencial da crise epidemiológica, na manutenção da saúde dos cidadãos brasileiros e na manutenção do equilíbrio dos sistemas de saúde públicos e privados”, defendeu a entidade.

A polêmica relacionada à administração precoce da cloroquina foi responsável pela exoneração de dois ministros: Mandetta e Nelson Teich. Nesse meio-tempo, os dois resistiram à adoção da medicação. Depois da saída de ambos, o Ministério da Saúde adotou, em maio, uma nova orientação, autorizando a administração da cloroquina a pacientes que manifestem os primeiros sintomas da covid-19.

Confira a íntegra do documento


Título e Texto: Wilson Lima, revista Oeste, 3-6-2020, 9h

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