sábado, 27 de setembro de 2014

Quem deve ser politicamente correto?

Jonathas Filho
Certa vez senti-me censurado por não ter agido politicamente correto em não aceitar as atitudes arrogantes e prepotentes de um colega, o qual não citarei o nome, pelo absurdo dele se considerar meu “superior” na empresa na qual nós trabalhávamos, em iguais condições. 

Dizia ele ser mais antigo e que isso lhe dava autoridade, portanto, tinha o “direito” de me dar ordens. Eu retruquei que ele não era mais antigo, pois a meu ver ele só tinha um ano de empresa e que os outros cinco anos anteriores que ele afirmava ter, ele repetiu vergonhosamente sem agregar à carreira profissional dele qualquer melhora qualificativa, sem um upgrade, com zero de conhecimento somado a nenhuma experiência e a qual foi adicionada, nada de respeito e humildade, pelas suas atitudes já criticadas por todos que o conheciam.

Enfurecido, não imaginando que aquela seria a minha resposta, foi queixar-se a um outro colega que estava a poucos metros nos observando. O colega, fazendo o tipo “ Xerife John Wayne” lhe disse em tom afável mas revestido de energia: “Calma, o chefe aqui sou eu e você, por favor, não me crie problemas com os seus colegas”.
                                 
Durante o brieffing, o Chefe comentou que às vezes, um colega se julga o mais apto a transformar o demorado e pesado serviço em suave e rápido... mesmo sem autoridade para determinar tal modificação; quando o que se deve executar são as normas e sequências conforme estabelecidas, mas que ainda assim deveríamos ser politicamente corretos para não ferir suscetibilidades. Talvez o melhor a ser dito nesses momentos seja: “Com certeza é melhor consultar o Chefe!”

Nos dias de hoje, já com o peso da experiência a curvar-me aos joelhos, pergunto aos meus botões o porquê de ter de ser e de falar de forma mais branda. Será que as respostas brandas desviam o furor enquanto as palavras mais duras suscitarão a ira? Deve-se falar usando dos sofismas, usando de “maquiagens” e outros argumentos para disfarce e dissimulação, dizendo a mentira com sabor de verdade?

Devemos então chamar a incompetência de “distração momentânea”, os atos de corrupção de “mal-feitos”, os roubos de desvios temporais, a apropriação indébita de “erro contábil”, a malversação de recursos de “cálculos não previstos”, os impostos escorchantes de “contribuições”, os serviços públicos ineficientes de “sistema que carece de investimentos”.

Enfim, elegemos o eufemismo como a melhor figura de linguagem da língua portuguesa, principalmente quando não queremos ser diretos, objetivos e francos. Vocábulos que poderiam causar muito “desconforto” ao serem substituídos por outros eufemisticamente, somente com a finalidade de suavizar uma expressão, perdem o sentido e a intensidade.

A nossa atual realidade está “recheada” disso e, deliberadamente, usam essa forma denominada de “politicamente correta” para reduzir o impacto e as consequências danosas, mitigando certas palavras. Culturalmente, vejo que à medida que beiramos a ficção e não vivemos de fato a nossa realidade, passamos a ser hipócritas e cúmplices por não gritar a nossa insatisfação e revolta, deixando de colocar os devidos freios e controles naqueles que tem “tendências” à burla, à transgressão e à ilicitude. Para eles tem de ser a letra fria da Lei...

DURA LEX SED LEX!

É absurdo ver pessoas que sequer parecem verdadeiras ou que nem mesmo aparentam serem qualificadas, aparecerem nas telas e/ou cartazes, invadindo e poluindo a nossa visão e audição solicitando votos, “desfilando” e “destilando” uma série de mentiras com habilidosa desfaçatez, para depois... se eleitos, locupletarem-se por mais quatro longos anos. É preciso usar a verdade e expor publicamente os culpados e seus atos ilícitos cometidos, pois assim de fato, o conceito de ficha limpa se torna coerente.

Na minha opinião, politicamente corretos têm de ser obrigatoriamente... todos os políticos, envolvendo e permeando com essa atitude, todos os atos deles na vida pública. 
Título e Texto: Jonathas Filho, 27-9-2014

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