domingo, 28 de setembro de 2014

Democracia frágil: leis sem sentido e falência das instituições...

Valdemar Habitzreuter
Desde 1889, com a proclamação da República, o Brasil ainda não conseguiu se firmar como uma democracia forte. É difícil estabelecer a causa desse infortúnio, se é a índole do povo com o conformismo do status quo da desordem e bagunça, ou se é a sociedade, como um todo, que não consegue produzir lideranças à altura para promover e concretizar, de uma vez por todas, a democracia no sentido próprio e forte da palavra.

Ao longo da História Republicana brasileira tateou-se entre tentativasde instaurar um regime democrático e experiências de regimes totalitários. Tanto os frágeis períodos democráticos como os períodos de ditaduras foram marcos de desmandos políticos que impediram a que o povo vivesse numa sociedade justa, segura e igualitária.

No dia 5 de outubro, mais uma vez, vamos às urnas para eleger o mandatário-mor da República. Você, caro leitor, consegue identificar alguma liderança forte entre os vários candidatos e possa dizer que vamos entrar numa fase verdadeiramente democrática? Você consegue vislumbrar alguém com forte propensão para defender aquela democracia que respeita as leis e fortalece as instituições sociais? Eu,infelizmente, não vi nenhum candidato com este propósito firme. Seus programas de governo inconsistentes – a maioria ainda não os tem publicados e firmados com convicção – me inspiram ceticismo e desânimo quanto a dias melhores. Continuaremos, pois, na mesmice de sempre, seja quem for o próximo presidente.

O petismo, há 12 anos no poder, demonstrou a que veio: desestruturar de vez os ideais democráticos ao perseguir um regime semi castrista, chavista, querendo com ele estabelecer uma sonhado e ilusório socialismo tupiniquim, com o anúncio da erradicação da pobreza, às custas de pesados impostos ao capital, sem dar a este os incentivos necessários para se sustentar como a força econômica de crescimento do país. A Dilma, nestes 4 anos de governo, desestruturou nossa economia.

O exemplo mais concreto, dentre muitos, é a Petrobras que foi alvo de má gestão e corrupção a ponto de agonizar em estado de quase morte. O Brasil, no dizer de especialistas, amargura uma triste realidade econômica. O crescimento deste ano é quase zero. Se o petismo continuar por mais quatro anos no poder as consequências podem ser funestas.

Dilma, Marina e Aécio, todos os três, têm seus slogans hipócritas: “no meu governo vai acontecer isto e aquilo de bom”; “no meu governo a violência será veementemente combatida”; no meu governo a saúde terá prioridade”; no meu governo mais escolas públicas serão construídas e professores melhor remunerados”; no meu governo...” Só não sabem como fazer tudo isto. Soltam palavras ao vento. Eles não têm propostas firmes e convincentes.

Todos querem o poder pelo poder. Uma vez lá em cima viram pequenos ditadorzinhos e deixam no esquecimento os anseios do povo que clama por melhorias sociais, mesmo os mais básicos por uma vida mais pacífica e segura. Você se convenceu de alguma proposta deles sobre erradicação da violência que impera em nossos grandes centros urbanos e já se alastrando para o interior? Apenas blá-blá-blá. Você se acostumou em ver em nossos hospitais públicos, através da mídia, os doentes serem tratados como lixo nos corredores, e, por acaso, você se convenceu das propostas para melhorar a saúde pública? Em que situação se encontra o ensino fundamental, o alicerce da boa educação e progresso de uma nação? Relegado ao abandono e sem incentivo aos professores. E assim poderia enumerar uma extensa lista de descalabros sociais sem solução. Faltam política e políticos competentes.

E para não deixar em branco o problema dos aposentados que cada vez mais são aviltados com seus parcos e defasados proventos, você se convenceu das propostas dos candidatos em solucionar a questão do fator previdenciário? É claro que os velhinhos e velhinhas aposentados deste Brasil continuarão a amargurar uma velhice sem satisfação e condenados a uma morte prematura.

Você que é do Aerus, caro aeroviário, e que contribuiu por muitos anos a uma aposentadoria complementar não sentiu, desde 2006, a mão injusta do governo, levantada para dar o golpe fatídico de morte às esperanças de uma vida digna como aposentado?

Pois é, meus caros, somos milhões de aposentados votantes neste Brasil, mas em quem votar para termos a garantia de nossos direitos? A única esperança, talvez, seja que o petismo encerre seu ciclo de governo desastrado e o outro candidato que assumir o comando venha a se conscientizar de que o povo não é um reles joguete político, mas um organismo vivo que almeja dias melhores e, portanto, quer um governo forte e honesto a protegê-lo.
Que Deus salve o Brasil... 
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 28-9-2014

3 comentários:

  1. Habitz, sempre foi difícil e você o bem sabe.
    Neste momento o país atravessa uma crise institucional e por incrível que pareça os os cidadãos ou não sabem disso ou fingem que sabem para não perder as benesses assistencialistas.
    Olha, está difícil saber em quem votar. Eu sinceramente espero que aconteça um milagre do tipo um meteoro, sei lá caia em cima de alguém do pt e não haja eleição, porque essa brincadeira não pode continuar
    É completamente irracional o que está acontecendo neste país e quem deveria, não faz absolutamente nada.
    É muito triste e prepare-se para o pior.
    José Manuel

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  2. Jonathas Filho
    Meu caro Habitzreuter, república quer dizer rés pública que "repousa" no conceito de coisa pública mas, que na realidade não é. A república pertence aos cargos e quanto mais graduados, mais poder. A falta de lideranças que de fato, atendam aos anseios do povo vem desde 1500 portanto, ainda há muito o que ser derrubado e nesse caso deveria começar pela extinção do analfabetismo e da falta de compreensão dos nossos iletrados irmãos. Quem não tem educação que faça interpretar as atitudes vindas do poder, não se esclarece e continuará acreditando em belas palavras das quais não sabe o significado isolado nem tampouco, contextualizado. Essa guerra pela educação teria de ser começada ontem, porque comprovadamente aqueles povos que evoluíram não foram abençoados mas sim "bem suados" com o trabalho e a perseveração de levar conhecimento e entendimento aos seus irmãos. Sem EDUCAÇÃO não se constrói uma NAÇÃO !!! Excelente seu texto, parabéns. Jonathas Filho

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  3. Falando em democracia , transparece o que de menos há na pátria brasileira nos dias atuais .
    A alegria dos políticos é saber que a ignorância do povo continua em alta não por culpa destes, mas por conta de um sistema em decadência há um bom tempo. Quem tem fome não tem condições de raciocínio e , por conta disso, não tem a capacidade de discernir . Estomago vazio tira qualquer chance de aprendizado . O meio em que se vive contribui para que o conjunto pense uníssono . Quem tem fome , a preocupação é de onde virá a próxima refeição .
    Pensamento gera sentimento, que gera comportamento e que gera ação . A cultura de um povo é construída desde os primórdios ; cada nação tem a sua própria identidade.
    Nem sempre onde há pobreza habita a corrupção , mas esta se vale do meio humilde em que se vive, a fim de oferecer vantagens que jamais serão efetivadas. Quanto menos instruído for um povo, mais fácil o arco pode ser curvado.
    Nas próximas eleições , quem é o melhor?

    Dr. Ladroaldo Pecolatto da Concussão , Senador Stélio Natário ou o deputado Herário Furtado da Câmara ?

    Cada povo tem o governo que merece , mas lá vem o dia que o Universo decide transformar. A natureza não agride , se vinga.

    Sidnei Oliveira
    Assistido Aerus - Filiado à Aprus
    Rio de janeiro - RJ

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