quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Mas... 72% não queriam mudanças nessa eleição para presidente?

Cesar Maia                   
1. As pesquisas de opinião nos últimos meses repetiram uma pergunta e obtiveram respostas semelhantes. Queriam saber do eleitor se nesta eleição para presidente queriam mudanças ou manter a situação governamental atual. Em todos os casos a resposta é que queriam mudanças. Numa média de várias pesquisas divulgadas pelos principais institutos, 72% queriam mudanças.
                   
2. Por outro lado, a avaliação do governo Dilma vinha caindo – pesquisa a pesquisa – até aproximar o Bom+Ótimo do Ruim+Péssimo. Ao lado disso tudo, a economia naufragava, até atingir o patamar atual de crescimento de 0,5% em 2014, menor que o crescimento da população. Quando o governo se sentiu aliviado com a culminação das prisões pelo mensalão, surge a delação premiada de um ex-diretor da Petrobrás, com fatos e números escabrosos.
                   
3. Mas no último Ibope publicado nesta semana, Dilma ampliou a sua vantagem, alcançando 38% de intenções de voto. Será que algumas dessas afirmativas de especialistas caem por terra? Dilma lidera apesar de 72% quererem mudanças, Dilma lidera apesar de sua avaliação ser sofrível. Dilma lidera apesar de a economia naufragar contrariando a máxima –"É a economia, estúpido!"
                   
4. É claro que a eleição não terminou, mas hoje os analistas não fazem mais os mesmos prognósticos, com as mesmas intensidade e certeza de antes. É provável que na primeira fase (com Eduardo Campos), os candidatos de oposição não vestiram suficientemente a roupa da mudança com afirmações claras. Na segunda, com a entrada da Marina, o foco mudou, na medida em que Aécio precisa derrubar Marina para ir ao segundo turno e Dilma precisa derrubar Marina para entrar no segundo turno com vantagem confortável. As mudanças não acompanharam a comunicação de campanha em dose suficiente.

5. A avaliação declinante de Dilma levou até estudiosos construírem uma equação de fronteira abaixo dos 35% como derrota certa. Este Ex-Blog chamou a atenção na época que a própria campanha com tempo de TV generoso tem reconstruído os governos, ou criado governos virtuais. E deu vários exemplos. Dilma é mais um. No início da campanha igualava o Ótimo+Bom com Ruim+péssimo. Agora tem 39% contra 28%. Açodamento dos estudiosos.
                   
6. Finalmente a famosa afirmação “É a Economia, Estúpido”, de James Carville, da primeira eleição de Clinton, naufraga? Na verdade, a economia para fins eleitorais não se traduz em siglas, ou questões fiscais, ou cambiais ou financeiras. Certamente estas terão repercussões para o eleitor no próximo governo. Mas neste, a “economia” que importa é a economia do bolso, em curto prazo, ou seja, emprego e renda. E estas, à custa de malabarismo proto-keynesianos se mantêm, transferindo a conta para 2015.
                   
7. Mas as três afirmações são válidas? Sim, mas analisadas na dinâmica da própria campanha, e não como regras e equações rígidas, como se a opinião pública fosse definida ex-ante, pré-definida pelos estudos publicados. E se pudesse aplicar técnicas econométricas para projetar resultados eleitorais. Isso seria igualar países e eleitores e épocas e situações e candidatos/equipes, muito diferentes, como se fossem elementos constantes. 
Título e Texto: Cesar Maia, 25-9-2014

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