segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Terra de Marlboro

José Manuel

"Os brasileiros têm algo de paradoxal. Eles não têm dúvida de que os políticos e os partidos são corruptos e, ao mesmo tempo, querem lhes dar mais poder para influenciar a vida de todos os cidadãos.”
João Pereira Coutinho, em entrevista à VEJA, edição de 1º de outubro de 2014

Até algum tempo atrás, a  "Terra de Marlboro" era apenas fruto da imaginação. Apenas a ficção e diretores como John Ford ou Fred Zinemann conseguiam retratá-las nos filmes de western.
Entretanto, a passividade e a docilidade dos cidadãos, associadas à falta de compromisso da classe política fez com que o Estado brasileiro, com raríssimas exceções tenha passado a ser a verdadeira, "Terra de Marlboro".
Na nossa muito peculiar  "Terra", os aposentados são tratados da forma que estão sendo, quando os seus salários compram cada vez menos, os reajustes (5%) são menores em detrimento de bolsas assistencialistas que consomem maior percentual (10%), sem nenhuma explicação plausível a todos os seus anos de trabalho.

Na "Terra de Marlboro", a corrupção consegue se infiltrar nos fundos de pensão públicos, devastando-os.
Nos fundos de pensão privados como o  AERUS, por exemplo, a falta de fiscalização técnica, profissional e ética, levou à ruína as famílias de 1.050 participantes aposentados que já morreram ao longo de quase nove anos.

Em  nossa "Terra" os aposentados desse fundo com idade já avançada e  que sobreviveram a esse holocausto vivem a duras penas após terem sido considerados vencedores em instâncias máximas de justiça já por três vezes, mas o lema lá, é e sempre foi "ganha mas não leva".

Na  "Terra de Marlboro", por exemplo, um micro empresário que deve um pequeno empréstimo por sistemas econômicos perniciosos a ele imputados e está tentando escalonar a sua dívida com um banco, é colocado  sumariamente em cadastro de pessoas inadimplentes, enquanto a dívida em impostos atrasados, do próprio banco segundo pesquisa google que qualquer um pode acessar, com a Receita Federal é nada mais, nada menos, do que R$ 18,7 bilhões.

O micro empresário não tem dívidas com a Receita Federal, mas é inadimplente segundo o referido banco. O mesmo banco não se considera inadimplente, pois está acima do bem e do mal. Coisas típicas da  "Terra".
Na "Terra", a maior acionista desse banco, faz campanha junto com a candidata da esquerda a presidente, com o intuito de, pura e simplesmente, caso ela ganhe, abortar essa dívida, e todo o mundo sabe disso.
O micro empresário certamente não pode e não quer fazer algo semelhante.

Na "Terra de Marlboro", coisas clássicas em economia acontecem ao contrário, como por exemplo o PIB caiu segundo os últimos boletins para 0,7%, a inflação quase atinge o teto da meta para 2014, as ações da Petrobras desabam 10%, o dólar não demora a atingir os R$ 2,50 e a ainda presidente não conseguiu executar declaradamente 43% do que prometeu em 2010.

Só na "Terra", esses índices  são continuamente acompanhados por  rombos nas contas externas como, por exemplo, o atual, nos gastos no exterior pelos brasileiros no valor de US$ 80 milhões de dólares.
E haja economia que consiga explicar tamanha irresponsabilidade para com uma nação.

Não há a menor dúvida neste momento, e as pesquisas o dizem claramente, de que os cidadãos dessa terra, como diz o comentário título, querem continuar a pertencer a uma terra sem lei, e a usufruir aquilo que não lhes pertence, preferencialmente trabalhado com os suores dos outros.
Título e Texto: José Manuel, ex- tripulante  Varig, 29-9-2014

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Coutinho chama a atenção para a esquizofrenia do povo brasileiro ao considerar a classe política em geral corrupta, enquanto defende mais estado como solução para todos os problemas, como se o estado fosse administrado por seres celestiais, e não pelos próprios políticos. Sobre nossa “presidenta” e o autoritarismo em geral, coloca o dedo na ferida ao constatar ser um caso de narcisismo infantil:



Um comentário:

  1. Muito bom, teu texto, José. Eu li a reportagem de Coutinho na Veja. Esta dama petista não tem qualificação para estar à frente da nação. Estas barbaridades na Terra do Malboro, como bem retratas, é fruto da inexperiência dessa mãe-babá.

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