segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Pesquisas: série e oscilações.O que vem por aí na eleição presidencial

Cesar Maia           
1. Curiosamente, a divulgação das pesquisas, sempre que compara a situação dos candidatos, aplica a margem de erro e diz – por exemplo – que “há um empate técnico”. Mas quando há oscilações de um mesmo candidato, a divulgação apressa-se em dizer que tal candidato/a caiu ou subiu. Até que os Institutos de Pesquisa dão informações corretas ao apresentar gráficos de intenção de voto por um período de várias pesquisas desenhando as curvas.
           
2. Sempre que as pesquisas ocorrem em intervalos curtos, digamos de até um mês, mais importante que analisar o que houve com a última pesquisa é olhar a curva, ou melhor, a série. Especialmente na reta final das eleições em que as pesquisas dos mais destacados Institutos são semanais.
           
3. A série permite corrigir naturais desvios da última pesquisa. Quando se entra nos cruzamentos (região, renda, instrução, idade...) – onde a margem de erro é bem maior, por cortar uma pesquisa de 2 mil entrevistas em, digamos, 400 por corte –, é fundamental analisar a série. O ideal seria os Institutos disponibilizarem em seus sites – na reta final da eleição – as séries por tipo de cruzamento.
           
4. E – obrigatoriamente – pelo cruzamento mais importante na reta final das campanhas: o voto por região e por estado. Sabe-se que a formação de opinião pública se dá por proximidade entre as pessoas. Por mais importantes que sejam os programas na TV e a cobertura da campanha pela mídia e pelas redes sociais, a informação difundida é captada pelas pessoas que conversam a respeito com outras pessoas. E assim formam-se fluxos de opinião.
           
5. As séries permitem perceber esses fluxos no início e antecipar tendências. E permite separar opinião pública em amadurecimento de opinião pública impactada por fatos. Esses momentos de impacto podem ser pontos fora da curva e exigem prudência para ver se sedimentam ou se volatilizam.

6. Nesse sentido – e rigorosamente – a intenção de voto da presidente Dilma se encontra (na série de dois meses) estabilizada em 35%, para se usar um número redondo. Não seria difícil prever que o momento da morte do governador Eduardo Campos produziu um forte impacto de opinião e um ponto fora da curva para Marina. Em que nível esse ponto irá sedimentar, há que acompanhar a série até o início da última semana da eleição.
           
7. Aécio trocou com Marina 7 pontos, vindo para o patamar dos 15%. Com isso, sua campanha passou a apontar para a recuperação do que perdeu. Uma oscilação que deve ser acompanhada em série. Se Marina tem 30% e Aécio 17%, por exemplo, como diz o Datafolha, se ele recuperar tudo que trocou com Marina, ou uns 5 pontos, ele iria para 22% e Marina cairia para 25% ou, como diz a imprensa, um empate técnico, que poderia ser tirado nas urnas pelas máquinas locais do PSDB na boca da urna.
           
8. Mas será assim? Sedimenta ou volatiliza? A série terá que ser acompanhada nas próximas duas pesquisas dos Institutos que a imprensa divulga. E – muito especialmente – a série dos cruzamentos, com ênfase na intenção de voto por região e na série de pesquisas estaduais que os mesmos Institutos divulgam. 
Título e Texto: Cesar Maia, 22-9-2014

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