Prefeito afirma que há “enorme abuso” nos preços
cobrados por comerciantes neste verão e determina que secretarias estudem a
possibilidade de regulação
Gabriella Lourenço
A imagem clássica de curtir um dia de sol na orla do Rio está ficando cada vez mais distante — pelo menos para o bolso. Em pleno verão, relaxar na praia virou um programa caro, tanto para turistas quanto para cariocas. Segundo levantamento do jornal O Globo, o aluguel diário de uma espreguiçadeira já chega a R$ 100, enquanto, em áreas mais disputadas da Zona Sul, um sofá pode custar até R$ 850 por dia.
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| Praia do Flamengo, foto: Phillipe Lima |
Diante da avalanche de
reclamações sobre valores considerados abusivos, o prefeito Eduardo
Paes (PSD) afirmou, em publicação nas redes sociais neste sábado (10),
que a prefeitura estuda a possibilidade de tabelar os preços cobrados por
comerciantes nas praias cariocas.
De acordo com Paes, todas as
atividades econômicas realizadas na orla funcionam por meio de permissão ou
concessão municipal, o que abre espaço para algum nível de regulação.
“Temos visto um enorme
abuso nos preços exorbitantes praticados por alguns desses comerciantes neste
verão”, escreveu o prefeito. Ele informou ainda que determinou que as
secretarias de Ordem Pública e de Defesa do Consumidor iniciem estudos para
avaliar a viabilidade do tabelamento.
A discussão ganhou ainda mais força após Paes compartilhar uma imagem enviada pelo vereador Flávio Valle (PSD) mostrando o modelo adotado nas praias de Tel Aviv, em Israel, onde os preços de serviços semelhantes são regulados. Para o prefeito, a comparação faz sentido, já que outros serviços sob concessão municipal, como os táxis, também operam com tarifas definidas pelo poder público.
“Em geral, prefiro deixar o livre mercado funcionar, mas diante do que temos visto, alguma ação terá que ser tomada”, declarou Paes.
Reclamações pipocam nas
redes
Nos comentários da publicação,
cariocas relataram situações que viraram rotina nas praias do Rio. “Me
cobrar R$ 9 numa água é esculacho demais!”, escreveu uma usuária. Outro
internauta desabafou: “Os preços mudam conforme a quantidade de gente na
praia. Toda vez é a mesma história com o barraqueiro. Se está difícil para o
carioca, imagina para o turista”.
Também houve queixas sobre
outros custos associados ao lazer na orla. “Tem que fiscalizar os
flanelinhas também. Está inviável estacionar perto da praia”, comentou
um morador. Para muitos, o sentimento é de frustração: “Antigamente, ir à
praia no Rio era um programa maravilhoso. Hoje, virou um aborrecimento”.
Título e Texto: Gabriella
Lourenço, Diário do Rio, 10-1-2026
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