segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Revistas brasileiras

Sábado, 5 de dezembro, comprei na banca junto à Padaria da Barra, as três “maiores” revistas semanais brasileiras. Faltou a petista “Carta Capital”, que a banca não tinha. Não perguntei por quê. 


Alguém muito próximo reprovou essa compra, questionando o meu “masoquismo”. Respondi que queria ter a certeza. E agora tenho. Eu as peguei nas mãos, li tudo, de cabo a rabo. 

A IstoÉ não é uma revista, no sentido jornalístico, é uma 'revista' de qualquer Partido da Causa Operária (que me desculpe a Causa Operária). Se este odeia o capitalismo, aquela odeia Jair Bolsonaro. (Vide capas anteriores desta revista)

Classificação: REPULSIVA. 

A Época é do império Globo, tem um tal de Gilberto Amado como diretor, editor, testa (de ferro ou de laranja), cujos editoriais pretendem convencer o leitor (sim! tem leitores e ‘compradores’) a odiar Jair Bolsonaro.

Classificação: INTRAGÁVEL 

A VEJA existe desde 1968. Fui assinante. Também fui assinante da CartaCapital!

Consegui ler sem me causar comichão. Não voltaria a assinar. Aliás, penei para cancelar a assinatura digital. Mas voltarei a folheá-la no próximo ano.

Classificação: TRAGÁVEL

Um incansável soldado da liberdade

Walter Williams parte e deixa um legado precioso: a firme defesa dos pilares da civilização ocidental 

Ana Paula Henkel 

Logo depois de ter tido a honra de ser convidada para fazer parte da Revista Oeste, assim que iniciamos o projeto, solicitou-se aos colunistas que enviassem um vídeo curto com algumas palavras acerca do que pensamos sobre a civilização ocidental, “o oeste”. Em meu vídeo, disse o que acredito ser um dos pilares mais sólidos do Ocidente: a defesa inviolável da liberdade. 

Acredito que apenas assim, enaltecendo, protegendo e reafirmando o valor da liberdade, elemento ímpar de sustentação de nações prósperas, podemos ter uma imprensa livre, um solo rico para boas ideias e crescimento socioeconômico. Como boa esportista, tenho meus coaches e mestres nesse caminho do aprendizado, do entendimento e da realidade. Um deles é Walter Edward Williams [foto]. Aos 84 anos, Williams nos deixou nesta semana. 

Não perdemos apenas um dos maiores nomes da economia norte-americana e mundial, mas um dos mais ferrenhos defensores da liberdade, do empreendedorismo e da soberania individual. Professor de economia, sua corajosa defesa das políticas de livre mercado esteve presente em jornais de todo o país durante décadas e, consequentemente, ajudou a população a fortalecer a crença na autonomia econômica. 

Nascido em Filadélfia em 1936, ex-taxista que cresceu pobre nos projetos habitacionais racialmente segregados da cidade, Walter Williams conhecia a injustiça — e entendia que a maneira de a combater não era por meio de emoções e sentimentalismo, mas de aprendizado. Em 1972, obteve o doutorado em economia pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla), onde aprendeu a olhar para além dos fenômenos superficiais em busca de causas e consequências mais profundas. 

Williams, que era negro, também criticou grande parte da agenda progressista, em parte devido ao que disse ser seus efeitos deletérios nas famílias negras norte-americanas. Em 2017, ele pôs o dedo na ferida do fraturado núcleo familiar nas comunidades negras nos EUA e afirmou que “o problema número 1 entre os negros é o efeito decorrente de uma estrutura familiar muito fraca”. Acrescentou que “o maior dano causado aos negros norte-americanos é infligido por políticos, líderes de direitos civis e acadêmicos que afirmam que todos os problemas enfrentados por eles resultam do legado de escravidão e discriminação”. 

Perdido nas senhas

Eu tenho umas duas dezenas — e tudo tem de estar na cabeça 

Walcyr Carrasco 

Senhas! Tantas, tantas! Suponho que as empresas perdem milhões por causa delas. Não digo que é culpa dos hackers. Simplesmente porque a gente perde a paciência e desiste da compra on-line — já que senhas não reconhecidas tornaram-se parte da vida. É o meu caso com a Amazon Brasil. Cada vez que entro no site e vou pagar, recebo um aviso que a senha não é válida. Só que está certa. Mesmo assim, sou obrigado a redefini-la. Enviam um código para meu e-mail, e perco uns vinte minutos no mínimo para criar a nova. É um inferno, porque cada vez exigem senhas mais complexas. E menos duradouras. 

Um amigo acaba de receber um aviso da faculdade dizendo que sua senha expirou. Como assim, expirou? Ele não sabe se é tentativa de golpe ou pedido da faculdade mesmo. 

Dá medo, porque há quadrilhas especializadas em roubar senhas. Em razão disso, cada vez mais aumentam as exigências para a criação de senhas seguras. 

Surgiram sites de gerenciamento de senhas, como o Lumiun.  Esses sites exigem misturas de números e letras, às vezes uma maiúscula. 

O ideal é usar no mínimo catorze caracteres. Advertência: jamais utilizar nomes, palavras reais, datas importantes, número de documentos… Sugere alterá-las a cada noventa dias. Pior. 

Ninguém usa uma só para tudo, é arriscado. Eu tenho umas duas dezenas. Apple Store, TVs por streaming, meu próprio computador, banco, cartões… Tudo tem de estar na minha cabeça! Suspeito que hospitais psiquiátricos já reservam vagas para pacientes com stress causado pelo excesso e complicação das senhas. Horror: se dá algum problema, não há para quem ligar. Tudo é digital. 

[Diário de uma caminhada] O temporal CHEGA


Gabriel Mithá Ribeiro 

O CHEGA é um movimento profundamente renovador porque transporta para o âmago da vida cívica e política, pela primeira vez na democracia portuguesa, a consciência de que nem os mortos, nem os vivos e nem os que nos sucederão poderão ser privados dos seus direitos cívicos. É o ensinamento do filósofo conservador Roger Scruton, na esteira de pai do conservadorismo, Edmund Burke (Roger Scruton, Como ser um conservador, 2014/2018). 

Tão nobre princípio civilizacional foi sempre desprezado pela tradição revolucionária da III República Portuguesa. Esta viveu e vive do incentivo aos nacionais e às suas instituições, assim como a terceiros, para destratarem o passado histórico de Portugal, do recente ao remoto. Outro tanto acontece quando se olha em sentido contrário, para o futuro, uma vez que a herança das gerações futuras é uma dívida soberana colossal, desgraça que não parece perturbar moralmente a casta elitista do atual regime. Reduzir uma sociedade à pobreza é aprisioná-la num presente depressivo de misérias que desesperam por respostas urgentes justamente porque se destruiu o valor do passado histórico, o que arrasta no mesmo sentido as ambições de prosperidade futura. 

Razões para Portugal necessitar muitíssimo mais do que de um novo partido político, mesmo que ele seja fundamental para um recomeço histórico e civilizacional. 

O CHEGA não existe apenas para disputar eleições. Existe também para instigar nos Portugueses a ambição de restaurar a dignidade do passado secular do país em todos os seus momentos, assim como para instigar a ambição da Sociedade para que se liberte, pelo voto e pelas práticas, de um Estado que vive do saque fiscal a quem produz para sustentar clientelas parasitárias que lhe vendem o voto. 

Pensar menos no presente e bem mais no passado e no futuro nacional e europeu é reentrar na órbita do ideal de civilização, tanto mais forte quanto mais estendido no tempo for o sentido da existência coletiva. Pouquíssimos povos na face da terra possuem uma consciência coletiva fixada numa memória escrita de quase nove séculos, uma maturidade identitária raríssima que permite perspetivar um futuro com igual solidez. 

Desperdiçar tamanho património humano à custa da adulteração do sentido do passado histórico português por via do apagamento da sua dimensão positiva (a riqueza do legado civilizacional transmitido a outros povos) para que reste apenas a dimensão negativa (a violência inegavelmente inerente ao contexto peculiar de certas épocas passadas), quando o tempo histórico é sempre ambivalente, foi a grande bancarrota civilizacional imposta pela III República Portuguesa. Pior é impossível. 

Um jugoslavo num país de mansos

Ao que parece, o sr. Ljubomir não é manso, e se um quinto dos portugueses em risco de indigência o imitassem, a impunidade do dr. Costa não seria tão plena, nem a indigência tão certa 

Alberto Gonçalves 

Se as vestes dos fiéis ainda não se tinham rasgado por inteiro, acabaram em farrapos quando o cozinheiro Ljubomir Stanisic [foto], que eu nem conhecia, comparou António Costa a Slobodan Milosevic. Ninguém concedeu ao sr. Ljubomir o benefício da dúvida “metafórica”, que há dias permitiu que um dirigente antirracista apelasse repetidamente à morte do “homem branco” sem consequências penais e sociais. Ninguém lembrou o direito à opinião, que nos dias da “troika” levou Mário Soares a assinar um artigo em que comparava Pedro Passos Coelho a Hitler e a Mussolini – e toda a gente achou a equivalência admissível e até pertinente. Aliás, nos idos de 2013 era quase intolerável designar Pedro Passos Coelho por qualquer coisa abaixo de “fascista” ou, nos momentos de simpatia, “Salazar”. E não vale a pena notar o que por aí se dizia e diz impunemente de determinados estadistas remotos, da sra. Merkel, a Bruxa Nazi, ao sr. Trump, o Belzebu em carne e osso. 

Foto: Tiago Miranda

Não foram os tempos que mudaram, foram os protagonistas. Hoje, o sr. Ljubomir não pode chamar ditador ao dr. Costa pelo critério que impede um transeunte de lhe chamar palhaço sem ser admoestado pela repórter televisiva, intrépida a defender o emprego e a envergonhar a profissão. Nas sociedades livres, é assim: o Grande Líder não é criticável. Ou então é criticado com tantas cautelas e respeitinho que a crítica se assemelha a um louvor, e o crítico a um devoto. É o gênero, assaz praticado pelo “comentariado” vigente: “O dr. Costa, que é bondoso e sábio e competente, esteve um bocadinho mal nesta questão, erro que, estou seguro, a bondade, a sabedoria e a competência dele corrigirão sem demora.” 

A verdade é que o sr. Ljubomir não precisava de ter feito a comparação a Milosevic para suscitar o ódio dos serviçais do regime. O regime sentenciou-o quando, perante as sucessivas medidas de aniquilação da economia e de incontáveis vidas a pretexto da Covid, o sr. Ljubomir não se ficou. Milhões de portugueses, nados e criados por cá, ficam-se. Uns porque supõem que o salário, como a presbiopia, é garantido. Outros porque não têm noção. E os restantes porque têm medo. O sr. Ljubomir, que não é o português típico, não teve medo. Quase sozinho, e presumivelmente com uma situação material que o dispensaria de maçadas, decidiu maçar-se e recusar a criminosa arbitrariedade a que o país desceu. 

À revelia de associações, sindicatos e seitas afins, o sr. Ljubomir deu a cara e o nome por um processo que lhe trará menos alegrias do que represálias. A caça já começou: além da fúria xenófoba nas “redes”, ontem um diário informou que o “chef” subornara a polícia com vinho para furar o “confinamento” – uma transgressão hedionda na pátria do “eng. Sócrates” e motivo de sobra para a acusação do Ministério Público. O sr. Ljubomir não é nenhum mártir, mas um homem, num lugar e numa época em que os homens escasseiam. 

Análise: A maioria do STF leu a Constituição. Mas e agora?

Silvio Navarro 

Não havia muito a debater e no final prevaleceu a regra clara: a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) referendou o parágrafo 4 do artigo 57 da Constituição, respondendo a uma provocação do PTB sobre a possibilidade de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre permanecerem no comando das duas Casas do Congresso Nacional: “Mandato de 2 anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente”. 

Foto: Eduardo Coutinho/Wikimedia Commons

Algo que a sociedade deva comemorar? De jeito nenhum. Fosse um país sério — e ainda não estou seguro se em algum dos votos dos togados não havia uma das chamadas “jabuticabas” à brasileira embutida — esse tema não teria sequer sido levado à análise de uma Corte que tem muitas questões a dissolver. 

Segundo fontes ouvidas pela Oeste, muitos dos onze ministros deixaram brechas para um tal “voto médio” — ou seja, eles ainda podem revisar seus textos enviados virtualmente e adaptá-los para formar uma nova maioria. O pano de fundo seria barrar a reeleição de Rodrigo Maia, o que atende tanto a vontade do Palácio do Planalto como a voz das ruas (na pandemia traduzida ainda mais nas redes sociais), mas permite a recondução de Davi Alcolumbre no Senado. Por isso o placar terminou: 7 x 4 contra Maia, mas 6 x 5 contra Alcolumbre — o último, um placar que o Brasil já viu algumas vezes ser revisitado para pior. 

De todos os votos dos ministros, um trecho na letra de Luiz Fux, que preside a Corte e por isso deve ser lido com mais atenção, diz: “Compete ao Poder Judiciário, sempre que demandado, fortalecer a institucionalidade do funcionamento estatal e fazer valer as regras do processo democrático, guiando-se mais pelas razões públicas do que pela virtude das pessoas que dele participam. Não à toa, o Estado de Direito no seu verniz contemporâneo assenta-se na máxima de um governo das leis em detrimento de um governo dos homens”. 

Ainda que esta decisão não tenha fortalecido a institucionalidade — e, repito: não deve ser comemorada pelos brasileiros, porque sequer deveria ter sido pautada –, fez valer as regras. 

O Supremo gosta mesmo é do papel de protagonista, daquele frio na barriga de final de novela. São ótimos atores. 

Título e Texto: Silvio Navarro, revista Oeste, 7-12-2020, 9h30 

Relacionado:
Voto de Fux foi decisivo para impedir possibilidade de reeleição de Maia e Alcolumbre

[Diário de uma caminhada] Assassinar o branco morto. Venerar o negro vivo assassino. Os Mamadous Bas desta vida

Por acaso o sr. Mamadou não escreve à ocidental, não se veste à ocidental, não adora as sociedades ocidentais, os seus subsídios, a sua comunicação social, mais tudo o resto que herdou do pai branco?

Gabriel Mithá Ribeiro 

Frantz Fanon, o pai intelectual das orgias de ódio e violência negras e africanas contra o branco e contra o Ocidente, nasceu numa família de classe média da Martinica (América Central), passou pela Argélia durante a segunda guerra mundial (África Árabe ou Branca, terra-mãe de antigos colonizadores escravocratas) e viveu um período de preparação académica e atividade intelectual em França (Europa Ocidental), extensível a outras paragens ocasionais do Norte de África. Simplesmente não é possível um sujeito com tal percurso de vida ser especialista na África negra onde nunca esteve. 

A ignorância sobre a realidade vivida é a mãe de todas as ignorâncias, o que diz muito dos meios intelectuais e académicos ocidentais que toleram o Adolf Hitler das Antilhas e o rol de teorias, interpretações ou crenças que gerou, ainda bem vivas. 

Mamadou Ba é apenas mais um discípulo cuja ignorância ufana é vantajosa para que as pessoas comuns despertem. Em vez de gastar uns anos a conhecer a fundo África pelo contacto direto com os seus, e meus, conterrâneos negros no continente ancestral, e a ler autores decentes, a precondição para depois também entender as diásporas negras nas Américas ou na Europa, o sujeito venera cegamente sociopatas como Frantz Fanon enquanto goza do conforto de quem vive nas sociedades brancas. 

O único assassinado pelas identidades negras e africanas até hoje foi justamente o homem branco, o pai colonial ou ocidental, o que ensinou, por exemplo, pessoas como o sr. Mamadou a exprimir-se em português, ler e escrever, vestir-se e comer como o faz, viver no tipo de casa onde vive, a relacionar-se com o sexo oposto como se relaciona, a pensar como pensa, enfim, a ter o estilo de vida que tem. 

Se quisermos seguir a explicação freudiana, e não há outra fiável, o problema identitário dos negros e dos africanos resume-se hoje a nunca terem matado os seus pais negros. Quer o pai africano tradicional ou ancestral, quer o pai nacionalista libertador, o que trouxe a independência. 

As soluções para as desgraças e desafios das identidades negras e africanas vêm praticamente todas das tradições civilizacionais legadas pelo pai branco morto e enterrado, por isso não é mais ameaçador no presente. É o caso da autorresponsabilidade, reforço da ciência, conhecimentos, cultura escrita, ideia de justiça, igualdade homem/mulher, boa governação, democracia, valores religiosos, hábitos quotidianos, saúde, entre outros. 

Voto de Fux foi decisivo para impedir possibilidade de reeleição de Maia e Alcolumbre

Marcos Rocha 

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, no fim da noite de domingo (6), durante sessão de julgamento em plenário virtual, que Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP) não podem disputar reeleição às presidências da Câmara e do Senado na mesma legislatura. 

O voto decisivo foi dado pelo presidente da Suprema Corte, ministro Luiz Fux [foto]. Antes dele, já haviam votado em sentido contrário ao entendimento do relator Gilmar Mendes os ministros Luís Roberto Barroso e Edson Fachin. 

Foto: Nelson Jr/SCO/STF

Para Gilmar Mendes, os atuais presidentes das casas legislativas do Congresso poderiam se reeleger, mas com uma regra que fosse permitida apenas uma recondução. Ele foi seguido pelos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski. 

Kassio Nunes Marques acompanhou o relator, mas com efeito de aplicação que beneficiaria Alcolumbre e excluiria Maia. 

Fachin, Barroso e Fux seguiram os votos das ministras Carmen Lúcia e Rosa Weber e do ministro Marco Aurélio Mello, contrários à reeleição. 

Ao proferir seu voto, o presidente da Corte disse que a norma constitucional “impede a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente a do primeiro ano da legislatura”. 

[As danações de Carina] Duelos reversos

Carina Bratt 

As cenas com as quais sempre nos deparamos, eu e Aparecido, são engraçadas, divertidas, gostosas de serem lembradas, ou apreciadas, a ponto de carecermos estancar os passos para presenciarmos e não só presenciarmos, vivermos cada minuto e meditarmos sobre os seus mais intrincados objetivos. 

Como as preciosidades que estamos vendo agora. Neste exato momento, as pessoas por todos os cantos do enorme saguão do aeroporto [foto] aqui em Vitória, choram, gritam se abraçam e sonham... São angústias que se renovam, promessas que se reiteram, enquanto uma nuvem de tristeza parece cobrir todo o ambiente tornando-o densamente frio e fora do normal, do  normal claro, considerado corriqueiro. 

Nada é mais maçante e chato, cansativo e tenso, enojado e austero, que um recinto denso e frio, justamente na hora em que (como agora) estamos nos preparando para embarcarmos para algum lugar. Não faz diferença o lugar... Qualquer ponto é um lugar. O importante é chegarmos até ele. 

O portão que acessa a sala de embarque é um só e já se abriu. A voz padrão da locutora do alto falante acabou de ultimar a galera para se preparar para cruzar o caminho afunilado que passará pelo detector de metais. 

No meio dos que vão e vem, uma menina de mais ou menos cinco anos não está nem aí para o reboliço que se desenrola à sua volta. Ou melhor: ela só tem olhos e atenção voltados para a boneca – quase do seu tamanho – presente surpresa da tia Norma. 

A tia Norma (fala tão alto que até um surdo conseguiria escutá-la a um quilômetro) veio se despedir da irmã e entregou, questão de minutos atrás, uma caixa enorme embrulhada em papel presente à sobrinha, antes dela desaparecer no corredor ‘ralo’ que desembocará na porta da aeronave estacionada lá fora, no imenso do pátio. 

Chove um pouco. Um senhor de boné cinza na cabeça, lê Anjos à Mesa de Debbie Macomber. Uma jovem cheia de piercing no rosto, o cabelo à expressão de alma penada recém chegada do purgatório conversa animadamente ao celular. Ela me faz recordar Amy Winehouse tentando imitar MontSerrat Caballé cantando ‘How Can I Go On’, sem o Freddie Mercury. 

Faça o bem sempre

Nelson Teixeira 

Que todas forças e energias do bem lhe encontrem, lhe cerquem e lhe protejam. 

Que nada nem ninguém tenha o poder de lhe fazer desacreditar no amor e abalar a sua fé. 

Que sua maior fonte de luz seja a humildade e essa certeza de que é apenas um ponto no universo, esteja sempre presente em suas convicções. 

Que sua Fé e sua Perseverança possam caminhar sempre consigo na busca e determinação do bem. 

Que toda caridade que você venha a praticar, seja sempre seu objetivo para seguir sempre no bem comum de ajuda a seu semelhante. 

Faça o bem sem olhar a quem e nem espere algo de alguém. 

Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 7-12-2020

domingo, 6 de dezembro de 2020

[Diário de uma caminhada] Marisa Matias, Catarina Martins, Mortágua’s & Associados: a escória moral do nosso tempo


Gabriel Mithá Ribeiro

Há semanas ouvi um humorista, Diogo Faro, que dizia que pintava as unhas para combater o preconceito. Trata-se de um homem branco, português, que na conversa da rádio dava a ideia de querer ser mulher, transsexual, negro, cigano, imigrante, islâmico e todos os que supõe vítimas de preconceitos. 

Declarou uma vontade imensa de mudar as mentalidades, porém, apenas dos da sua pertença identitária, dos portugueses brancos heterossexuais, que deve saber serem pacíficos e predispostos a tolerá-lo. Não ousou propor transformações em dose semelhante para as minorias, mudar-lhes as mentalidades, os segmentos sociais que sabemos conterem indivíduos nada pacíficos, nada cumpridores, nada simpáticos, por integrar socialmente. Sem exigências equilibradas para uns e outros, maioria e minorias, jamais existirão compromissos morais e cívicos minimamente justos. 

Escudada na teoria de que as minorias são vítimas, teoria tão válida quanto o seu inverso, portanto imprestável, de tão infantil aquela conversa na rádio foi extraordinariamente reveladora da cobardia ululante instigada por personagens como Marisa Matias, Catarina Martins, Manas Mortágua & Bloquistas Associados, líderes mentais da esquerda que seduziram a direita fofinha. Quem foge a ter de ajustar o cérebro das minorias por diversas razões, seguramente por medo e ignorância, como que por magia vira suprassumo do justicialismo social com direito a lobotomizar o cérebro da esmagadora maioria dos seus compatriotas portugueses genuínos e, por cima, acaba premiado com muitos e muitos subsídios estatais e votos. 

A técnica de extorsão é infalível em sociedades dominadas durante séculos e séculos pelo dogma ‘Amarás o próximo como a ti mesmo’: umas ideias fofinhas, uns artigozitos nas revistas científicas das ciências sociais, uns textozitos indignados ou lamechas na imprensa, umas palavrinhas a preceito nas rádios, nas televisões ou no parlamento, umas piadinhas aqui e ali e assim – mas sempre em modo de subserviência apatetadamente heroica às minorias. A popularidade do discurso é garantida, ainda que dia após dia a realidade torne salientes as consequências perversas da distopia dos guetos suburbanos à intimidade das salas de aula. 

Freud bem que avisou que amar o próximo como a si mesmo apenas serve quando esse próximo partilha esse mesmo princípio moral. Caso contrário, o sujeito individual ou coletivo arrisca a sua sobrevivência. Sem antes estar garantida uma efetiva base moral comum na relação com as minorias, aquilo que designamos por integração social, é esse o risco que se corre. Em defesa do princípio da realidade, isto é, da sanidade mental (moral e intelectual) da espécie, Freud foi taxativo: Ama o próximo como o próximo te ama a ti. Escreveu isso e justificou a razão em 1930. Se ainda vivesse, o psicanalista ficaria aterrado com os enormes progressos progressistas, passo a redundância, da estupidez humana. 

[Diário de uma caminhada] Tribos humanas


«A humanidade divide-se em duas tribos: a dos que, ajudados, melhoram, e a dos que pioram. Depois de alguma experiência você descobre que a única ajuda que pode fazer verdadeiro bem a estes últimos é um pé na bunda. Se não fosse pelo fenômeno da compaixão perversa, o Lula jamais teria sido eleito presidente. Muito menos o Obama.» 

(Olavo de Carvalho, 28 de agosto de 2016) 

Título: Gabriel Mithá Ribeiro, Vice-Presidente do CHEGA!, 4-12-2020 

Anteriores:
Bardamerda para o racismo!
O que é para si o CHEGA? Não me deixe a falar sozinho!
Marcelo Rebelo de Sousa
Mafalda Anjos, a gansa vidente
Salazar
25 de Abril: o nome da pobreza portuguesa

[Foco no fosso] A ganância não tem limites

Haroldo Barboza 

Tirando as gozações naturais entre torcedores, não podemos deixar de reconhecer a grandeza do Flamengo/RJ através dos tempos. Grandes equipes de futebol (e outros esportes) criaram um nome forte na área esportiva ao longo de décadas. 

Atualmente, ainda entre os três melhores times da América do Sul, possui um elenco caro, perto de R$ 20 milhões/mês, fora despesas com viagens, hotéis, material de treino etc. 

Diante deste montante, comprometeu toda sua credibilidade e crença entre seus fãs, através de ação mesquinha e gananciosa que gerou decepção até entre seus torcedores. 

Conseguiu reduzir a cota de R$ 10.000,00/mês paga a cada família que teve um filho falecido no incêndio recente no ‘Ninho do Urubu’, em Vargem Grande

Uma “economia” mensal de quase R$ 60.000,00 em cima de pobres sonhadores que confiaram a guarda de seus filhos ao grande clube que amavam e pretendiam defender com sacrifício e orgulho. 

Com este valor, não pagam nem a mensalidade da empresa que efetua a jardinagem na sede localizada em bairro nobre. 

Atenção, famílias das vítimas! Estes dirigentes ainda podem encontrar uma maneira de cobrar de vocês os prejuízos do tal incêndio e a devolução do que já receberam até este momento. 

[Diário de uma caminhada] Bardamerda para o racismo!


Gabriel Mithá Ribeiro 

A cor de pele que o destino me ofereceu permitir-me-ia acusar este mundo e o outro de racismo. Não bastava o mundo académico. Nunca tive espaço na imprensa portuguesa onde pudesse escrever com liberdade, sem autocensura, sem ser de forma espaçada, sem ser quase por favor e sem acabar escorraçado. E sempre por aqueles que garantem que não são racistas, nem de longe, e exímios defensores da liberdade. São critérios editorais. 

Dou-lhes razão. Não são racistas porque eu mesmo não acredito em alienações. A prova é óbvia: bastava que fosse um preto de esquerda e tudo estaria resolvido, ainda assim coisa raríssima na imprensa portuguesa, o que mais me faz doer a alma. Eles são bem piores do que isso. Estão muito abaixo de todos os racismos. São os intemporais assassinos da liberdade de pensamento, assassinos da condição humana naquilo que mais e melhor a define: a liberdade de pensar em fórmulas comunicáveis ao nosso semelhante. 

Desafio qualquer ser vivo a encontrar um texto meu sem ser fundamentado, justificado, argumentado, sem um mínimo padrão de qualidade. Sempre soube que tinha de compensar a minha cor de pele. Isso não é mau porque, entretanto, viciei-me na atitude de profundo respeito pela inteligência do leitor através das minhas crenças. A dureza da realidade fez-me descobrir que não chega. Nunca chega. Não é o que se quer. O que querem é continuar donos da alma dos que pensam livremente e uma pele colorida escapa à primeira, mas logo, logo dá muito mais nas vistas e convém ser travada. 

Liberte-se e seja feliz

Nelson Teixeira 

Que nasça em nós a alegria de viver, que a vida possa nos mostrar suas cores, que nos traga os sonhos e que nos faça sentir o amor em todos os momentos. 

Não aprisione a felicidade, os desejos. Liberte-os e deixe a vida fluir em suas veias, deixe o coração lhe guiar ao encontro dos abraços, dos sorrisos e da ternura. 

Que em cada amanhecer a vida lhe entregue a felicidade de um dia de alegrias e amor sem fim. 

Antes de tudo procure ser feliz consigo e com os outros que estão ao seu redor. 

Nunca se esqueça que a alegria e o ânimo contagiam todos que estão próximos de você. 

Liberte-se e seja feliz. 

Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 6-12-2020

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

[Aparecido rasga o verbo] Lados opostos

Aparecido Raimundo de Souza 

A MENINA TODA SUJA, os pés descalços no cimento frio, uma sainha curta, desbotada e em tiras, encimada por uma camisa-blusa com vários buracos à luz de uma lua clara, surge diante de mim, assim, do nada. Traz, nas mãos, umas flores de aparências estranhas e, a princípio, penso que pretendesse vendê-las em troca de algumas moedas. 

Humildemente ela se aproxima, me dirige um ‘boa noite’ vagaroso e pede ‘desculpas pela intromissão’. A minha mesa armada na calçada da longa avenida movimentada, junto com outras e, nelas, à distancias poucas, alguns gatos pingados bebem cerveja enquanto casais de namorados trocam afagos e permutam carícias espiando a escuridão do mar. 

Ela parece ter me colocado na sua alça de mira. Ao invés de se dirigir aos demais, ao entorno, prefere vir até mim. A peça que ocupo, está cheia de pratos e talheres, além de duas garrafas de refrigerantes, uma delas com metade da bebida que eu ainda me servia a goles moderados e duas bandejas com restos de batatas fritas e alguns pedaços de um churrasco no palitinho que eu pedi e enjeitei, em face de conter estilhas de gordura. 

Com a mesma simplicidade e candura que chega, e diante da minha negativa de lhe dar alguns trocados, a jovenzinha pergunta se eu me importo que ele pegue aquelas sobras. Aquiesço e ela rapidamente arremata o que eu deixei de comer e engole numa pressa de fome voraz intensa. Indaga, seguidamente, se eu ainda me servirei do restante do guaraná e também declino para que possa matar a sua sede. 

Em depois, num sorriso de satisfação me agradece e se vai embora. Desaparece tão silenciosa como chegou. Fico imaginando, com meus botões, como a vida, para alguns, se mostra hostil e sem razão, enquanto para outros, se exibe maravilhosa e gentil, mostrando um leque de caminhos diferenciados que acabam em horizontes floridos e auspiciosos. 

Para esta pobre criança, que acabou de sair do meu campo de visão, acredito ai, na casa dos treze, talvez menos, padece uma vida ingrata e infame, uma existência lhe lhe cai cruel todos os dias sobre os costados. Para mim, ao contrário, se mostra alegre e benfazeja. Olho para meus pratos vazios e penso em tudo o que o meu dinheiro pode comprar, ao passo que a miserável criaturinha carece ficar à deriva.

[Diário de uma caminhada] O que é para si o CHEGA? Não me deixe a falar sozinho!


Gabriel Mithá Ribeiro 

Quando olhamos as águas do mar e vemos a onda a flutuar a tentação é a de questionarmos porque é que flutua. Freud viu nessa atitude um vício na construção do conhecimento. Propôs que se começasse primeiro por flutuar na onda até ao momento em que perceberemos por que razões ela flutua. Daí que o psicanalista deixasse fluir o discurso dos pacientes em associação livre e mantivesse uma atenção flutuante para compreender a complexidade da condição humana. 

Os fenômenos sociais não são diferentes. A dificuldade de muitos em perceberem o CHEGA resulta do mesmo vício, especialmente óbvio nos que querem encarcerar André Ventura num fato pronto-a-vestir, nos que o acusam de ter mudado o que eles mesmos determinaram que ele tinha de ser; nos que exigem um programa do partido pronto, acabado, escrito na pedra para todo o sempre que nem uma Bíblia. Não fica difícil perceber a péssima qualidade intelectual da esmagadora maioria dos fazedores de opinião. 

Max Weber, sociólogo, permite confirmar isso mesmo. Este defendeu que quanto mais julgamos menos compreendemos, e vice-versa. Ou seja, no processo de construção de conhecimentos a inteligência é sinônima de compreensão e a ignorância de julgamento. 

O fenômeno CHEGA está a ser notável a vários títulos. Destaco o separar de águas entre uma casta letrada ignorantemente douta e um senso comum muitíssimo mais fiável. O último preserva a sapiência de esperar para ver e, progressivamente, vai confiando cada vez mais em André Ventura e no CHEGA. Um susto para o regime que mais deve ter congregado ignorantes letrados desde 1128, com Afonso Henriques.  

Face a tanto idiota, seria facílimo a um ou dois notáveis, a começar pelo líder, imporem dogmas definidores e programáticos dogmáticos, fechados, rígidos, à moda dos ideólogos esquerdistas ou de um comité central a determinarem o que é o CHEGA. É isso que os adversários desejam habituados à fast food da política. O seu azar é que André Ventura e o CHEGA têm resistido a tais engodos. Há uma onda que se vai definindo por si mesma. Assim tem de ser. 

[Foco no fosso] Pandemia na passarela

Haroldo Barboza 

Começando por São Paulo. 

O “loquidaum” amarelo anunciado em 1/12/2020, não foi definido de surpresa um dia antes. Já devia estar programado desde o final de outubro recente. 

No entanto, como nossos dirigentes possuem o hábito de agir com alta “transparência” (os melhores exemplos são os aumentos concedidos a eles mesmos), acharam por bem deixar o anúncio para após eleições, para reduzir perdas de votos e por “vingança” (os que não obtiveram a reeleição). 

Além do que, mantendo o “isolamento social”, reduzem as chances de grupos se reunirem para analisarem os desempenhos dos parasitas que estão encastelados no poder desde que a “democracia” foi criada com o advento da república. 

Em resumo, assim terminaram as “eleições”: 

Fulano perdeu porque tem quatro processos relacionados a desvios de quase 60% dos impostos desviados.

Beltrano ganhou, pois tem menos processos e soube camuflar 52% do que desviou de nossos cofres. 

E desta forma os municípios degradados por décadas, continuarão com ruas esburacadas, escolas na penúria, segurança sem força para combater traficantes, saúde adoentada e água contaminada saindo pelas finas torneiras de bairros abandonados. 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

[Diário de uma caminhada] Marcelo Rebelo de Sousa


Gabriel Mithá Ribeiro 

Marcelo Rebelo de Sousa governa como o pai, Baltazar Rebelo de Sousa, bonzinho porque acima de tudo preocupado em proteger os africanos. Acontece que o pai foi governador-geral de Moçambique, na África Negra dos tempos do Império, e o filho é o presidente da República Portuguesa, sem império. 

O último perdeu-se no tempo e no espaço quando visitou o Bairro da Jamaica, no Seixal, e parecia ter vestido a pele do pai, ritual que cumpre quando visita as ex-colónias africanas. 

Seria interessante Freud dissecar o caso. 

Título e Texto: Gabriel Mithá Ribeiro, Vice-Presidente do CHEGA!, 1-12-2020

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Ódio à André Ventura

Rio de Janeiro, 1º de dezembro de 2020

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

[Aparecido rasga o verbo] Tarja com caveira

Aparecido Raimundo de Souza 

O EUFRATES ESTAVA PRA LÁ DE CONTENTE. Havia arranjado um serviço de última hora em São Paulo e não via chegar o dia  para se apresentar no escritório da empresa e começar a trabalhar. Procurava uma ocupação há meses e pensava até em desistir e não sair mais da casa materna, em Catingal, a sua cidade natal incrustada no interior bem escondido da Bahia. O novo batente prometia salário mínimo na carteira, vale transporte e refeição, cesta básica, plano de saúde e uma pequena ajuda de custo. Não muita coisa, mas, de imediato, ajudaria a sair da pindaíba na qual estava metido até os cafundós do pescoço. 

Fora conversando praticamente todos os dias por telefone, com um amigo que viera antes para a capital dos paulistas, o Rochê, que trabalhava na dita empresa fazia anos, e, ao saber da vaga, indicara seu nome: 
— Eufrates, pra quebrar o galho, você deve pegar. Depois aparece coisa melhor... 
— ‘Cê sabe’ qual vai ser a minha função? 
— Pelo que me passou a Umbelina, alguma coisa ligada à preservação de espécies. 
— Quem é Umbelina? 
— A secretária linda e maravilhosa do Doutor Bepantol. 
— Doutor o quê? 

— Bepantol. Marquei a sua entrevista com ele, para segunda-feira, às dez horas em ponto. Mandei dinheiro suficiente na conta da sua mãe, para você comprar a passagem e comer alguma coisa na estrada. Procure chegar um pouco mais cedo. No Tietê você pega um taxi, mostra o endereço para o motorista. É pertinho... 
— Preservação de espécies, você disse? 
— É. Pelo menos foi o que me passou a secretária, quando nos esbarramos, muito rápido, no refeitório, na hora do lanche. 

— Rochê, estou me sentindo um nadador solitário dando braçadas em águas turbulentas. Ao meu redor, percebo que os peixes estão inquietos... 
— Impressão sua. Vai dar tudo certo. Confia. Passa os cinco dedos em você, embarca no primeiro buzão e se manda pra cá. 
— Quanto ao mar ou aos peixes... 
—... Deixe de filosofar, Eufrates. Aproveita o resto do dia de hoje, faça a barba, corte os cabelos, engraxe os sapatos, ponha a sua melhor roupa e siga em frente. Não me decepcione. Até segunda feira, você tem pela frente, a seu favor, quase cinco dias. 
— Certo. Voltando a tal da preservação... 
— O que você quer saber exatamente? 
— Não tem como me adiantar alguns detalhes?