segunda-feira, 30 de novembro de 2020

[Diário de uma caminhada] Mafalda Anjos, a gansa vidente


Gabriel Mithá Ribeiro 

Tem qualquer coisa de sobrenatural o destaque público que uns quantos conquistam na imprensa. Isso partindo do princípio da missão desta ser a promoção da inteligência e sanidade mental do senso comum. 

É o caso da diretora da Visão. Quem quiser aprender como é que a política prostitui (quase) tudo, do pensamento social às práticas quotidianas, é ler Mafalda Anjos. 

A sujeita vive de certezas absolutas do que o CHEGA era antes de nascer. Do que é o CHEGA agora. Mas também da hecatombe humanitária, histórica e civilizacional que garante estar a abater-se sobre o país (naquela cabeça palavras como nação e pátria são sinônimas de Diabo) e sobre a democracia à medida que o suporte dos portugueses a tal partido político se consolida. Comparado com a sujeita, o Prof. Bambo é um vidente de segunda ou terceira linha. 

Se tais manifestações protegidas pela carteira de jornalista não representam a mais pura violência pública contra identidades pessoais e sociais alheias, então desde que a história se fez história nunca houve violência, nem guerras, nem totalitarismos, nem genocídios, nem nada disso. Restar-nos-á reconhecer a sr.ª Anjos como o nome indica, uma Santa. 

Semana sim semana sim, a dita vai desenvolvendo elucubrações profundas sobre a extrema-direita, sobre a natureza demoníaca do CHEGA, isto é, sobre pessoas como eu e, quem sabe, como você que me lê. Qualquer indivíduo quando se confronta com o Mal em forma de gente excomunga-o, como tento fazer, ou acaba destroçado. Cumpro, portanto, a obrigação de proteger a minha integridade existencial, como qualquer pessoa que se sinta atingida por maldições videntes. 

A revista Visão é, aliás, um amontoado de escritos que deveriam ficar preservados para a eternidade. Daqui a mil anos valerão como testemunho fidedigno de como se geravam, na nossa época, patologias mentais coletivas. É um caso tipo de um organismo que congrega pensamentos vivos individuais, entre o histérico e o alucinado, que conjugados visam ostensivamente contaminar o sujeito coletivo, as pessoas comuns, com as mesmas patologias numa cadência ritmada, previsível, semanal. 

O fenómeno é exemplarmente condensado nos editoriais da senhora diretora que poderiam servir de modelos de vírus de laboratório que nos permitissem fazer ensaios clínicos controlados para a descoberta de vacinas culturais ou civilizacionais contra variantes coletivas de doenças mentais, como o histerismo ou a alucinação, transmitidas a partir de patologias de indivíduos impulsionadas pela comunicação social. 

Mafalda Anjos e a sua Visão permitem-nos, com a maior facilidade, percorrer sem falhas as etapas do método científico do Discurso do Método, de René Descartes (1637). A primeira etapa, a evidência (empírica) do problema, está garantida (leia-se Mafalda Anjos). A segunda etapa, a análise (a decomposição do problema), está iniciada através do isolamento de uma das peças significativas (os textos da dita cuja). Ficam a faltar a terceira etapa, a síntese (reunir as diferentes partes do problema anteriormente decompostas), e a quarta etapa, a enumeração (verificar se não se omitiu nada) para se cumprir na íntegra o referido método científico. 

Temos tudo para um estudo de caso rigoroso de como se produzem patologias da mente coletiva a partir de patologias individuais. 

Nada disto é novo. Novidade será passarmos a assumir, enquanto sociedade, que a mente coletiva existe, sofre de patologias, as mesmas podem ser tipificadas e sujeitas a terapias em nome de um destino coletivo digno. Admitir isso não é difícil, uma vez que vez que não existem descontinuidades entre o sujeito individual e o sujeito coletivo e a substância dos fenómenos mentais é a mesma, as variações são de detalhe. Estudei durante anos estes fenômenos de desequilíbrio mental coletivo e, salvo as devidas distâncias, cada vez mais compreendo Galileu que teve de sobreviver num mundo dogmático na sua ignorância avessa ao óbvio. 

Se nada disto é novo, ao contrário do passado podemos pelo menos travar as nefastas consequências do que está em curso, mesmo que apenas nos sobre como defesa a ridicularização da fonte do Mal. Sugiro que se comparem os editoriais de Mafalda Anjos, na Visão, com os da imprensa oficial do estalinismo, nazismo, maoísmo ou, para se ter maior profundidade histórica, da inquisição imaginando que então havia imprensa e que a Mafalda Anjos (o nome condiz) da época também era diretora. 

A tese de Hannah Arendt sobre o inimigo objetivo, característica-chave das ideologias totalitárias genocidas, quer dizer o grupo ou segmento social que tem de ser eliminado em nome da ideologia independentemente da conduta individual e subjetividade dos seus membros, explica, e muito, as mentes terem tomado de assalto os postos de controlo da imprensa em Portugal. Uma das maiores virtudes de André Ventura é ter tornado o fenómeno cada vez mais cristalino no senso comum português, dado ser equiparável um organismo vivo fortemente resistente ao vírus que, como que de repente, passou a alimentar as possibilidades de eliminá-lo. 

Nos textos de Mafalda Anjos o princípio do inimigo objetivo é cristalino, agora navegando a onda da ilegalização do CHEGA. Basta substituirmos os tradicionais burgueses ou judeus por André Ventura e CHEGA para percebemos a natureza da mente da dita cuja. A sujeita e quem a lê não se enxergam? 

Como considerava Montaigne, é maior a distância entre quem sabe e quem não sabe do que entre um homem e um ganso. O máximo elogio que se pode fazer a Mafalda Anjos é o de ser a gansa vidente de uma capoeira de gansos escreventes cheios de Visão. 

Título e Texto: Gabriel Mithá Ribeiro, Vice-Presidente do CHEGA!, 30-11-2020 

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