domingo, 29 de novembro de 2020

[Diário de uma caminhada] Salazar


«É só estudar as vidas de Marx, de Lenin, de Stalin, de Mao, de Guevara, de Fidel Castro, de Yasser Arafat (ou dos seus acólitos intelectuais, os Sartres, Brechts, Althussers e tutti quanti) para entender o que estou falando: cada um desses homens que tiveram nas mãos os destinos de milhões de pessoas foi um deficiente emocional, cronicamente imaturo, incapaz de criar uma família, de arcar com uma responsabilidade econômica ou de manter relações pessoais normais com quem quer que fosse. Em compensação do aborto moral de suas vidas, criaram a idealização pomposa do revolucionário (isto é, deles próprios), como a encarnação de um tipo superior de humanidade, adornando com um toque de estética kitsch a mentira existencial total. 

(…) Não há tragédia no fracasso do socialismo: há apenas uma palhaçada sangrenta. (…) O fundo de tudo é o ódio à realidade, a recusa de arcar com o peso da existência, o sonho gnóstico de transfigurar a ordem das coisas por meio da autoexaltação psicótica e de truques mágicos como a reforma do vocabulário. (…) 

Nenhuma exploração capitalista, por mais selvagem que a rotulassem, conseguiu matar de fome multidões tão vastas quanto as que pereceram durante a estatização da agricultura na URSS, o Grande Salto para a Frente de Mao Tsé-tung ou os experimentos socialistas em vários países da África. (…) nenhum regime direitista jamais matou, prendeu ou torturou tantos militantes esquerdistas quanto Stalin, Mao, Pol-Pot ou Fidel Castro. (…) 

[A] ironia verdadeiramente demoníaca, aparece com nitidez fulgurante no comentário de Bertold Brecht: “Se eram inocentes, mais ainda mereciam ser condenados.” Brecht, aliás, foi aquele mesmo que resumiu com cinismo exemplar a essência da moral socialista: “Mentir em favor da verdade.” Experimente fazer isso e, é claro, você nunca mais vai parar de mentir. (…) 

Em contrapartida, os representantes das correntes opostas, conservadoras ou reacionárias, conforme fui descobrindo com ainda maior surpresa, eram quase invariavelmente seres humanos de alta qualidade moral, atestada não só pela idoneidade do seu trabalho intelectual, onde nada se encontrará das fraudes monstruosas perpetradas por um Voltaire, um Diderot ou um Karl Marx, mas também nas circunstâncias do cotidiano e nos testes mais rigorosos da existência. (…) 

Para levar a comparação até às últimas consequências, até os mais notórios ditadores reacionários, Franco, Salazar e Pinochet, com todos os crimes políticos que cometeram, mantiveram em suas vidas pessoais um padrão de moralidade incomparavelmente mais elevado que os dos tiranos revolucionários. (…) 

Por favor, não me entendam mal. Há, é claro, um bom número de patifes entre os escritores e sobretudo os políticos de direita, e os descobriremos facilmente se alargarmos o espectro em exame para abranger os de médio e pequeno porte. Mas, numa comparação entre os personagens maximamente influentes dos dois campos, não é possível deixar de notar a superioridade moral dos direitistas e a ausência completa de um só tipo moralmente bom entre os esquerdistas: são todos maus, sem exceção.» 

(Olavo de Carvalho, 7 de agosto de 2006 e 29 de janeiro de 2007) 

Título: Gabriel Mithá Ribeiro, Vice-Presidente do CHEGA!, 29-11-2020

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