sábado, 21 de novembro de 2020

[Estórias da Aviação] Retidos no aeroporto

Alberto José 

A nossa tripulação estava inativa em Lisboa quando foi acionada para ir para Genebra, no voo da TAP. No meio da viagem avisaram que devido a um problema técnico, o avião iria pousar em Lyon [foto], na França. Desembarcamos e fomos para a Sala de Trânsito do aeroporto. O pessoal da TAP recolheu os passageiros e saíram da sala. Só ficamos nós. 

Era inverno na Europa e havia muita neve fora do aeroporto. Devido à hora, a banca de Câmbio e o bar com bebidas e sanduíches já estavam fechados. Na verdade, nós só podíamos ir aos toaletes, pois não tínhamos visto de desembarque. Não era permitido sair da Sala de Trânsito e, além do mais, o pessoal da TAP nos deixou sozinhos. 

Ficamos atônitos, sem saber o que fazer. Então, encontrei quatro cabines de telefone público. Sugeri ao Comandante que ligasse para a Varig relatando a situação. Ele alegou que não estava autorizado a fazer "collect call", isto é, ligação a cobrar. 

Depois de muita insistência dos colegas ele resolveu ligar, mas o sistema da Varig não aceitava "chamadas a cobrar". 

Então, uma colega ligou para a mãe, a cobrar, pedindo para ela avisar a Escala sobre a nossa situação. 

Duas horas depois (22h30 local), um agente da Alfândega informou que o Gerente do Aeroporto avisou que estava chegando de ônibus para nos levar para o hotel. Embarcamos no ônibus e continuamos a nossa viagem em meio a uma forte nevasca, e ao chegarmos no hotel "jantamos" sanduíches e bebemos refrigerantes que o Gerente havia pedido à cozinha para deixar preparado antes de fechar! 

Título e Texto: Alberto José, ex-comissário da Varig, 20-11-2020 

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[Estórias da Aviação] O mau elemento
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