segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Um incansável soldado da liberdade

Walter Williams parte e deixa um legado precioso: a firme defesa dos pilares da civilização ocidental 

Ana Paula Henkel 

Logo depois de ter tido a honra de ser convidada para fazer parte da Revista Oeste, assim que iniciamos o projeto, solicitou-se aos colunistas que enviassem um vídeo curto com algumas palavras acerca do que pensamos sobre a civilização ocidental, “o oeste”. Em meu vídeo, disse o que acredito ser um dos pilares mais sólidos do Ocidente: a defesa inviolável da liberdade. 

Acredito que apenas assim, enaltecendo, protegendo e reafirmando o valor da liberdade, elemento ímpar de sustentação de nações prósperas, podemos ter uma imprensa livre, um solo rico para boas ideias e crescimento socioeconômico. Como boa esportista, tenho meus coaches e mestres nesse caminho do aprendizado, do entendimento e da realidade. Um deles é Walter Edward Williams [foto]. Aos 84 anos, Williams nos deixou nesta semana. 

Não perdemos apenas um dos maiores nomes da economia norte-americana e mundial, mas um dos mais ferrenhos defensores da liberdade, do empreendedorismo e da soberania individual. Professor de economia, sua corajosa defesa das políticas de livre mercado esteve presente em jornais de todo o país durante décadas e, consequentemente, ajudou a população a fortalecer a crença na autonomia econômica. 

Nascido em Filadélfia em 1936, ex-taxista que cresceu pobre nos projetos habitacionais racialmente segregados da cidade, Walter Williams conhecia a injustiça — e entendia que a maneira de a combater não era por meio de emoções e sentimentalismo, mas de aprendizado. Em 1972, obteve o doutorado em economia pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla), onde aprendeu a olhar para além dos fenômenos superficiais em busca de causas e consequências mais profundas. 

Williams, que era negro, também criticou grande parte da agenda progressista, em parte devido ao que disse ser seus efeitos deletérios nas famílias negras norte-americanas. Em 2017, ele pôs o dedo na ferida do fraturado núcleo familiar nas comunidades negras nos EUA e afirmou que “o problema número 1 entre os negros é o efeito decorrente de uma estrutura familiar muito fraca”. Acrescentou que “o maior dano causado aos negros norte-americanos é infligido por políticos, líderes de direitos civis e acadêmicos que afirmam que todos os problemas enfrentados por eles resultam do legado de escravidão e discriminação”. 

Seu espetacular livro The State against Blacks (“O Estado contra os Negros”) é eloquente e riquíssimo em dados contra licenciamentos, regulamentações, privilégios sindicais e outras medidas governamentais infladas e maquiadas que, na verdade, impõem danos desproporcionais aos negros, restringindo as opções de emprego e aumentando os custos de bens e serviços. 

Professor Williams, como era carinhosamente chamado, se autodenominava um “homem maluco que insistia em falar sobre liberdade na América” muito antes de ser um intelectual público, quando a violência racista e o abuso policial eram discussões sérias e não apenas pautas usadas por ativistas nas atuais sinalizações de virtude dos justiceiros sociais. 

Nos recentes protestos violentos em decorrência da morte de George Floyd, Walter Williams, que jamais deixou a cor de sua pele tornar-se pretexto ideológico para manobras de grupos políticos, não se esquivou do debate e foi categórico: “O protesto pacífico em favor de qualquer causa é tão norte-americano quanto uma torta de maçã. Mas o que vimos na esteira do assassinato de George Floyd é tão desprezível quanto qualquer coisa vista recentemente em nossa nação. O que torna tudo pior é o silêncio e o apoio aparente de muitos setores aos anarquistas que sequestram os protestos para promover seus próprios fins. Esses são os progressistas brancos e grupos de esquerda como o Antifa. Eles se importam com tudo, menos com os principais problemas que existem nas comunidades negras e se agravaram com a violência e os saques. Como a destruição de negócios e propriedades de negros promove justiça pelo assassinato de George Floyd?”. 

“As pessoas têm o direito de discriminar como quiserem, desde que não usem um governo para isso”

Walter Williams, assim como seu grande amigo Thomas Sowell, incomodou os arautos das narrativas ideológicas que usam o negro para manipular ideias que vão da eterna culpa da sociedade pela escravidão à adoração mais servil ao politicamente correto. 

Williams foi um gigante do pensamento contemporâneo e um exemplo de superação, trabalho, estudo e talento, e por isso muitos preferem fingir que ele — assim como Sowell — não existe. 

Ele nunca relativizou ou ignorou o racismo, do qual foi alvo, mas escolheu rejeitar a vitimização por entender que ela escraviza a alma numa agenda de ressentimento e ódio que nunca termina bem. Preferiu vencer com inteligência e muito trabalho, e sua vida foi uma prova definitiva de como tudo é possível quando há disposição pessoal e um ambiente com abundância de oportunidades, o que só uma sociedade livre e próspera — como ele sempre pregou — oferece. 

Com ideias conservadoras e libertárias, Williams, num posicionamento até polêmico para muitos, atacava a discriminação por parte do Estado, mas defendia os direitos dos cidadãos privados de excluir quem eles quisessem por qualquer motivo. Uma biblioteca pública, dizia ele, não poderia discriminar, mas uma biblioteca privada poderia recusar quem quisesse: “Um dos meus valores fortes é a liberdade de associação. Se você acredita na liberdade de associação, precisa aceitar que as pessoas se associarão de maneiras que você considera ofensivas. Acredito que as pessoas têm o direito de discriminar como quiserem, desde que não usem um governo para isso”. 

Sou fã incondicional do professor Williams. Entre tantas memoráveis palestras, vídeos e artigos disponíveis, foi difícil escolher apenas algumas de suas passagens para ilustrar este texto. Como poucos mestres, Walter Williams adorava ensinar. Ao contrário de muitos outros professores da atualidade, dr. Williams fazia questão de nunca impor suas opiniões aos alunos. Apenas alimentava a diversidade de ideias e deixava que aquelas que continham uma verdadeira conexão com a realidade falassem por si. Quem lê seus brilhantes livros e ricos artigos sabe que ele expressava suas opiniões de maneira ousada, inequívoca e apaixonada, mas fazia questão de deixar claro que jamais faria isso em sala de aula. 

O professor da Universidade de George Mason tinha um grande talento para o cenário apocalíptico. E hoje, diante do caos sociopolítico tão histórico quanto a pandemia do vírus chinês, mais uma vez temos de admitir: Walter Williams tinha razão. Em suas obras, ele costumava argumentar que a América havia irrevogavelmente perdido seu caminho, sobretudo quando se tratava de defender a liberdade econômica, que acreditava ser essencial para a elevação dos padrões de vida. 

Sua retórica não envelheceu e suas antigas perguntas continuam atuais: “Somos tão arrogantes em pensar que somos diferentes das outras pessoas ao redor do mundo? Quão diferentes somos nós dos romanos, dos ingleses, dos franceses ou dos espanhóis? Esses foram grandes impérios do passado. Eles entraram no abismo quase pelas mesmas coisas que estamos fazendo. A liberdade é um raro estado de coisas na história da humanidade. O abuso arbitrário e o controle de outros são o prato-padrão até hoje. Todas as tendências convergem para que tenhamos uma quantidade cada vez maior de nossa liberdade usurpada pelo governo”. 

Se não estamos como ovelhas percorrendo mais rapidamente o caminho da servidão, como ele temia, é em boa parte devido a seus inspiradores manuscritos e aparições apaixonadas, engraçadas, perspicazes e memoráveis ​​— como, aliás, ele próprio. Williams foi um dos mais corajosos defensores do mercado livre, do capitalismo, do governo constitucionalmente limitado e da liberdade e responsabilidade individual. 

O mundo sentirá falta dele como um campeão incansável dos valores norte-americanos, e como um dos mais corajosos soldados na defesa da liberdade. 

Walter E. Williams, mestre, descanse em paz. 

Título e Texto: Ana Paula Henkel, revista Oeste, nº 37, 4-12-2020 

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Um comentário:

  1. Sei que a grande jogadora Ana Paula não vai ler este meu recado.
    Então vamos lá.
    LIBERDADE é uma UTOPIA.
    Sei que alguns vão a querem para poder ir aonde quiser e poder fala e escrever o que querem.
    Ir aonde querer e falar ou escrever o que quer nós podemos, assim com suportar as consequências.
    Nós estamos confinados a determinados locais seja por falta de suporte monetário seja por falta de documentos.
    Para obter-se passaporte somos obrigados a gastar, votar e ter certificado de reservista militar.
    Para obter-se um emprego necessitamos de registros civis, título de eleitor e atestado de bons antecedentes.
    Para deslocar-se de ônibus interestaduais ou de aviões e navios necessitamos de documentos de identidade.
    Para comprar-se um veículo e uma casa necessitamos dos documentos oficiais.
    Para contrair-se um empréstimo temos de ter renda.
    A lei diz que um empregado pode receber do patrão em dinheiro, mas obrigam-nos a abrir contas em bancos determinados por eles.
    Determinados países nos obrigam a entrevistas para obter-mos vistos de entrada com prazos de validade,exceto no Brasil onde bandidos estrangeiros se escondem à vontade.
    Eu sou muito radical, até penso que portadores de dupla nacionalidade não poderiam exercer cargos públicos.
    Onde se esconde a maldita liberdade?
    - No bolso.
    Engana-se que pensa em trabalho, basta ser um bom trambiqueiro.
    Eu movimento minhas parcas economias, pago meu imposto de renda porque sou monitorado
    365 dias por ano, alguns movimentam milhões e precisa-se de investigação para sabermos.
    Onde está a maldita Liberdade?
    - No bolso.
    Para não encher o saco, SEM LIBERDADE NÃO HÁ A TAL DEMOCRACIA.
    NOSSOS DEVERES SÃO MAIORES QUE NOSSOS DIREITOS.
    SEM ISONOMIA SOMOS APENAS ESCRAVOS.
    FUI...

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