domingo, 6 de dezembro de 2020

[Diário de uma caminhada] Marisa Matias, Catarina Martins, Mortágua’s & Associados: a escória moral do nosso tempo


Gabriel Mithá Ribeiro

Há semanas ouvi um humorista, Diogo Faro, que dizia que pintava as unhas para combater o preconceito. Trata-se de um homem branco, português, que na conversa da rádio dava a ideia de querer ser mulher, transsexual, negro, cigano, imigrante, islâmico e todos os que supõe vítimas de preconceitos. 

Declarou uma vontade imensa de mudar as mentalidades, porém, apenas dos da sua pertença identitária, dos portugueses brancos heterossexuais, que deve saber serem pacíficos e predispostos a tolerá-lo. Não ousou propor transformações em dose semelhante para as minorias, mudar-lhes as mentalidades, os segmentos sociais que sabemos conterem indivíduos nada pacíficos, nada cumpridores, nada simpáticos, por integrar socialmente. Sem exigências equilibradas para uns e outros, maioria e minorias, jamais existirão compromissos morais e cívicos minimamente justos. 

Escudada na teoria de que as minorias são vítimas, teoria tão válida quanto o seu inverso, portanto imprestável, de tão infantil aquela conversa na rádio foi extraordinariamente reveladora da cobardia ululante instigada por personagens como Marisa Matias, Catarina Martins, Manas Mortágua & Bloquistas Associados, líderes mentais da esquerda que seduziram a direita fofinha. Quem foge a ter de ajustar o cérebro das minorias por diversas razões, seguramente por medo e ignorância, como que por magia vira suprassumo do justicialismo social com direito a lobotomizar o cérebro da esmagadora maioria dos seus compatriotas portugueses genuínos e, por cima, acaba premiado com muitos e muitos subsídios estatais e votos. 

A técnica de extorsão é infalível em sociedades dominadas durante séculos e séculos pelo dogma ‘Amarás o próximo como a ti mesmo’: umas ideias fofinhas, uns artigozitos nas revistas científicas das ciências sociais, uns textozitos indignados ou lamechas na imprensa, umas palavrinhas a preceito nas rádios, nas televisões ou no parlamento, umas piadinhas aqui e ali e assim – mas sempre em modo de subserviência apatetadamente heroica às minorias. A popularidade do discurso é garantida, ainda que dia após dia a realidade torne salientes as consequências perversas da distopia dos guetos suburbanos à intimidade das salas de aula. 

Freud bem que avisou que amar o próximo como a si mesmo apenas serve quando esse próximo partilha esse mesmo princípio moral. Caso contrário, o sujeito individual ou coletivo arrisca a sua sobrevivência. Sem antes estar garantida uma efetiva base moral comum na relação com as minorias, aquilo que designamos por integração social, é esse o risco que se corre. Em defesa do princípio da realidade, isto é, da sanidade mental (moral e intelectual) da espécie, Freud foi taxativo: Ama o próximo como o próximo te ama a ti. Escreveu isso e justificou a razão em 1930. Se ainda vivesse, o psicanalista ficaria aterrado com os enormes progressos progressistas, passo a redundância, da estupidez humana. 

Roça o nojo continuar a suportar praticantes de uma violência que repõe as características da escravatura limitando-se, na atualidade, a substituir o direito de posse do corpo e do trabalho dos negros pelo direito de posse da sua alma, das suas crenças, das suas identidades, das suas escolhas pessoais, sociais, culturais, políticas. Como se isso não bastasse, tais progressistas modernaços deram um passo em frente estendendo a sua tentação escravocrata a todas as demais minorias que, nos últimos séculos, tinham escapado à escravatura. Basta-lhes autoclassificarem-se como bonzinhos, um direito que Estaline, Hitler, Mao Tsé-Tung e tutti quanti também poderiam ter reivindicado. 

É tempo de tais ladrões de identidades serem convidados a regressar a uma condição humana aceitável. A condição de se limitarem a ser elas e eles mesmos nas suas virtudes e defeitos, a de serem pessoas normais como as outras, limitadas a viver as próprias identidades sem fingimentos histéricos daquilo que não são, sem a apropriação ilegítima das intimidades identitárias dos outros. Pagas pelo saque fiscal a quem trabalha, estas novas carpideiras progressistas não são mais suportáveis. 

Se pessoas pertencentes a certas minorias preferirem guardar para si mesmas a sua intimidade identitária, se preferirem viver no recato, seguir uma via espiritual ou religiosa ou mesmo o silêncio, quem são Diogo Faro, Marisa Matias, Catarina Martins, Manas Mortágua & Associados para se intrometerem com estardalhaço, em praça pública, na intimidade que define a essência e o sentido da existência dos outros? Ao menos, Joacine Katar Moreira ou Mamadou Ba são genuínos, falam em nome próprio, a garantia dos sujeitos inteligentes da raça dela e dele, e de outras raças, poderem demarcar-se desses indivíduos também de forma genuína, sem paternalismos nem condescendências. 

Só quem sofre da patologia narcísica em estado avançado nunca entende que quem fala pelas mulheres, muito em especial para defender as suas causas, são as mulheres; pelos homossexuais são os próprios; pelos negros são os negros; pelos algarvios são os próprios; pelos ciganos os ciganos. Por aí adiante. 

Qualquer destes pode atirar-se aos outros, mas jamais escapará ao julgamento da sua consciência sobre si mesmo. E a consciência de cada qual não apaga a evidência quotidiana de, entre os que partilham a nossa identidade, haver sempre gente justa e injusta, gente boa e má, gente honesta e desonesta, dignos e crápulas, trabalhadores e parasitas, por aí fora. Só nega tamanha evidência no interior das minorias quem não é minoria ou, então, quem não tem sensibilidade humana, quem não admite que o ser humano é sempre complexo, ambivalente, contraditório, orientado pelo livre-arbítrio. 

Só mesmo Diogo Faro, Marisa Matias, Catarina Martins, Manas Mortágua & Associados acreditam que todos os negros sentem e pensam como Joacine Katar Moreira ou como Mamadou Ba, ou que todos os ciganos sentem e pensam como Ricardo Quaresma. 

Ao fazerem o possível e o impossível para silenciarem as dissidências no interior das minorias, quando deveria acontecer justamente o inverso para combater as pressões sociais homogeneizadoras totalitárias, tais sujeitos, aliados às instituições que os escudam, em particular a imprensa e as universidades, representam hoje a escória moral das nossas sociedades. É tempo de as últimas limparem o lixo moral do interior de si mesmas. 

Título e texto: Gabriel Mithá Ribeiro, Vice-Presidente do CHEGA!, 5-12-2020 

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