segunda-feira, 12 de outubro de 2020

O ministro Ricardo Salles fala à Oeste

Ministro rebate críticas e diz que colocou 10 aviões e 6 helicópteros no Pantanal 


Silvio Navarro
e Wesley Oliveira

“O governo de Jair Bolsonaro enfrentará em semanas um bombardeio da opinião pública”, diz o jornal Folha de S.Paulo neste domingo, 11, cobrando a saída de Ricardo Salles do Ministério do Meio Ambiente. Mas foi assim desde o primeiro dia e não é novidade para Salles, que ocupa a pasta-alvo da patrulha de sempre. Num editorial tíbio e deserto de argumentos (sobram vontades ali), o jornal acusa o governo Jair Bolsonaro de uma fumaça que não começou ontem. “A estiagem deste ano no Pantanal é a maior em décadas, a temperatura atmosférica sobe com frequência para a casa dos 40ºC, o que torna tarefa quase impossível controlar as chamas”, diz a própria publicação. Mas a culpa, segundo a Folha, é de Salles. Não é uma área fácil. Nunca foi.

A cartilha do bom jornalismo reza que uma reportagem nasce de uma série de perguntas, ainda que o editorial da Folha já tenha todas as repostas. A revista Oeste fez o caminho correto e enviou algumas perguntas ao ministro. Ele respondeu. 

Hoje, o jornal Folha de S. Paulo afirmou que o senhor tem que sair do governo. A quais fatores o senhor atribui esse posicionamento?
Há evidente engajamento político de alguns veículos da mídia contra o governo Bolsonaro. 

Existe alguma possibilidade de o senhor deixar o governo?
Da minha parte, não. 

Também hoje, o papa Francisco clamou pelo fim dos incêndios no Pantanal. Como o senhor classifica essa conduta do líder da Igreja Católica?
Não me cabe fazer essa avaliação. 

A Comissão no Senado aprovou a ideia de colocar o Pantanal como parte do Conselho Nacional da Amazônia Legal. O senhor acredita que tal medida possa ser benéfica para a região?
É preciso avaliar no que isso poderia contribuir para melhor preservar de maneira econômica e ambientalmente sustentável a região. 

Quais foram as ações efetivas do governo em relação às queimadas no Pantanal?
Por parte do MMA, colocamos 10 aviões air tractor, 6 helicópteros, dezenas de viaturas, aumentamos para 3 mil brigadistas e estamos há quase 2 meses operando. As Forças Armadas e a defesa civil também estão engajadas. 

Quais trabalhos estão sendo feitos em conjunto com o Conselho da Amazônia, comandado pelo vice-presidente Hamilton Mourão?
Temos uma agenda de cinco pilares importantes para preservar uma região com as maiores riquezas naturais do Brasil, porém, com o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, onde a esquerda deixou 23 milhões de brasileiros para trás. É preciso fazer a regularização fundiária, o zoneamento econômico ecológico, O PSA (Pagamento pelos Serviços Ambientais). Lançamos o Floresta+, maior programa de PSA do mundo, colocamos de pé a bioeconomia e prosseguir na fiscalização, mas com equilíbrio e respeito as pessoas. 

Existe algum entrave hoje com os governadores do grupo Amazônia Legal?
Nenhum. 

Diante da pressão por causa das recentes resoluções do Conama, há alguma possibilidade de recuo?
Zero. Fizemos tudo de acordo com os estudos e pareceres produzidos há anos. 

O chefe do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), José Carlos Mendes de Morais, deixou o cargo nesta semana. Qual foi o motivo da saída?
Ele colocou motivos pessoais. 

O jornal Estado de S.Paulo publicou uma reportagem na qual afirma que o governo enviou agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) à Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-25) do ano passado. O senhor tem conhecimento dessa medida? O ministério participou dessa articulação?
Não tinha conhecimento, mas não vejo problema nenhum nisso. Todos os países têm serviços de inteligência que monitoram temas sensíveis e de interesse nacional. 

Título e Texto: Silvio Navarro e Wesley Oliveira, revista Oeste, 11-10-2020, 22h26

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