quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Vantagens de ser Mãe

Sobre a velha máxima que a esquerda tanto gosta de utilizar "Trabalho Igual, Salário Igual" deixo a minha reflexão

Marta Trindade

No dia 11 de novembro assinalou-se o Dia Nacional para a Desigualdade Salarial e de Gênero, dia a partir do qual, virtualmente, as mulheres deixam de ser remuneradas pelo seu trabalho, enquanto os homens continuam a receber o seu salário. Em mesa redonda com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Gênero, a Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, alertou que “as mulheres continuam, inaceitavelmente (?), a receber salários, em média, mais baixos e a ter menos oportunidades de receber melhores salários”, sem verdade seja dita, apresentar qualquer explicação realista, conclusão ou apontar qualquer caminho de inversão.

Em Portugal, as mulheres ganham em média menos 14% do que os homens.

Sabemos hoje que o empreendedorismo e o autoemprego feminino são instrumentos fundamentais para a progressão social individual, mas também para a melhoria do bem-estar social de toda família. Sabemos também que, na nossa sociedade tradicionalmente, são as mulheres que assumem naturalmente as tarefas de “cuidar do outro”. Orgulhosamente.

Quando se aborda o tema do fosso salarial entre homens e mulheres, ouve-se a expressão muito utilizada pela esquerda e extrema-esquerda: Trabalho Igual, Salário Igual. Portugal adotou inclusive uma lei para promover a igualdade de remunerações entre mulheres e homens e para efetivar este princípio desenvolveu um instrumento o Barómetro das Diferenças Remuneratórias entre Mulheres e Homens, que pretende oferecer informação estatística sobre esta matéria.

Mas será, o fosso salarial entre homens e mulheres linear?

As mulheres ganham menos pelo mesmo trabalho, só por serem mulheres? Será discriminação? Uma extensa investigação em muitos países revela que a discriminação apenas explica uma parte do fosso salarial. É um valor real, mas não nos diz praticamente nada sobre as verdadeiras diferenças entre homens e mulheres.

A história em Portugal é semelhante à de muitos países. Até há pouco tempo, a maioria das mulheres, não trabalhava fora de casa. Se recuarmos à década de 50 não existiam muitas mulheres a trabalhar, e as que trabalhavam não tinham a mesma formação que os homens. Não tinham concluído estudos superiores, não tinham as mesmas qualificações ou nem tinham chegado à universidade.

Mas em apenas algumas décadas, uma vaga de mudança começou a desenhar-se. Hoje temos mulheres em todos os setores profissionais… começaram até a superar os homens na formação superior, e atualmente a maior parte dos fatores de disparidade salarial diminuíram, à exceção de um.

Qual é então esse fator que nos faz ser indiscutivelmente diferentes na forma como gerimos as nossas carreiras profissionais?

MATERNIDADE.


Assume-se que são as mulheres as principais cuidadoras, mesmo que sejam médicas, advogadas ou chefes de estado, a sociedade continua a esperar que sejamos nós as principais responsáveis por cuidar da família. Até mesmo nos países mais progressistas, estudos mostram que apenas uma fração da população defende que as mulheres devem trabalhar a tempo inteiro tendo filhos na 1ª infância. Relativamente aos homens, tudo se inverte, 70% dos inquiridos defende que os pais devem trabalhar a tempo inteiro. Será esta uma visão errada e limitada, retrógrada ou machista?

Mesmo quando pai e mãe trabalham a tempo inteiro, a mulher despende mais 9h/semana a cuidar da família do que o homem o que equivale a três meses de trabalho extra a tempo inteiro por ano. Este é o cerne do fosso salarial. E para entendermos, dou como exemplo um jovem casal de arquitetos em início de carreira:

- Ambos são exatamente iguais, têm o mesmo percurso acadêmico, e a mesma experiência e o mesmo talento.

Analisemos o que começa a acontecer, por volta dos trinta anos quando começam a pensar em ter filhos. Se tiverem filhos e pese embora a oferta de equipamentos de apoio à primeira infância exista, um dos progenitores terá de ficar em casa em diversas situações – doenças súbitas, visitas ao pediatra, reuniões escolares etc. Normalmente, a mãe terá de recusar algumas tarefas e dizer não a algumas viagens. Aos 40 anos, muito provavelmente o pai já foi promovido a partner, enquanto a mãe não progrediu na carreira nem aufere o mesmo salário, tem horário flexível, talvez a tempo parcial, e a partir daqui os ganhos entre os dois divergem.

Estudos demonstram como o nascimento do primeiro filho afeta o rendimento de ambos, mas sobretudo e de forma abrupta o da mulher. Se compararmos uma mulher com filhos com uma mulher sem filhos, percebe-se que a disparidade salarial não tem tanto a ver com o facto de ser mulher, mas sim com o facto de se ser MÃE.

A disparidade salarial não é de gênero, mas sim entre mulheres com filhos e as outras pessoas, sejam elas homens ou mulheres. É a família e a maternidade que se penaliza e não o gênero.

Felizmente, a maior parte das mulheres Portuguesas não vê isso como um problema, quer passar mais tempo com os filhos e não se importa de ganhar menos por esse facto. Há quem tome opções profissionais porque quer constituir família e não há nada de errado nisso.

Ao caracterizarmos este fosso salarial como uma penalização, estamos de certa forma a negar que seja essa a escolha da mulher e essa opção é algo valioso tanto para as crianças como para toda a família.

Políticas favoráveis às famílias têm consequências fundamentais para o desenvolvimento econômico do país, e que não têm sido valorizadas.

Se uma mãe tira muito tempo de licença, o que faz o dono da pequena empresa que só tem dois ou três empregados? Não devemos penalizar a mãe, nem as famílias, mas também não podemos penalizar o pequeno empresário. Numa grande empresa a flexibilidade é muito superior e poderá colmatar ausências sem causar prejuízos. É esta sensibilidade que tem faltado aos nossos governantes.

A verdade é que tanto os homens como as mulheres são cuidadores e quem sustenta a família. Medidas como o aumento das licenças de maternidade, incentivos fiscais reais para famílias numerosas, bonificações para jovens para compra de casa, abonos de família mais generosos e que tenham impacto na vida das pessoas, entre variadas outras medidas, podem e devem contribuir para que Portugal resista às agendas dos radicais de esquerda que atacam de forma vil todos aqueles que defendem a família, assim como os valores fundadores da nossa gênese como Povo e Nação.

Infelizmente a política deste governo tem sido promover a imigração fácil para substituição da população, valorizar os de fora e deixar desamparadas as nossas famílias, as nossas crianças e os nossos idosos, ao invés de investir em políticas pró-família e de recuperação econômica que segurem os nossos jovens qualificados e que lhes permita nascer, crescer e envelhecer com qualidade em Portugal.

Obrigada e Bem Haja a todos!

Título e Texto: Marta Trindade, Facebook, 1-2-2022

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