quarta-feira, 6 de abril de 2022

A excomunhão da Hungria

Telmo Azevedo Fernandes

Tal como Portugal, a Hungria apoiou e implementou as mais pesadas sanções de sempre aplicadas pela União europeia à Rússia no seguimento da criminosa e totalmente injustificada guerra na Ucrânia da responsabilidade do agressor Putin.

Ao contrário de Moçambique ou Angola, a Hungria votou favoravelmente a condenação da ONU à invasão da Ucrânia pela Rússia. Ao contrário dos mesmos países, já em 2014 a Hungria tinha votado a favor da condenação da anexação da Crimeia.

A Hungria já acolheu cerca de 400 mil refugiados de guerra ucranianos, diferentemente de Portugal que recebeu 15 vezes menos pessoas.

Todavia, jornalistas portugueses e comentadores televisivos nacionais, assim como a habitual trupe de arrogantes que se passeiam no Facebook e no Twitter, têm a lata de afirmar que a vitória de Viktor Órban nas mais recentes eleições gerais do país (tal como António Costa, aliás, com maioria absoluta) é uma vitória de Vladimir Putin.

Para esta gente que se pavoneia nas redes sociais e nos órgãos de comunicação social a exibir o seu ridículo autoconvencimento de que são os mais humanos dos seres humanos e os mais bondosos dos bons, tudo o que fique aquém de uma resposta militar direta e total da NATO e de Portugal contra a Rússia não é civilizado nem aceitável. Curioso é que nenhum destes patetas tenha deixado o conforto do seu lar ou a proteção do seu teclado de computador para integrar a legião estrangeira que defende o território da Ucrânia. Assim como não se ouviu destes pascácios nenhuma revolta contra as mais do que dúbias posições de países ditos irmãos como Angola ou Moçambique.

Por quê?

Simplesmente porque Viktor Órban é de Direita, nacionalista, conservadora cristã. Esta Direita não é a minha e o homem parece ter pulsões autoritárias e populistas que rejeito. Mas, ao contrário do que se omite na opinião púbica, Órban derrotou a esquerda, mas sobretudo ganhou contra um outro partido, esse sim, radicalmente à direita.

As florezinhas de cheiro do pensamento, zeladores do politicamente correto não perdoam é a Órban ter proibido propaganda de natureza sexual nas escolas, ser contra a legalização do aborto e da eutanásia, crítico das agendas da ideologia de género e dos fatalismos e fanatismos das emergências climáticas. O euroceticismo de Órban e sobretudo a primazia que dá às leis nacionais sobre os regulamentos que uma comissão europeia não eleita popularmente quer impor ao país, não lhe granjeou simpatias junto das elites urbanas bem-pensantes em Portugal. Daí que várias luminárias “comentadeiras” queiram castigar a Hungria ou mesmo expulsá-la da União.

Durante os dois anos da agora esquecida covid, chamaram Órban de negacionista e chalupa. Agora, com crise na Ucrânia chamam-no de putinista e colaboracionista com o regime russo, numa tentativa de segregação e criação de um cordão sanitário entre a direita política que é domesticada e tolerada pela esquerda, e a direita de que os beatos progressistas e globalistas têm receio.

São reflexos da húbris umbiguista e a velha e miserável técnica dos fracos lançarem anátemas sobre quem pensa de forma diversa e tem um diferente entendimento do mundo. Ao excomungarem Órban, revelam a vergonha que realmente têm pela Democracia e sobretudo o medo que têm da liberdade.

Em vídeo, a minha crónica de hoje está aqui.

Título, Texto e Vídeo: Telmo Azevedo Fernandes, Blasfémias, 6-4-2022

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