quarta-feira, 27 de abril de 2022

[Observatório de Benfica] A aberração do PCP, 48 anos depois

Mário Florentino

A seguir à revolução de 25 de Abril de 1974, seguiu-se um período conturbado na política portuguesa. Pouco habituados à democracia, os vários partidos foram-se dividindo entre os que defendiam uma democracia liberal constitucional de tipo Ocidental, e os que não queriam nem por nada esse regime. Entre estes últimos, destacava-se o PCP, e o seu líder carismático, Álvaro Cunhal.

Este partido, aliado do Partido Comunista da União Soviética, defendia abertamente a instalação de um regime totalitário em Portugal. Chegou a temer-se que o nosso país se tornasse na "Cuba da Europa". Felizmente, os democratas não deixaram que esse caminho triunfasse. Mas isso exigiu muita luta, muita resistência, de muitos portugueses corajosos que resistiram aos intentos dos inimigos da liberdade. Liderados por Mário Soares e Francisco Sá Carneiro, e no MFA pela facção moderada (conhecida como o "grupo dos nove") combateram os comunistas pró-soviéticos, em defesa do povo e dos ideais do 25 de Abril.

Essa resistência acabou por triunfar no golpe de 25 de Novembro de 1975, de Jaime Neves e Ramalho Eanes, com o qual a via democrática e liberal pôs um ponto final nos delírios totalitários de Cunhal e dos comunistas, afastando definitivamente o totalitarismo.  Esta história é por demais conhecida dos portugueses da minha geração, embora seja muito pouco conhecida pelas gerações mais novas. E é por isso importante voltar a repeti-la, sobretudo neste ano em que tantos totalitarismos parecem ameaçar de novo a nossa Europa.

O que surpreende é que durante estes 48 anos a grande maioria das elites políticas portuguesas tenham sempre defendido a importância do PCP na democracia portuguesa. Até sectores do centro-direita, alguns ligados ao PSD, nunca se inibiram de proclamar bem alto que o partido comunista fazia falta e era imprescindível à democracia. Ora, os recentes acontecimentos ligados à invasão da Ucrânia pela Rússia, mostram que essas elites políticas estiveram, e muitas ainda continuam, erradas. Um partido que continua, 48 anos depois, a defender regimes autoritários, e que se recusou a ouvir Volodymyr Zelinskyy (que lidera a corajosa luta do povo ucraniano pela Liberdade), não faz falta nenhuma à democracia portuguesa.

Depois de 22 de Abril de 2022, dia em que o Presidente da Ucrânia falou no Parlamento português e foi aplaudido de pé por todos os presentes, a maioria dos portugueses terá finalmente percebido porque é que a existência de um partido comunista num regime democrático é uma aberração e uma contradição. Muito provavelmente este partido não voltará a ter presença na casa da democracia na sequência das próximas eleições legislativas. À semelhança do que acontece, de resto, na grande maioria dos países da União Europeia. Quando os comunistas não tiverem qualquer representação no Parlamento, poderemos finalmente dizer que triunfou o regime democrático idealizado pelos capitães de Abril no "dia inicial inteiro e limpo".

Fica BEM 👍

Eunice. "Fui feliz em tudo o que fiz" é uma das frases conhecidas da grande atriz que nos deixou na semana passada. Trabalhou durante 80 anos, até ao final. Enorme o seu legado artístico e humano. Basta dizer que não foi necessário acrescentar o sobrenome para sabermos sempre de quem estamos a falar. Eunice.

Fica MAL 👎

João Leão. Mais um episódio com um ex-governante socialista que levanta polémica no momento da saída do governo. Desta feita, por ter aprovado, enquanto ministro, um financiamento ao seu futuro empregador, o ISCTE, para onde volta agora como vice-Reitor. Já são tantos os casos similares com ministros socialistas, que já não nos admiramos. Muito mau sinal.

Título e Texto: Mário A. Florentino, Benfica, 25 de abril de 2022 

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