sexta-feira, 29 de abril de 2022

[Aparecido rasga o verbo] Os “Cavalos da História” e seus “Personagens marcantes”

Aparecido Raimundo de Souza 

DOIS AMIGOS ESTUDANTES
de direito resolveram se recolher no silêncio da biblioteca da faculdade para se dedicarem com mais afinco e perseverança aos estudo das matérias curriculares. Para não fundirem a cabeça e ficarem metidos somente nos códigos, inventaram uma brincadeira diferente para distrair as ideias. A diversão escolhida pela dupla, não outra senão a de sondar “quem sabia mais sobre uma determinada questão”. Um joguinho velho, dos tempos das calças curtas em que o “Ronca” era a coqueluche, a moda do momento. A bem da verdade, no fundo, tal evento passou a ter um significado deveras importantíssimo na vida de ambos, o que os levava a lerem mais, a pesquisarem com frequente e atilada assiduidade uma série de livros e compêndios os mais variados para, na hora do “pega pra capar”, o bola da vez não ser o derrotado e carecer, final do entretenimento, meter as mãos no bolso e morrer na conta da cantina cobrindo as despesas. 

Para tanto, assim que se encontravam no corredor de acesso ao espaço reservado às pesquisas e leituras, sorteavam um punhado de papeizinhos escritos com os temas mais diversificados. Ato seguinte, colocavam tudo dentro de um copo plástico, chacoalhavam, e, ao passo seguinte, atiravam para o alto. Apenas um pedacinho de papel deveria ser pego. Este traria à baila o cerne que fomentaria a contenda da tarde. Ficou pontuado o seguinte: o que não soubesse responder as indagações do assunto ventilado arcaria (como já dito) patrocinando uma farta rodada de cerveja acompanhada de um dos inúmeros tira-gostos do cardápio, à escolha e preferência, claro, do ganhador. Em vista de tal pacto, ninguém queria ser o ganhador da medalha do fracassado. Na rodada que se seguiu, bailou a palavra “CAVALO”. No par ou ímpar, coube ao Barcelos inquirir sobre eles, e ao Eduardo, quem os cavalgou. A inquirição precisaria ser objetiva, como a explanação, objetivamente determinada. 

Barcelos (começando): 
— Eduardo, hoje, vou perguntar sobre personagens conhecidos da história, não só da história, da literatura, do cinema, dos desenhos animados, enfim... você deverá me dizer o nome, só o nome do cavalo de cada uma das figuras que eu apontar o patronímico. Posso começar? 
Eduardo (esfregando as mãos bastante seguro de si): 
— Pode e deve. 
Barcelos (certo que se sairia vencedor, o fogo ancestral à todo vapor): 
— Lá vai o primeiro: qual é o nome do cavalo do Fantasma? 
Eduardo (rindo de canto a canto da boca, como se antevisse um orgasmo prestes a se concretizar): 
— Herói 
Barcelos 
— Certa a resposta. Qual o nome do cavalo do Zorro? 


Eduardo (que havia assistido toda a série, mandou brasa com seu coração pisca-piscando deleites e contentamentos): 
— Tornado 
Barcelos (matutando com seus botões: “Na próxima eu pego ele”): 
— Certa a resposta. Qual o nome do cavado de Alexandre, o Grande? 
Eduardo (seguindo sem pestanejar, como se cavalgasse em alucinações nunca experimentadas): 
— Bucéfalo 
Barcelos (meio que preocupado, o peito arfando em acordes descomedidos): 
— Certa a resposta. Qual o nome do cavalo de Napoleão Bonaparte?
Eduardo
— Marengo 

Barcelos 
— Certa a resposta. Qual o nome do cavalo de Dom Quixote? 
Eduardo 
— Rocinante. 
Barcelos
— Certa a resposta. Qual o nome do cavalo do Pica Pau?
Eduardo
— Pé de pano.
Barcelos (totalmente sem graça com a velocidade de Eduardo. “Agora eu derrubo o trouxa”):
— Certa a resposta. Qual o nome do cavalo do general Robert E Lee?

Eduardo (querendo rir do medo engrunhido estampado “vermelhamente” no rosto de Barcelos):
— Viajante
Barcelos
— Certa a resposta. Agora a coisa vai começar a ficar feia para seu lado. A cobra vai fumar...
Eduardo
— Tranquilo. Prossiga...
Barcelos
— Qual o nome do cavalo da Dilma Rousseff?
Eduardo
— Quem não souber pode pegar uma corda e se enforcar. O cavalo da famosa jumenta é o “Zé Povinho”.

Barcelos (“Pura sorte. Essa vai tirar o engraçadinho do páreo”):
— Certa a resposta. Eduardo, qual o nome do cavalo de Nárnia?
Eduardo (Interrogativo):
— De quem? 

Barcelos (satisfeito consigo mesmo. Agora seu amigo iria pras cucuias):
— Da Nárnia. Ou melhor, “Das Crônicas de Nárnia”.
Eduardo (dando um tapinha na própria testa):
— Ah, tá. Foi mal. Não havia entendido direito. O nome do animal é Bri.
Barcelos (de novo a preocupação aflorando endoidecida):
— Certa a resposta. Qual o nome do cavalo de Simón Bolivar?
Eduardo
— Palomo.
Barcelos
— Certa a resposta. Qual o nome do cavalo de Zeus?

Eduardo
— Pégaso.
Barcelos (“nessa ele entrega os pontos”.)
— Certa a resposta. Qual o nome do cavalo de Buffalo Bill?
Eduardo
— Brigham...
Barcelos (se mordendo de raiva):
— Certa a resposta. Qual o nome do cavalo do Máscara Negra?
Eduardo
— Silver

Barcelos (a voz e as mãos, ligeiramente trêmulas):
— Certa a resposta. Qual o nome do cavalo de Durango Kid?
Eduardo
— Raider
Barcelos (coçando a orelha. “A que farei na sequência é fácil demais, porém o degranhento comerá alfafa. Ah, se comerá!...”):
— Certa a resposta. A última, Eduardo. Essa eu tenho certeza, você não saberá. Vou empanturrar a barriga às suas custas...
Eduardo (rindo com a fraqueza antecipada do colega):
— Não me subestime, Barcelos. Manda o fogo. Seja lá qual for o tamanho do incêndio, eu apagarei. Olhe para mim: a sua resposta está aqui na ponta da língua.
Barcelos (rezando para que o colega errasse e, em contrário, que o chão o engolisse):
— Pois bem, seu sabichão: qual o nome do cavalo de Jair Bolsonaro?
Eduardo (pulando de alegria e contentamento, o espírito exaltando em reações impensáveis):
— Não falei? Mel na chupeta. Todo o Brasil sabe de cor e salteado, inclusive os nossos políticos alcunhados de “onestos”. O nome do cavalo de Jair Bolsonaro é Lula.

Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Santo André, São Paulo, Capital. 29-4-2022

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