domingo, 17 de abril de 2022

Pinto da Costa cumpre 40 anos de presidência

Paulo Pinto

Foi a 17 de abril de 1982 (faz hoje precisamente 40 anos) que Pinto da Costa se tornou presidente do FC Porto pela primeira vez.


O ato eleitoral foi, na realidade, uma mera formalidade para confirmar o protagonismo que já tinha na vida do clube. O líder máximo dos dragões nas últimas quatro décadas já era associado desde 1954 e começou por exercer funções de dirigente nas Antas a partir de 1962. Passou pelo hóquei em patins, secção de boxe e foi também o responsável das modalidades amadoras. Subiu a pulso no emblema mais representativo da cidade Invicta até chegar à modalidade principal, o futebol, ele que ditou como exigência na altura o regresso de José Maria Pedroto às Antas, que antes havia sido vetado em Assembleia Geral.

Esta dupla acabou por ser preponderante no crescimento nacional e internacional do clube portista. Foi a partir de 1976/1977 que se encetou uma ligação profícua, ao ponto de os dragões quebrarem a hegemonia que o rival Benfica demonstrava no futebol nacional e ultrapassarem fronteiras, com sete títulos internacionais, num total de 63 troféus.

Esta parceria de sucesso teve o condão de escolher boas equipas e treinadores, que guindaram o FC Porto para um patamar nunca antes visto, sempre num clima de guerrilha contra aquilo que consideravam ser um poder instituído em Lisboa em benefício dos rivais da Segunda Circular - Benfica e Sporting.

Pinto da Costa sobreviveu ao famigerado verão quente, em 1980, ano em que a equipa técnica se mostrou solidária com Pinto da Costa e também foi afastada. Em traços gerais, o presidente Américo Sá, ao iniciar novo mandato, substituiu Pinto da Costa na chefia do departamento de futebol por Luís Teles Roxo e Pedroto reagiu com violência e apresentou a sua demissão, no que foi acompanhado restante equipa técnica e não só.

Quando começou a pré-época de 1980/1981, sob o comando de Hermann Stessl, grande parte do plantel, em solidariedade com Pinto da Costa e indiretamente instigado por Pedroto, boicotou os treinos, que passou a fazer à margem, no Pinhal de Santa Cruz do Bispo, sob a orientação de Hernâni Gonçalves, o Bitaites. As coisas acabaram por se compor e os jogadores regressaram às Antas, com a exceção da estrela da companhia, António Oliveira, o qual, mercê dos bizarros regulamentos de então, conseguiu libertar-se do contrato que tinha com o clube e apareceria pouco tempo depois como treinador-jogador do Penafiel (e na época seguinte rumaria a Alvalade).

Com o slogan 'Se queres um FC Porto forte em Portugal e na Europa', vota na lista B, Jorge Nuno Pinto da Costa, o líder dos dragões prometeu na primeira vitória «colocar ao serviço do clube toda a nossa boa vontade, toda a nossa experiência e saber, para corresponder aos anseios, aos desejos que senti existirem nos sócios».

Título e Texto: Paulo Pinto, A Bola, 17-4-2022, 9h07

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