sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O poder da nostalgia recriada


Isabel Stilwell
O próximo ano pode ser o melhor da sua vida. Não se irrite, porque não é demagogia, nem frase feita tirada de um qualquer compêndio. É mesmo assim, pela simples razão de que o que define a felicidade não depende nem de crises económicas, nem tão pouco, e por muito estranho que pareça, de se viver em guerra ou em paz, com saúde ou doente.
Todos nós podemos fazer o teste: basta deixarmos os pensamentos viajar para o passado, ordenando-lhes que parem naqueles momentos que ficaram registados na nossa memória como grandes momentos, para constatar que estão ligados ao amor, à paixão, a conquistas pessoais importantes, ao nascimento de filhos ou netos, e pouco ou nada à carreira ou à conta bancária.
A psicóloga Clay Routhedge, fez um exercício semelhante, ao coordenar uma série de estudos destinados a perceber a importância da Nostalgia para a saúde mental, concluindo que as pessoas mais realizadas, satisfeitas e optimistas são aquelas que não só têm um passado rico de experiências positivas, como relembram com prazer (e frequência) esses momentos. Esse banco de memórias não é uma fonte de lamúrias, do estilo “ai, antigamente é que era”, mas uma fonte de energia, de quem se orgulha de poder dizer que a sua vida tem sido uma vida cheia, e que assim há-de continuar.

A importância da nostalgia para o recarregar das baterias da alma foi considerada tão importante, que os terapeutas começaram a utilizá-la no tratamento de pessoas deprimidas e excessivamente stressadas, que por alguma razão tinham bloqueado as memórias boas, concentrando-se apenas nas experiências negativas passadas ou presentes. Levá-las a evocar os acontecimentos felizes porque passaram, recorrendo até a álbuns de fotografias para facilitar a tarefa, devolve-lhes o ânimo e a consciência de que a tristeza que sentem não é mais do que um ponto, numa linha que vem de trás e continua muito para além daquela circunstância.
E se assim é, diz Clay Routhedge, então torna-se claro que precisamos de dedicar mais tempo e criatividade a produzir momentos “para mais tarde recordar”, como dizia o anúncio, porque são um seguro de vida para o futuro. E os momentos mais garantidos, são aqueles que trazem ao de cima as nossas memórias felizes, as recriam e transformam também em memórias felizes para os nossos filhos, numa cadeia eterna. Se, como eu, adorava subir à serra para apanhar pinhas, saltando de rocha em rocha, chapinhando nas poças com botas de borracha que ficavam invariavelmente molhadas por dentro, trincando Azedas com o seu sumo amargo, é exactamente esse o programa que deve fazer com a família, novos e velhos, num destes últimos dias do ano. Garanto-lhe que a nostalgia recriada é a arma mais poderosa contra a crise. Bom Ano Novo!
Título e Texto: Isabel Stilwell, Destak, 28-12-2011

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