terça-feira, 6 de novembro de 2012

[O cão tabagista conversou com...] Nelson Ribeiro, o Lâmpada: A minha Carteira de Trabalho tem somente uma assinatura: "Varig"

Nome completo: Nelson Pereira Ribeiro
Nome de guerra: Nelson (da Escala) ou Nelson (Lâmpada)
Quando entrou na aviação: Em 10 de agosto de 1960, na VARIG
Setor(es) onde trabalhou: Diretoria de Operações, Diretoria do Ensino e Diretoria do Serviço de Bordo
Cargos ocupados: Despachante no DO/SDU, Controlador/ Supervisor/ Chefe de Seção na Escala de Voos (Operações – SDUOF), no Departamento de Voo Simulado e finalmente Gerente da Escala de Comissários/Serviço de Bordo (GIGHV) (1990 a 1993)
Quando saiu (Quando se aposentou): em 31 de outubro de 1993, aos 55 anos de idade e 33 anos de VARIG.

A Varig foi o seu primeiro emprego?
O que mais me orgulha é sempre dizer que foi o meu primeiro emprego, e a minha Carteira de Trabalho tem somente uma assinatura: "VARIG". Comecei em 1960, entrei pelas mãos do Cmte. Andrade, que era Assistente do Piloto Chefe, vivi e convivi com tudo que se possa dizer da vida desta empresa. Começou aí a minha vida de aeroviário no Despacho de Tripulantes, que era chefiado pelo Sr. Amil Alexandrino Porreca, com a finalidade principal de atender aos voos da Ponte Aérea RIO/SAO/RIO que haviam se iniciado naquele ano. Este novo setor desafogava o trabalho do Despacho Comercial no pagamento de diárias, encaminhamento das tripulações para pernoite e até a elaboração dos Planos de Voo, que eram assinados pelos comandantes e entregues na sala de tráfego. Era um serviço de corre-corre incessante, pois muitas vezes Congonhas estava com nevoeiro e enrolava toda a programação das tripulações programadas. Nesta época, operavam os CV-240, fazendo a Ponte Aérea e outros voos de linha. Os C-46, voos de passageiros para o Nordeste e carga para todo Brasil.
Foto: Aida Pereira (Jolie)
No ano em que comecei, haviam três DC-3 que faziam voos fretados na campanha dos candidatos à Presidência da República, Jânio, e Lott e do vice Jango. Numa dessas tripulações fazia parte o Amaury Antunes Guedes, na época Rádio Operador de Voo, hoje um ícone importante da nossa luta pelo AERUS. Com a vinda da REAL, o começo foi um pouco confuso, principalmente na parte de tripulantes apelidados de “calças pretas”. Com eles vieram os DC-6, mais C-46, mais CV-340/440 e mais Super Constelations. Logo em seguida vieram os famosos Electras e em seguida a VARIG adquiriu os Avros e com a fusão dos Despachos de Tripulantes fui convidado, pelo então Chefe da Escala Rio, Jorge F. Calvet, a me transferir para a Escala de Voos, isto ao final de 1961. Com a inclusão da Real, a VARIG se transformou em RAI e RAN (Rede Aérea Internacional e Nacional). Uma parte da Escala de Voos era no Rio de Janeiro e outra em São Paulo. Algum tempo depois a VARIG incorporou a PANAIR, aumentando o número de aviões na frota, os dois DC-8, ficando ela absoluta em termos de voos internacionais, pois passou a operar para Europa. No RIO, sob a chefia do Ary Grater, trabalhávamos em conjunto com a Escala SAO. Em POA, berço da Escala de Voos, encerraram as atividades ficando o apoio a ser prestado pelos funcionários de Operações. Nos anos 80 houve diversas modificações de âmbito funcional, isto porque veio a CRUZEIRO DO SUL fazer parte da família VARIG e assim alguns antigos funcionários foram substituídos e transferidos para outros setores. Contra a minha vontade, fui para a Chefia de Pilotos, quando então, me convidaram para fazer parte do Departamento de Voo Simulado, sob a chefia do Neovaldo Gomes, sendo o Cmte. Pinto o gerente geral e lá permaneci por oito anos. Na VARIG tive a oportunidade de ter acesso aos mais diversos cursos profissionalizantes, além disto, entrei para FIJ (Faculdades Integradas de Jacarepaguá) me formando em Administração de Empresas em 1985. Isto aconteceu graças à paciência e apoio dos meus superiores e colegas que me ajudaram a atingir essa meta. Trabalhava na Ilha do Governador (Tubiacanga) em horário comercial e tinha que ir para faculdade em Jacarepaguá, todos os dias, via Centro da Cidade. Apesar das dificuldades, consegui “tirar o meu diploma” que muito me ajudou na minha caminhada “variguiana”.


E quando foi para a Escala de Comissários?
Em 1990, indicado por Antonio Rui Barbosa, assistente do então Diretor do Serviço de Bordo, Edacir Luiz Tombini, assumi a Gerência da Escala de Comissários, substituindo a Comissária Marta Novis e lá, com apoio de Francisco Fernandes e demais funcionários, consegui uma performance profissional inesquecível. Fiquei lá até à aposentadoria em 31 de outubro de 1993 para gozar e viver graças aos benefícios do AERUS, e graças a isto, consegui manter os estudos dos filhos e viver tranquilamente até à Intervenção do AERUS. A minha vida funcional foi sempre muito ligada ao grupo de voo, mas mesmo assim consegui cativar a amizade de inúmeros companheiros de terra que comigo até hoje convivem. É o caso do José Ruel, do Ney Felgueiras, do Gustavo Gotelip, do Luiz Antonio Garay Andrade, do Jofler Lira, Neovaldo Gomes, Prof. Luiz Leite de Medeiros e do saudoso Hélio Baleia grande idealizador do Grupo de Convivência de Aposentados e de tantos outros, não esquecendo a Elisabeth, secretária do Departamento de Voo Simulado, a quem eu devo a montagem da minha monografia que muito me ajudou para formatura na FIJ. Hoje ela é nosso braço direito na APRUS, juntamente com o Fábio.

O que foi fazer ao se aposentar?
Ao me aposentar, passei a trabalhar como voluntário em diversos setores da Igreja Católica. Participei do 9º ECC na Paróquia Nossa Senhora de Loreto (Jacarepaguá), por coincidência Padroeira dos Aviadores. Hoje em dia sou membro da Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Penna, também em Jacarepaguá, participando da Mesa Administrativa da Irmandade. Em 2008, estando com saúde e disposição, fui ajudar na APRUS quando fui indicado para Diretor Social e depois Diretor de Administração. Com muito orgulho, continuo fazendo parte da APRUS, pois fui eleito para o Conselho Deliberativo triênio 2011/2013. Continuo como membro do CRA/RJ e além da APRUS, sou associado da AMVVAR, da ARC, da AAAPRJ, da AATACA e da ANAPAR. É com muita satisfação que estou podendo atuar na frente desta luta pela recuperação do AERUS. Sou casado há 41 anos, tenho um casal de filhos, um Médico Veterinário, a outra Farmacêutica, esta residente em Florianópolis. Tenho um neto do filho e uma neta da filha que está esperando o meu terceiro neto para dezembro deste ano. Minha esposa Maria Teresa, é professora do segundo grau e graças a ela é que estou conseguindo levar a vida, com muita dificuldade, pois sou Plano I do AERUS, recebendo cerca de 8% de que me é de direito, mas sempre com a FÉ de que tudo há de acabar bem para todos nós.  
Na aviação, temos casos e também temos “causos” e se for registrar tudo, terei de escrever por uma semana, quiçá, por um mês inteiro... Quem sabe, um dia eu publico um livro sobre a História da VARIG, história sobre seus tripulantes, que muitos poucos conhecem, a não ser os milhares de seres humanos que lá viveram “in loco”.
A maior gratificação disto tudo, foi agora estar trabalhando junto aos meus colegas aeroviários e aeronautas, revivendo as lembranças do passado e dando uma pequena contribuição na APRUS, sempre com a esperança de que um dia, quando menos se espera, o nosso AERUS retorne, como nunca deveria ter acabado.

Voltando ao início, esse apelido “Lâmpada” tem uma razão, né?
Sim, a razão é que eu estava sempre "aceso". Não me pergunte, pois não sei explicar por ter a minha memória privilegiada, pois na época, hoje já nem tanto, eu sabia de cor ETDS/ETAS (hora estimada de partida e de chegada) de quase todos voos da VARIG e muitos telefones e nomes completos da maioria dos tripulantes técnicos da base Rio. A maior alegria que tive na Escala, quando me indicaram em 1972, era a responsabilidade pela escala dos tripulantes técnicos do B-727, o chamado "boeinguinho", que havia se incorporado à frota da VARIG com aeronaves 0 KM: VLD/VLG/VLH/VLF. Depois vieram outros: VLE, VLQ, VLR, VLS. Mas os 0 KM eram só os quatro primeiros, que começaram a fazer os voos para Fortaleza, Porto Alegre, Manaus, Recife, Miami (via BSB/MAO), México, Ilha do Sal, etc. e posteriormente alguns foram transformados em cargueiros. O primeiro chefe deste equipamento era o Cmte Frank, e o M/V (Mecânico de Voo) Chefe era o Knorre. Foram muitos com quem trabalhei confeccionando a escala. Alguns já se foram, mas não posso deixar de citar pelo menos os nomes de alguns comandantes: Donato, Maraschin, Neves, Eduardo, Arnaldo, Aloisio Franca, Wertheimer, Barreto, Binder, Da Silva, Artur, Chaves, Paulo, Sérgio, Abs, Penteado, Ivan, Jonas, Juarez, Veloso, Feitosa, Molon, Contreiras, Jardim, Schubert, Ponich, Buchalla, Waltemath, Fialho, Paulo, Ney Cunha, Costa Neto, Benitez, Mertens, Binder, Pereira, Guimarães, Ruhl, Luiz Ramos, Valdecir, Franzoni, Heit, Leonel, Kranen, Nicolau, Beaujean, Mello, Eduardo Queiróz, Leidenfrost, Cavedagne, L.Pinheiro, Watson, Ronald, Schutt, Seratti, Veran, Zolin, Venturella, Expedito, Carpes, Hubner, Antonio, Sehn, Fochesato, Delamar, De Paula, Sérgio Gomes, Pellenz, Mateus, Gyuru, Athayde, Paulo Victor, Santi, Reguly, Bacelar, Hervigo, Wlilliam, Bujes, Souza Pinto, Arnt, Ernani, Mateus, Sezefredo, Mauricio, Eduardo Barbosa, Edmar, Arthur Carlos, José Santos, Ediney, Leonidas, Soto, Caran, Ivanor, José Alberto, Vasiliev, Olm e tantos outros aos quais peço desculpa pelos nomes omitidos por esquecimento. E a “copilotada”, que depois vieram a ser comandantes e até hoje mantém contato comigo. Dos Mecânicos de Voo que também foram tantos, com os quais mantenho um vínculo de amizade que até hoje perdura, pois como associado da AMVVAR estou sempre os encontrando nas reuniões da associação. Dava gosto de trabalhar, excelentes equipamentos, sempre no horário. Não me recordo de ter havido algum acidente grave, a não ser um em Recife que só quebrou o avião VLH (não sei bem ao certo), e assim mesmo foi perda de material sendo depois recuperado. Lamentavelmente, quando esta frota de aeronaves foi acrescida com os equipamentos e tripulantes oriundos da CRUZEIRO, eu já não fazia mais parte da Escala, por isso não tive a satisfação de trabalhar na Escala com os que vieram de lá.
Não posso deixar de citar o pessoal do Controle de Voo, dos Despachos de Tripulantes e Comercial, da Coordenação, do Serviço de Bordo, da Manutenção, quanta gente inesquecível...
E aqueles comandantes pioneiros, carinhosamente chamados de “vacas sagradas”: Geraldo, Carta, Omar, Pinto, Azevedo, Lima, Edyr, Mancuso, Canozzi, Lacorte, Saul, Costa, Soly, Nagib, Nelson, Lange, Laffitte, Spohr, Gastão, Sacalabrin, Carlos, Araujo, Jean, Carregal, Holst, Moscoso, Albert, Westarp, Jair, René, Freitas, Achutti, Flemming, Ricardo, Etges, Rudolf, Ozório, Pastor, Retamal, Hugo, Comerlato, Gomes, etc, etc... Lembrando os que vieram da Real: Padovani, Contins, Canário, Sellos, Zomer, Victal, Fuzimoto, Yassuda, Bello,Dário, Galvão, Lloyd. Também tem os muitos que vieram da PANAIR, pena, como disse acima, não posso registrar os que vieram da CRUZEIRO, mas mesmo assim, tenho muito carinho por todos que de lá vieram. Muitos já não estão mais aqui, mas viúvas, principalmente as beneficiárias do AERUS, até hoje me procuram quando necessitam de algum esclarecimento, tal qual eu tentava ajudar seus maridos quando da Escala. Como era bom!!! Tenho muita saudade daquele tempo, onde guardo com carinho a recordação de todos amigos tripulantes. Enfim, vivo muito no passado, no tempo dos CV-240 na Ponte Aérea, dos C-46, fazendo os “pinga-pinga” para o Nordeste, e foi num voo destes, nasceu uma criança e o “parteiro” foi Cmro. Barcelos Xavier. A frota de B-707, de B-737, dos CV-990, dos Caravelles, dos Electras e dos Avros. Do DC-8, onde a bordo deste, sob o comando do Neto e Durval, fui conhecer Miami pela primeira vez em 1971, na minha lua-de-mel. Aliás, uma comissária deste voo ainda encontra-se entre nós, a Tamara. A memória já não é a mesma, mas ela ainda me proporciona muita coisa boa, e ruim também.
Outro fato que não posso deixar de registrar foi quando assumi a Escala de Comissários, em 1990, fiz questão de manter um bom relacionamento com a ACVAR, cujo presidente na época era o Jim Pereira.

Vá lá, conte para nós uma lembrança de coisa ruim…
Uma coisa ruim... Pior é que são tantas, a começar pela saída da Escala de Voos em 1982, mas o adeus ao nosso Presidente Rubem Berta foi bastante triste... Agora, nada é pior do que os acidentes aéreos, fatais, onde morreram muitos dos nossos colegas. Como você já publicou há algum tempo, o caso do VJB que caiu em Lima, onde todos tripulantes e passageiros faleceram e eu comentei o caso do M/V Gonçalves, que eu havia convocado para este voo e depois o dispensei com a chegada do titular que veio de POA. O de Orly, alguns sobreviveram e muitos ainda estão entre nós. O voo que acabou “sumindo”, o cargueiro VLU na rota TYO/LAX… Até hoje tenho na lembrança a imagem daqueles seis colegas que lá ficaram: Gilberto, Peixoto, Brasileiro, Saunders, Nicola e Gusmão. Ruim também, o meu amigo, Cmte. Jonas, que eu conheci como comissário nos anos 60 e chegou a comandante vindo a falecer em Lisboa no quarto de hotel, vítima de um enfarte, quando já estava no B-707. Isto sem contar os colegas, aeronautas e aeroviários que se aposentaram e acreditaram no AERUS e se foram, nestes quase sete anos de Liquidação… Partiram sem poder ter o gostinho de assistir a vitória final...
Outra perda muito sentida, foi quando soube da morte do Cmte. Beaujean, (foi antes de 2006), éramos muito amigos e isso motivou até de eu ser convidado para ser padrinho do seu casamento com a Amália (ex-comissária), que hoje, viúva, reside no interior de São Paulo. Um fato que me abalou muito, quando eu era Gerente da Escala de Comissários (GIGHV), foi o de um comissário, muito gente boa, que foi assassinado em seu apartamento em Botafogo, não me recordo o nome dele, era de cor parda, homossexual e foi massacrado pelos algozes. Nunca me esquecerei, pois recebi os pais dele na Escala.  
Triste mesmo quando há alguns meses atrás, a massa falida da VARIG, leiloou aviões que estavam no pátio do Galeão, entre eles estava o B-727 VLS, que foi leiloado por 23 mil reais, preço de um “fusca”...

Como foi a sua ida para a APRUS?
Tão logo me aposentei, a primeira coisa que fiz, foi me associar à APRUS. Passado algum tempo, resolvi cancelar minha participação. Naquela época, pois não via nada de positivo no trabalho que lá se desenvolvia. Aí acho que errei, deveria me entrosar mais lá com os que lá estavam para tentar ajudar a não deixar chegar aonde chegaram. Em 2008 retornei como associado, e com a eleição do novo Conselho Deliberativo fui convidado pelo Beniamin e Franzoni, para vir fazer parte da Diretoria que iria iniciar o trabalho naquele ano, visando lutar pelo nosso AERUS que estava sob Intervenção. De pronto, aceitei, assumindo como Diretor Social, haja vista o Beniamin ter sido indicado para Diretor-Presidente. Ainda nesta gestão, em virtude do novo Estatuto Social, publicado em 2009, fui indicado para ser Diretor de Administração, ficando em meu lugar como Diretor(a) Social a colega Lea Andreoni. Prefiro não falar sobre o Diretor Financeiro que apesar de ser um homem íntegro, de moral ilibada, foi colocado neste cargo sem ter a mínima noção sobre finanças, tanto que para ajudá-lo foi nomeada uma assessora voluntária que praticamente exerceu o cargo, apesar de contrariar o Estatuto da APRUS, mas isto é passado... As minhas tentativas de pedir colaboração a outras Federações de Aposentados, aqui no Rio de Janeiro, sempre foram contestadas e ignoradas pelo Conselho. Busquei apoio da FAAPERJ e da AAAPRJ, mas sempre colocavam empecilhos, isto nem pensar em apoiar ou participar das manifestações organizadas pela TGV, “Camisas Pretas” ou pelo “Movimento Acordo Já!”, que lutavam pela mesma causa. A Diretoria trabalhava diretamente junto ao Conselho Deliberativo eleito para o triênio 2008/2010, presidido pelo Zoroastro e os conselheiros Franzoni, Valdecir, Herênio e Prof. Medeiros. Inesperadamente o Franzoni veio a falecer, deixando uma lacuna muito grande na nossa equipe. Foi integrado ao Conselho o primeiro suplente, Appolônio Pinto, que logo em seguida pediu demissão, por isso foi convocada a Dra. Carmen à imediata sucessão. Parecíamos unidos, mas não éramos. Foi praticamente um período que apesar de todas estas situações, o grupo, mesmo com as divergências, a APRUS teve um crescimento substancial. Infelizmente, a causa do descontentamento da maioria era a ingerência externa na associação, causando um grande mal-estar e gerando sempre desentendimentos no grupo.

Cinelândia, 12 de abril de 2011. Foto: Paulo Resende
Por quê?
Eram as atitudes ditatoriais impostas pelo Presidente do Conselho, apesar de ser um lutador pela causa AERUS, não era o “líder” que sonhávamos e acabou ficando isolado em seu pedestal, pois gostava de impor a sua vontade e que todos a cumprissem, principalmente as determinações emanadas pelo SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas), envolvendo diretamente a APRUS. Isto deixava os Diretores e demais Conselheiros muito contrariados, pois a retaliação era visível quando não se concordava com ele, chegando a ponto de agendar reuniões com o grupo e ninguém comparecer e ele, solitário, fazia a “reunião” somente com a presença dele (não é piada não, é realidade). O Diretor Financeiro, praticamente afastado por doença e quem gostava de ditar ordens era a assessora indicada ao início da gestão e isto criava uma insatisfação muito grande a todos do grupo. Afinal os associados da APRUS são aeronautas e aeroviários, participantes e beneficiários do AERUS, independente da função que exerciam antes da aposentadoria. Não se podia nem pensar em tocar nos nomes dos que discordavam dos dois. Acabou parecendo que esqueciam que estávamos todos lutando pelo mesmo ideal. Os atritos internos foram muitos, mas, graças a Deus, já passou e é uma página virada na minha vida, e sendo eu cristão, católico praticante, não posso guardar ressentimentos e me perdoem este desabafo.

E quando foi para o Conselho Deliberativo?
Na eleição para o Conselho Deliberativo, em 2011, me candidatei e consegui um honroso segundo lugar na votação, e a maioria dos Conselheiros eleitos, provando aí que estávamos no caminho certo. Infelizmente um dos nossos pediu demissão por motivo de saúde, mas mesmo com a saída deste, ainda ficamos em maioria, Nelson, Herênio e Dra. Carmen, esta atual Presidente do Conselho. E agradeço muito a Deus, porque nós três, estamos bem entrosados com a felicidade de indicar a atual Diretoria Administrativa presidida pelo Thomaz Raposo, tendo como Diretores: Gilberto Brito, Guerrino e Francisca, que com a sua competência e dinamismo se tornou uma figura preponderante em nossa batalha, sempre com muita FÉ, apesar dos contras. Após a eleição, um pequeno grupo insatisfeito com o resultado das urnas, se afastou da APRUS e alguns chegaram a colocar na justiça, alegando irregularidades na eleição, querendo impugná-la. Alguns destes até foram candidatos e tiveram expressiva votação, demonstrando uma tremenda falta de companheirismo. O bom é que a maioria dos sócios, em contrapartida, continuou unida, tanto que esta atual administração conseguiu inúmeros novos associados, pois a APRUS tem obrigações diretas na defesa dos participantes e beneficiários do AERUS já que nos tornamos uma só categoria: APOSENTADOS DO AERUS, independente de ser terra ou do ar.
Cleia Carvalho, 26-10-2010
P.S.: Não podia deixar de citar os nomes de outros valorosos colaboradores com a nossa luta tais como: Dr. Luiz Antonio Castagna Maia, apesar de já não estar entre nós, muito devemos a ele. Aos colegas, muitos não conheço pessoalmente: Rubens Freitas, José Jordão, Curvello, Carlos Edmundo, Wallace, Sadi, Antonio Pinto, Bernardes, Guerrino, Prof. Clovis, Prof. Farina, Cida e Beth (FRB), Paulo Resende, Ivan Martins, Eraldo Leite, Sylvio Araujo, Piloto Cleia, Eraldo Leite, Elnio Borges, Paulo Mauricio, Prof. Medeiros, Osmar Falco, Da Gama, Antenor Cirtoli, Nauro Flores, Bolognese, Nelson Schuller, Dayse Amorim, Aloysio Alberto, Edson Cardim, Honoratto, Sidney Feio, Roberto Haddad, Carlos Pimenta, Geraldo Pimenta, Carlos Lira, Décio Cortez, Fredy Schmidt, Vera de Marchi, Zélia Martins, Léa Andreoni, Edi Oliveira, Lucia Lopes, Graça Carrilho, Graciano Bracco, Waldo Deveza, Eberado Benz, Dr. Viviani, Liz Padoim, Ary Guidolin, Amaury Guedes, Maria João, Carlos Hencke, Elizabeth Oliveira, Georges Henri, Tartaruga, Antonio Roque, José Luis, Jurandir Paixão, Hilton Campo Grande, Jorge Tomás, Arremor, Silva Filho, Guido, Valdoir, Oscar Burgel, Gouveia, Ferraresi, Alonzo, Henri, Luiz, Dockhorn, Vilmar Mota, Vilma Mourão, Zamoura, Ennio Fontes, Cacilda, Rute, etc, etc... Um especial agradecimento a todos os que fazem parte da APRUS/Recife, aos que ajudaram durante anos a APRUS/SAO e também uma grande parte do pessoal de Porto Alegre. Mil perdões pelos nomes de companheiros, daqui e de outros Estados, que por acaso não tenha citado... Não posso deixar de registrar aqui os diversos políticos que conosco colaboraram e continuam nos ajudando nesta caminhada, prefiro omitir os nomes para não vir a cometer injustiças.

O que você achou das últimas manifestações promovidas pelo sindicato petista?
Amaury Guedes, São Paulo, 14 de maio de 2011
Até que tive a intenção de participar. Eu tinha ido a uma reunião, pela manhã, na APRUS, vestindo a camisa com protesto, neste mesmo dia eu tinha audiência marcada no Detran às 14 horas, perdi muito tempo lá e aí achei melhor não ir participar, por causa do curto espaço que eu tinha para chegar ao aeroporto e estava um calor insuportável. Honestamente, os "sindicalistas" fizeram a mesma coisa que eles criticavam no recente passado. Quando outros faziam manifestações colocando o nome de políticos e eles não aprovavam. Desta vez, fizeram a mesma coisa com o Ministro da AGU. Inclusive tem uma passagem em Brasília, quando estávamos fazendo uma manifestação, o colega Amaury Guedes vestiu-se de preto caracterizando a morte, só não foi agredido por um "lider" da "tchurma" porque o pessoal do deixa disso segurou a "fera". Todas as vezes que a Cléia ia fazer seus manifestos solo era duramente criticada por eles. Eu concordo com as restrições ao Ministro "cremado", mas por que só ele? Nunca "cremaram" os lulas, os dirceus, os paloccis, as dilmas, etc, etc... Muitos deles se dizem NÃO PETISTAS, mas, apoiam a sindicalista petista. Honestamente, achei muito estranha esta última manifestação, não que eu não concordasse, mas não entendi muito a razão da malhação... Enfim... Vamos ver se teve algum sucesso...

Você acredita mesmo num “happy end” para o Aerus?
Acredito e tenho muita FÉ. Principalmente acrediando na ajuda do “ALTÍSSIMO”. Quem viver, verá...


Para encerrar, coloco abaixo as palavras do nosso grande líder, Rubem Berta:
"Não quero envelhecer antes de ter construído alguma coisa, algo de que meus descendentes se orgulhem".
Reproduzo aqui parte de um texto do colega Bolognese: “Nós, descendentes de Rubem Berta certamente nos orgulhamos do que ele construiu. Por mais de 75 anos a nossa VARIG foi o orgulho da aviação comercial brasileira. Ele, porém, não viveu para ver o que se passa com seus herdeiros nesse triste começo do século XXI. Ele não podia prever que em 1982 – 70 anos depois do naufrágio do Titanic – os trabalhadores da VARIG, aeronautas e aeroviários, embarcariam numa viagem para o resto de suas vidas, mas não escapariam dos icebergs que iriam aparecer vinte anos depois. Hoje, em outubro de 2012, o drama do Titanic já passou de um século, mas nós, os náufragos desse desastre da aviação agarram-se a qualquer notícia, qualquer boato por insignificante que seja, na esperança de continuarem flutuando apesar dos muitos companheiros que afundam à sua volta”.

11 comentários:

  1. Valeu muito, principalmente por ter colocado a boca no trombone.

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  2. De Amália Beaujean:
    Boa tarde, meu padrinho!
    Li toda a entrevista dada por você ao "cão que fuma", amei, é uma história contada com saudade e com alma.
    Comovida fiquei e também agradecida quando você mencionou o noosso amado 'MATTE LEÃO',ele deve estar dizendo lá em cima "Viu Jonjoca (Jonas), o Lâmpada,não nos esqueceu, nos leva também no coração!"
    Bjo agradecido a você, Varig VIVA!!
    A benção padrinho!
    Amália

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  3. O depoimento do Nelson é verdadeiro e acima de tudo comovente. Suas lembranças com certeza levarão muitos colegas às lágrimas. Para mim, particularmente, foi MUITO importante, pois estou deprimido, já sem esperanças e com a saúde debilitada. No entanto, vendo a imensa FÉ demonstrada pelo Nelson foi como receber uma injeção de esperança. Sei estou errado com este desânimo e a mensagem do Nelson foi uma lição pra mim. Vou procurar segui-la e me animar um pouco.
    Obrigado, amigo, você me ajudou demais com suas palavras.

    P.s - Com essa memória seu apelido não deveria ser " lâmpada ", e sim FAROL !!!!!

    Rubens de Freitas

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  4. De Edmir Simões:
    Caro Nelson Ribeiro,
    Fiquei muito emocionado em conhecer a sua linda trajetória na nossa eterna VARIG. Também passei 33 anos (1970/2003) sempre na Fundação Ruben Berta, onde tive o privilégio e oportunidade de desenvolver vários projetos voltados ao bem-estar e qualidade de vida dos funcionários e dependentes das empresas do Grupo VARIG, uma das maiores preocupações do nosso eterno e admirável líder Ruben Berta.
    Me lembro como se fosse hoje, a sua participação no PPA - Programa de Preparação para Aposentadoria da FRB, na Área Industrial (acredito que em 1992) onde você, muito emocionado, deu um depoimento que deixou todos os integrantes da equipe Multidisciplinar/FRB que desenvolveu este projeto, certos que estavam diante de uma excelente ferramenta de incentivo aos funcionários do Grupo Varig que estavam prestes a se aposentar e curtir vida nova com seus familiares, tendo todo o suporte do AERUS para este novo ciclo que se iniciava. Era para ser assim até o fim de nossas vidas.
    Torço muito para que esta situação de resolva o quanto antes para que nós, das empresas do Grupo VARIG, que conseguimos sobreviver até aqui, possamos retomar nossas vidas, na certeza de que tudo aquilo que foi garantido no Programa de Preparo para Aposentadoria/FRB, seja resgatado e devolvido aos aposentados, que não fizeram por merecer estar passando por momentos tão difíceis.
    Parabéns por sua entrevista, seu carinho e profissionalismo dedicados à nossa Varig.
    Certo de que nosso PAI continua no comando, receba um forte abraço.
    Edmir Simões

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  5. Obrigado pelo depoimento prezado Lâmpada, foi um prazer de ler!

    Eu tive a honra e satisfação de viver 2 dos seus anos à frente da escala do saudoso 727 como um dos "copilas" que você mencionou, e afirmo que até hoje, depois de mais de 33 anos voando profissionalmente (desde 2006 no exterior) jamais conheci um "escalador" mais competente e acima de tudo HUMANO do que você meu caro! Esta foi certamente uma grande "obra para ser lembrado", pois se há algo que jamais esquecemos é a memória de alguém ter se importado com os nossos problemas e necessidades, e eu, além da minha própria, lembro de CENTENAS de depoimentos de colegas salientando em como o "Lâmpada" sempre se preocupava em tentar amenizar ao máximo os grandes e pequenos dramas familiares e humanos que todos nós aeronautas sofremos por toda vida em decorrência desta atividade...

    Para sempre obrigado Lâmpada!!!

    Peter Lessmann

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  6. De Vilmar Lopes:
    Querido amigo Nelson:
    Muito bom o teu depoimento, e melhor ainda a tua memória; estas histórias, fantásticas histórias, deveriam ser seriadas e mostradas ao grande público; provocariam muito fortes emoções, e serviriam como exemplos de cidadania e respeito.
    Abraços deste velho amigo velho (sic)
    Vilmar

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  7. Seu passado e quantidade de amizades já demonstram o que o Nelson é e sempre foi, posso comentar apenas no tempo em que efetivamente o conheci, quando como conselheiro da APRUS se tornou meu braço direito me acompanhando na grande maioria de nossas jornadas buscando sempre o bem estar dos participantes e beneficiários do AERUS e digo com prazer que se tornou no irmão mais velho que não tive transmito meus parabens pelas colocações que fez forte abraço meu irmão
    Thomaz Raposo

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  8. De A. S.
    Incrivel essa entrevista! Gostei muito. Sempre com aquela sensação de dor e ternura pelas lembranças que compartilho com os amados variguinhos. Ontem estava pensando em vocês, estava pensando nas músicas daquela época e nas sensações que tinha ao conviver com vocês. Era muito estranho, o que eu sentia ao ver uma pessoa da Varig acho que não se repete mesmo. É como uma brisa na alma, que dá um leve arrepio.
    E chorei ao me lembrar do hoje. Não é justo. Aquela entrevista descascando o Lula, por não ter ajudado a pioneira diz tudo!
    Mas há um único lado positivo nisso tudo: Agora estamos mais próximos que nunca. Quem sabe um dia eu não reveja o meu grande amor variguinho, "o homem mais lindo do mundo", sobre o qual eu quase nunca falava, pois quando era criança/adolescente tinha vergonha de dizer que gostava de tripulante e de aviação. Mas foi uma paixão avassaladora, platônica, posso assegurar...
    E pensar que hoje trabalho com aviação já há quatro anos. E vejo tripulante todo o santo dia... kkkk!
    Beijos
    A. S.

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  9. De Nana e Luiz
    Amigo querido,
    Foi com muita emoção que li a sua entrevista! Receba, além da minha admiração e orgulho, todo o nosso amor!
    Estaremos sempre com vocês em oração!
    Beijo enorme!
    Nana e Luiz

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  10. Linda a entrevista com o Nelson. Meus parabéns a ele e ao Jim por nos proporcionar a visão de alguém que atuou brilhantemente dentro da Varig. Embora não sejamos amigos, mas toda vez que eu o via nas manifestações do MovJá! pensava comigo - "este é o cara!". Pena não ter dito isto ao Nelson, pessoalmente. Porém, depois desta brava entrevista, farei questão de parabenizá-lo. Valeu, Jim! Valeu, Nelson! Mais um herói no nosso plantel, Nelson Pereira Ribeiro!

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  11. Maria Teresa Pietsch Ribeiro comentou (no Facebook) a publicação de “O cão que fuma”.
    Maria Teresa escreveu: "Muito orgulho em participar destes comentários honrosos; toda dedicação ao longo desta vida voltada para a aviação, em especial para “A Pioneira” só nos enche de emoção a cada palavra de carinho. Foram realizações e amizades que nunca serão esquecidas. Valeu mesmo, bem."
    Maria Teresa Ribeiro

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