sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

[Daqui e Dali] O “2099”: um rapaz endiabrado

Humberto Pinho da Silva

D. Tomás da Câmara era moço destemido e corajoso; defensor aguerrido da monarquia. Não por capricho ou interesse pessoal, mas por estar convencido de que era o melhor regime para a Pátria.


Tinha vinte e um anos – então a maioridade, – e tanto evidenciou-se, e tanto lutou pela causa que abraçara, que acabou por ser preso, arguido como perigoso conspirador.

Meteram o nosso Tomás numa enxovia, que tinha sido recusada, pelos veterinários, para estábulo!… juntamente com outros políticos e presos de delito comum.

Habituado aos carinhos da mãe, a Senhora Dona Eugénia de Mello Breyner da Câmara, o rapaz acalmou a sua ira, e mostrou-se “Muito encolhido e calado”, palavras do jornalista Pedro Correia Marques.

Deram-lhe, então, o número “2099”, proibindo terminantemente de receber visitas. Nem a mãe, mulher de D. João da Câmara, nem o famoso médico, seu tio Tomás Mafra, apesar da influência que tinham, conseguiram permissão de o visitar.

Decorrido dias, depois de ser submetido a severo interrogatório, foi julgado e absolvido; levaram em conta o facto de ter sido bastante afetado, psicologicamente, durante o período que esteve preso. Resolveu Tomás da Câmara exilar-se – seguindo o exemplo de muitos jovens portugueses, – para a Bélgica, onde estudou.


Regressou, mais tarde, ao País, e conseguiu empregar-se na Carris.

Mas, em dia de greve, greve de ânimos exaltados, com tiros e bombas, o nosso rapaz, saltou para o elétrico, e sozinho, “passeou” por Lisboa!…


Dessa aventura obrigaram-no a emigrar para o Brasil, onde veria a falecer com oitenta anos, como figura eminente e respeitada da colônia portuguesa.

Era diretor e proprietário do conceituado Colégio Padre António Vieira, no Rio de Janeiro.



Thomaz da Câmara era o filho mais novo do célebre dramaturgo D. João da Câmara, homem de extraordinárias qualidades morais e figura querida no meio literário e artístico de Lisboa.

A atriz Maria Mattos tinha por ele (D. João da Câmara,) grande admiração e, quando se sentia preocupada, ia junto do túmulo, rezar e pedir-lhe auxílio.

Para terminar, apenas dizer que Tomás da Câmara faleceu no dia 26 de Abril de 1970, vítima de atropelamento numa rua de Botafogo no Rio de Janeiro, quando saía do seu estabelecimento de ensino. Morreu com 80 anos. Foi enterrado no Cemitério São João Baptista, no Rio de Janeiro, cobrindo sua urna, conforme seu desejo, a bandeira da Monarquia portuguesa, à qual foi sempre leal.
Título e Texto: Humberto Pinho da Silva

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