quinta-feira, 11 de junho de 2020

Carta aberta do Arcebispo Carlo Maria Viganò ao Presidente Trump

Domingo da Santíssima Trindade

Senhor Presidente,

Nos meses recentes temos testemunhado a formação de dois lados opostos que eu chamaria bíblicos: os filhos da luz e os filhos das trevas. Os filhos da luz constituem a parte mais evidente da humanidade, enquanto os filhos das trevas representam uma absoluta minoria. E, no entanto, os primeiros são objeto de uma espécie de discriminação que os coloca numa situação de inferioridade moral relativamente a seus adversários, que frequentemente mantêm posições estratégicas no governo, na política, na economia e na mídia. De um modo aparentemente inexplicável, os bons são feitos reféns pelos maus e por aqueles que os ajudam, seja por interesse, seja por medo.

Estes dois lados, que têm uma natureza bíblica, seguem a nítida separação entre os filhos da Mulher e os filhos da Serpente. De um lado estão aqueles que, embora tenham mil defeitos e fraquezas, são motivados pelo de desejo de fazer o bem, de ser honestos, de formar família, de se dedicar ao trabalho, e dar prosperidade à sua pátria, de ajudar os necessitados e, obedecendo a Lei de Deus, merecer o Reino dos Céus. Do outro lado estão aqueles que servem a si próprios, que não detêm quaisquer princípios  morais, que querem demolir a família e a nação, explorar os trabalhadores para tornarem-se indevidamente ricos, fomentar divisões internas e guerras e acumular poder e dinheiro: para eles a ilusão falaciosa do bem estar temporal levará um dia – se eles não se arrependerem  – ao terrível destino que os espera, longe de Deus, na danação eterna.

Na sociedade, Senhor Presidente, estas duas realidades opostas coexistem como inimigos eternos, assim como Deus e Satanás são inimigos eternos. E parece que os filhos das trevas – que podemos facilmente identificar com o deep state a que V. Exa. sabiamente se opõe e que está, nestes dias, em guerra feroz contra o senhor – decidiram mostrar suas cartas, por assim dizer, revelando agora seus planos. Eles parecem estar tão certos de já ter tudo sob controle que deixaram de lado a circunspecção que até agora tinha escondido, ao menos parcialmente, as verdadeiras intenções deles. As investigações em curso revelarão a verdadeira responsabilidade daqueles que manipularam a emergência do Covid não apenas na área da assistência médica, mas também na política, na economia e na mídia. Descobriremos provavelmente que nesta colossal operação de engenharia social existem pessoas que decidiram o destino da humanidade, arrogando-se o direito de agir contra a vontade dos cidadãos e de seus representantes nos governos das nações.

Descobriremos também que os tumultos destes dias foram provocados por aqueles que, vendo que o vírus está inevitavelmente desaparecendo e que o alarme social da pandemia está minguando, tiveram necessariamente que provocar distúrbios sociais, para que fossem seguidos de repressão que, embora legítima, pudesse ser condenada como agressão injustificada contra a população. O mesmo está acontecendo na Europa, em perfeito sincronismo. Está absolutamente claro que o uso de protestos de rua é instrumento para os propósitos daqueles que, nas próximas eleições presidenciais, gostariam de ver eleito alguém que incorpore os objetivos do deep state e que expresse fielmente e convincentemente esses objetivos. Não será surpresa se, dentro de poucos meses, soubermos que, escondidos novamente por detrás desses atos de vandalismo e violência, estão aqueles que esperam lucrar com a dissolução da ordem social para construir um mundo sem liberdade: Solve et coagula, como ensina o provérbio maçônico.

Embora possa parecer desconcertante, os alinhamentos opostos que descrevi também existem nos círculos religiosos. Existem Pastores fiéis que cuidam do rebanho de Cristo, nas há também mercenários infiéis que procuram dispersar o rebanho e entregá-lo para que seja devorado pelos lobos vorazes. Não é surpreendente que estes mercenários sejam aliados dos filhos das travas e odeiem os filhos da luz: assim como existe um deep state, existe também uma deep church que trai seus deveres e renega seus compromissos perante Deus. Assim, o Inimigo Invisível, que os bons governantes combatem nos negócios públicos, é também combatido pelos bons pastores na esfera eclesiástica. Trata-se de uma batalha espiritual, da qual eu falei em meu recente Apelo publicado no dia 8 de maio.

Pela primeira vez, os Estados Unidos têm em sua pessoa um presidente que corajosamente defende o direito à vida, que não tem vergonha de denunciar a perseguição aos cristãos ao redor do mundo, que fala de Jesus Cristo e do direito dos cidadãos à liberdade de culto. Sua participação na Marcha pela Vida, e mais recentemente sua proclamação do mês de abril como Mês Nacional da Prevenção do Abuso Infantil, são ações que confirmam de que lado V. Exa. deseja lutar. E quero crer que nós dois estejamos do mesmo lado nesta batalha, embora com armas diferentes.

Por essa razão, acredito que o ataque que V. Exa. sofreu após sua visita ao Santuário Nacional de São João Paulo II é parte da narrativa orquestrada pela mídia que não busca lutar contra o racismo e promover ordem social, mas agravar os ânimos; não busca a justiça, mas legitimar a violência e o crime; não deseja servir à verdade, mas favorecer uma facção política. E é desconcertante que haja bispos – como os que eu denunciei recentemente – que, por suas palavras, provam que estão alinhados com o lado oposto. Eles são subservientes ao deep state, ao globalismo, ao “pensamento alinhado”, à Nova Ordem Mundial que eles invocam com frequência cada vez maior chamando-a de fraternidade universal que nada tem de cristã, mas que evoca os ideais maçônicos daqueles que querem dominar o mundo expulsando Deus dos tribunais, das escolas, das famílias e, talvez, até mesmo das igrejas.

O povo americano é maduro e entendeu agora o quanto a mídia tradicional não deseja disseminar a verdade, mas quer silenciá-la e distorcê-la, propagando a mentira que útil para os objetivos de seus senhores. No entanto, é importante que os bons – que são a maioria – despertem de seu marasmo e não aceitem serem enganados por uma minoria de pessoas desonestas com propósitos inconfessáveis. É necessário que os bons, os filhos da luz, se unam e façam ouvir suas vozes. E que maneira mais eficiente existe de se fazer isso, Senhor Presidente, do que pela oração, pedindo ao Senhor para proteger V. Exa., os Estados Unidos e toda a humanidade deste enorme ataque do Inimigo? Diante do poder da oração, as enganações dos filhos das trevas cairão, suas conspirações serão reveladas, suas traições serão desvendadas, seu poder assustador acabará em nada, será revelado e mostrado ser o que é: uma fraude infernal.

Senhor Presidente, minhas orações estão continuamente voltadas à amada nação americana, para onde tive o privilégio e a honra de ser enviado pelo Papa Bento XVI como Núncio Apostólico. Nesta hora dramática e decisiva para toda a humanidade, oro por V. Exa. e por todos aqueles que estão ao seu lado no governo dos Estados Unidos. Tenho certeza de que o povo americano se une a mim e a V. Exa. em oração a Deus Todo Poderoso.

Unido contra o Inimigo Invisível de toda a humanidade, eu abençoo V. Exa. e a Primeira Dama, a amada nação americana, e todos os homens e mulheres de boa vontade.
+ Carlo Maria Viganò
Arcebispo Titular de Ulpiana
Ex-Núncio Apostólico nos Estados Unidos da América

Obs.: São denominadas deep state [governo profundo] organizações (militares, policiais, judiciárias, grupos políticos etc.) que trabalham secretamente para proteger interesses particulares e governar um país sem terem sido eleitas.



Via Fratres In Unum, 10-6-2020

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