segunda-feira, 23 de maio de 2022

[Atualidade em xeque] De genocídio a vergonhas diplomáticas. Humanos sendo humanos

José Manuel

Não sou um expert político ou militar, mas como observador atento, consigo perceber que as guerras são a pior peste que a humanidade pode sentir na própria carne.

Nada, nem pandemias virulentas, grandes tragédias naturais, fome e miséria matam tantos seres humanos como as guerras sem o menor sentido.

Estou me referindo apenas às principais guerras do século passado, à atual na Ucrânia e várias outras espalhadas pelo planeta, em nome de nada, absolutamente nada. Racismo, ideologia política e puramente por conquista e anexação de territórios são os temas recorrentes.

Não vale a pena escrever sobre um passado mais remoto ao último século, pois não teríamos espaço para tantas aberrações.

É uma evidência real no gênero humano que começa a guerrear em seu convívio pessoal, família ou amigos.

O ser humano está sempre pronto a arrumar uma encrenca séria e dependendo da educação ou a falta dela, a coisa pode escalar para o que conhecemos.

Elas servem também para mostrar aos mais civilizados, as inúmeras facetas do que um ser humano é capaz e nos dão exemplos do quanto o ser humano pode ir, de criminoso, covarde e sem escrúpulos, a mafioso capaz de usufruir da desgraça de seus semelhantes, sem o menor pudor ou sentimentos.

Estamos vivenciando neste momento algo muito parecido em quatro dimensões distintas e inacreditáveis que estão aos nossos olhos, ocorrendo em pleno século XXI.

A primeira, a invasão, por nada e sem sentido por parte de um mafioso, a um país pacato, pobre e desarmado. E não é a primeira vez que isto ocorre com genocídio generalizado pela mesma nação e politicagem barata, rasa.

O HOLODOMOR, ou a grande fome, ou morte pela fome, praticado por outro genocida da mesma nação invasora de hoje, foi o mais extensivo e hediondo massacre do século XX na Ucrânia nos anos de 1932/33, naquilo que é considerado o crime mais covarde, da nossa civilização, matando propositalmente pela fome dez milhões de seres humanos apenas por discordarem de suas ordens e ideologia. Apesar de toda a desgraça desse bravo povo, muitos ainda desconhecem o que ocorreu naquela área do planeta, onde hoje se trava um extermínio de populações e cidades.

Fez escola, aquele velho criminoso, repassando ao novo criminoso suas ideias de extermínio e anexação.

A segunda, protagonizada pela Hungria como membro da OTAN, mas com tendências pró russas, se negando a fazer boicote ao gás e petróleo, acordado por todos os países membros, para uma ajuda humanitária e militar a um país fronteiriço e criminosamente invadido.

Esquecem, por razões desconhecidas e tendenciosas, da revolução protagonizada por seus ancestrais para se libertarem do jugo soviético, que acabou com os tanques russos, como agora, invadindo Budapeste em 4 de novembro de 1956, matando dois mil e quinhentos húngaros e ocasionando a fuga de mais de duzentas mil pessoas para o exterior.

Não só esquecem, mas atrapalham e vão contra uma comoção mundial em favor da Ucrânia.  Uma vergonha sem par da diplomacia húngara.

A terceira, é ainda pior porque é claramente uma maneira de obter vantagens junto à OTAN, em algumas áreas, notadamente a militar.

A tentativa da Turquia e seu presidente problemático que ora pende para um lado, ora para outro, em boicotar a entrada da Finlândia e da Suécia na OTAN, é claramente imoral e corre até o risco de ser expulsa da organização, pois atrapalha em muito as negociações de paz e tranquilidade para aqueles dois países bálticos.

Usar de momentos tensos como o que estamos passando, para impor condições a seu favor, sem levar em consideração o genocídio que se passa na Ucrânia é outra vergonha diplomática inconcebível.

E a quarta, está aqui muito perto de nós, com a possibilidade de vir a causar a futuro um enorme problema ao Brasil.

As tropas russas invasoras na fronteira com a Ucrânia, e o Presidente do Brasil viaja a Moscou em uma hora totalmente inapropriada, pata tratar de fertilizantes e material militar. Hoje sabemos que existem países na África, por exemplo, com capacidade de exportar fertilizantes para o Brasil sem problema algum, e que o material bélico russo é de terceira categoria.

As imagens estão online, e qualquer criança pode perceber o quão patético é o material bélico russo.

Reações fortes no futuro podem acontecer por parte dos Estados Unidos principal fornecedor de armas ao Brasil, inclusive com um programa de exportação desse material seminovo, num momento em que as forças armadas estão se reequipando.

A diplomacia parece não entender que presidentes são efêmeros, substituíveis, mas o Brasil está muito acima dessas figuras políticas.

Fora é claro, a falta de sensibilidade diplomática para o que estava prestes a ocorrer com a Ucrânia, coisa que o mundo todo já sabia antes da visita oficial brasileira.

Mais uma vergonha diplomática, coisas que só se tornam visíveis em tempo de guerra, mostrando que o ser humano não muda nunca e permanece criando problemas históricos a si mesmo ou ao seu país.

Título e Texto: José Manuel – Glória à Ucrânia

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