domingo, 26 de setembro de 2021

[Observatório de Benfica] Apresentação

Observatório de Benfica é uma coluna semanal às segundas-feiras. Aqui falarei um pouco de tudo. Política, economia, sociedade, cinema, artes, viagens, e o que mais me aprouver. Sempre com ironia, porque "a ironia é a expressão mais perfeita do pensamento", como disse Florbela Espanca.

Mário Florentino, 26-9-2021


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Insécurité et immigration : les liaisons dangereuses

D’après toutes les enquêtes d’opinion, et ce depuis au moins 1945, les Français ont tendance à considérer que les immigrés commettent davantage d’actes délictueux que le reste de la population. Connu pour ne pas pratiquer la langue de bois, le criminologue Xavier Raufer nous aide à démêler le vrai du faux à ce sujet.


La population immigrée est-elle plus impliquée dans des actes délictueux que la moyenne des Français ?

D'abord, permettez-moi de noter que vous ne faites sans doute allusion ici qu’aux infractions de voie publique. Aucun des actes délictueux auxquels on pense quand on parle d’immigration ne concerne les autres domaines de l'illicite que sont par exemple les fraudes financières ou les atteintes à l'environnement. Ensuite, j’attire votre attention sur le fait que les immigrés sont, à l'origine du moins, pour la plupart d’entre eux des hommes jeunes venus « vendre leur force de travail ». On trouve rarement dans de telles aventures, forcément durables et pénibles, de vieilles dames ou des femmes enceintes. Or, la criminalité de voie publique est bien sûr principalement le fait d'hommes jeunes. Chez ces migrants économiques, à distinguer donc des familles qui fuient une guerre ou un cataclysme, les jeunes mâles sont surreprésentés par rapport à la population locale, dont la pyramide des âges, elle, est complète. Quelle que soit l'origine de ces migrants, la proportion de malfaiteurs potentiels en son sein est donc mathématiquementsupérieure à celle de la population autochtone comparable, comprise entre bébés et vieillards.

Voyez les Irlandais à New York : leur première génération se comporta de façon si agitée qu'aujourd'hui encore, la camionnette de police (« panier à salade » à Paris) y a toujours pour surnom argotique Paddy Wagon(en français : « fourgon des Irlandais »). Idem pour les juifs ou les Italiens dans la mafia new-yorkaise des années 1930, qui se sont assagis dès la deuxième génération. Le problème, en France, c’est que ça ne se calme pas, du fait d'incessantes vagues migratoires peu ou pas intégrées.

Enfin, je remarque que tout phénomène massif, mais incompréhensible à première vue, « s’explique » d'abord socialement en mode conspiratif. Du XVIIIe au XIXe siècle, l'économie villageoise devient nationale puis internationale ? Complots juifs ou francs-maçons ! Attentat du 11 Septembre ? Complot de la CIA ou du Mossad ! Et cetera.

Vos contempteurs vous accusent régulièrement d’être le père du concept d’ensauvagement. Est-ce le cas ?

Le sociologisme est à la sociologie ce que l'islamisme est à l'islam : dans les deux cas, d'ignares fanatiques maudissent leurs contradicteurs, faute de pouvoir convaincre. Évitant les termes emphatiques, j'ai parlé une seule fois d'ensauvagement dans la préface du superbe France, orange mécanique de Laurent Obertone (éd. Ring, 2013), qui fit exploser le réel criminel à la face de la bienséance médiatique. Or bien sûr, le terme avait déjà servi. Dès 1950, dans son Discours sur le colonialisme, Aimé Césaire dénonçait « l'ensauvagement de l'Europe » ; en 2005, la politologue Thérèse Delpech publiait L’Ensauvagement : le retour de la barbarie au XXIesiècle (éd. Grasset). Creusons plus profond. La décennie 1970 révèle la passion gauchiste pour ce « sauvage », cet « ensauvagement » sans cesse invoqué. En 1970, Bernard Kouchner signe avec Michel-Antoine Burnier La France sauvage sur les violences politico-sociales dans la France post-1968. À l'époque, Jean-Paul Sartre dirige chez Gallimard la collection La France sauvage, qui publie dix-sept ouvrages anars-maoïstes. Pauvres sociologues-gauchistes : ils ignorent même leur propre histoire.

Est-ce un invariant anthropologique que de considérer l’étranger comme un potentiel facteur de troubles au sein d’une société d’accueil ?

La xénophobie est un réflexe universel, que seule l'éducation réduit et corrige. Pour la France de 2021, que l'essentiel de la criminalité de voie publique soit le fait d'étrangers, ou d'individus d'origine « extra-européenne » aggrave plutôt les choses. Ce n'est pas moi qui le dis, mais le ministère de l'Intérieur. En 2020, deux rapports (police et gendarmerie) sur le crime organisé en France énumèrent tous les groupes criminels à l'œuvre chez nous : excepté les bandits corses de Marseille, sur 400 pages de texte environ, plus un Français d'origine dans les listes ! C'est si criant que ces deux rapports ont été mis en « diffusion restreinte », sans doute pour ne pas alarmer le bon peuple. Mais bien sûr, ces informations nous parviennent quand même…

A genealogia do fanatismo

João Maurício Brás

Cioran, num admirável texto, A genealogia do fanatismo, explica o que sucede quando animamos as nossas ideias com os nossos delírios e estas se transformam em crenças que têm de se concretizar no tempo. Desse modo, surgem as ideologias e as doutrinas e se consumam as farsas sangrentas. As tentativas de realizar o céu na terra têm centenas de milhões de mortes no seu currículo.

Os piores episódios da nossa história, excetuando as catástrofes nacionais e as epidemias e pestes incontroláveis, são o resultado de ideias para salvar o homem. “[...] forcas, masmorras e condenados só prosperam à sombra de uma fé, - dessa necessidade de crer que infestou o espírito para sempre. O diabo empalidece comparado a quem dispõe de uma verdade, de sua verdade.

Somos injustos com os Neros e com os Tibérios: eles não inventaram o conceito de herético: foram apenas os sonhadores degenerados que se divertiam com os massacres. Os verdadeiros criminosos são os que estabelecem uma ortodoxia no plano religioso ou político, os que distinguem entre o fiel e o cismático”.

Cada época com os seus salvadores apresenta-se sempre como a solução final, a derradeira palavra, o viático para a salvação, neste caso na terra. Estes salvadores não perdoam a rejeição das suas verdades e das suas excitações.

A eventual intransigência de um inquisidor dominicano não é menor do que a de uma ativista feminista do século XXI, ou de um movimento antirracista, de um vegan ou de um defensor dos animais.

A salvação desceu do céu para a terra e secularizou-se. As utopias caracterizam-se sempre como distopias, o assustador admirável mundo novo cega ao século XXI com um potencial científico e tecnológico único, o que torna tudo mais aterrador. Autores como Michel Houellebecq, George Orwell, Aldous Huxley, H. G. Wells, Yevgeny Zamyatin, ou J. G. Ballard traçam retratos factuais deste tempo.

[As danações de Carina] Um pouco da história do tango

Carina Bratt

DIZEM OS ENTENDIDOS no assunto que a música do tango tem alguma coisa de diferente, de cativante e de espiritual bailando no ar. Ela prende a alma e embriaga o coração, como uma bebida forte, assim como embebeda os sentidos. Todos os sentidos. A melodia do tango, é doce, evocativa, amorosa, sensual, tudo a um só tempo. Por essa razão, entrou em nossos salões de baile, nos clubes de danças e venceu. Criou mais força e robustez, se fez de raiz profunda, depois do quadro a ‘Dança dos Famosos’, do ‘Domingão do Faustão’, onde vários globais bruxuleavam, aos sons de relíquias famosas, as trocentas cadências, entre elas, claro, o tango e seus compassos conhecidos como 2 por 4.

Aliás, minhas amigas e leitoras, é bom que se deixe esclarecido, o tango é originário de uma cidadezinha conhecida como Rio da Prata e se tornou quase uma doença (doença, aqui, no bom sentido) em pleno século XIX, na voz de seu maior intérprete, Carlos Gardel. Gardel, no início do século vinte, viajou por toda a Europa fazendo com que esse ritmo se espalhasse e explodisse, notadamente em toda a eterna Buenos Aires e Montevidéu. Para o restante do mundo, em pouco tempo, criou uma multidão infindável de adeptos que aderiram e se curvaram aos seus encantos e prazeres.

Os trejeitos que compõem a dança são seguidos de compassos e cadências considerados os mais belos e charmosos. Nada mais gostoso e adorável, vermos um sem número de pares percorrendo os espaços de um canto a outro, ao som mavioso de uma dessas melodias tão cheias de atrativos e pura sedução. Todas nós, nos acostumamos a chamar esse fascínio de: ‘tango argentino’. Procede, a bem de esclarecimento, que foi, de fato, lá na Argentina, que ele se firmou, e, com o passar dos anos, se aperfeiçoou e se notabilizou. Desde então, houve uma metamorfose inexplicável. ‘La Cimparsita’ é uma peça, vamos colocar assim, composta por Gerardo Rodriguez, que não envelhece, não perde a cor nem o viço, não caduca, apesar do tempo de existência.

Em Buenos Aires, surgiu uma avalanche de compositores e cantores como Carlos Gardel que chegou até mim através de meus pais (que tinham todos os seus álbuns) que me deram o prazer de conhecer esse cantor-músico e suas canções maravilhosas em pleno glamour de sua carreira. Carreira, por sinal, vitoriosa que, infelizmente, veio a ser interrompida em face de um desastre de avião até nossos dias considerado inexplicável. Carlos Gardel nasceu em 11 de dezembro de 1890, em Toulouse, na França e nos deixou em 24 de junho de 1935, aos 44 anos, em Medellín, na Colômbia, depois de uma turnê fabulosa que fazia por aquelas paragens.

Qual o nome desta rua?

[Antigamente] O desenho da casinha


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A BBC vai atacar a Brasil Paralelo?

RESPOSTA OFICIAL

A Brasil Paralelo será alvo de uma reportagem da BBC.

De "lavagem cerebral" a possível proibição em escolas, a Brasil Paralelo é tema de matéria sobre canais de Youtube que influenciam politicamente pessoas no Brasil.

A emissora entrou em contato conosco para saber nosso posicionamento sobre o tema.

...Veja tudo o que temos a dizer ⬇

sábado, 25 de setembro de 2021

Luiz Motta mobiliza ex-trabalhadores da Varig

Presidente Bolsonaro, entrevista para a Revista Veja, 23 de setembro

Gilmar Mendes garante que interferência do STF evitou mortes na pandemia


Título e Vídeo: Os Pingos nos Is, 25-9-2021

Alexandre Garcia é demitido da CNN Brasil

Decisão foi tomada após o jornalista voltar a defender o tratamento precoce contra a covid-19

Afonso Marangoni

A CNN Brasil demitiu nesta sexta-feira, o jornalista Alexandre Garcia. “A decisão foi tomada após o comentarista reiterar a defesa do tratamento precoce contra a covid-19 com o uso de medicamentos sem eficácia comprovada”, afirmou a emissora.

Mais cedo, Garcia falava sobre as denúncias contra a operadora de saúde Prevent Senior quando afirmou que os “remédios sem eficácia comprovada salvaram milhares de vidas”.

Em seguida, foi rebatido pela apresentadora Elisa Veeck: “A CNN ressalta que não existe um tratamento precoce comprovado cientificamente para prevenir a covid-19. O que a ciência mostra é que a prevenção, com o uso de máscaras e a vacinação são as únicas maneiras de combater a pandemia”.

Nota da CNN Brasil

“A CNN Brasil comunica que rescindiu o contrato com o jornalista Alexandre Garcia nesta sexta-feira (24).

A decisão foi tomada após o comentarista reiterar a defesa do tratamento precoce contra a covid-19 com o uso de medicamentos sem eficácia comprovada.

O quadro Liberdade de Opinião continuará na programação da emissora, dentro do jornal Novo Dia.

A CNN Brasil reforça seu compromisso com os fatos e a pluralidade de opiniões, pilares da democracia e do bom jornalismo.”

Título e Texto: Afonso Marangoni, revista OESTE, 24-9-2021 20h30

O quadro em que Alexandre Garcia comentava chama-se “Liberdade de opinião” (!?!?)

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Paulo Freire no banco dos réus

Seu grande “mérito” foi justamente esse: transferir para as escolas a velha "luta de classes" marxista, que enxerga apenas "oprimidos" e "opressores" em tudo que é lado

Rodrigo Constantino

Paulo Freire voltou ao centro das atenções nesta semana, com o centenário de seu nascimento. Freire é o Patrono da Educação Brasileira, título que lhe foi conferido postumamente pelo Congresso Nacional, conforme noticiado pelo site da Câmara dos Deputados, em junho de 2012, por iniciativa da deputada Luíza Erundina. A solenidade contou com a presença das deputadas Luiza Erundina (PSB-SP) e Erika Kokay (PT-DF); do deputado Newton Lima (PT-SP); dos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF); do reitor da Universidade de Brasília (UnB), José Geraldo de Sousa Júnior; e do professor da UnB Venício de Lima.

Freire é reverenciado por uma legião de professores e pedagogos como uma espécie de mentor, ou mais, um santo homem que dedicou sua vida à libertação dos fracos e oprimidos. Mas será que foi isso mesmo? Será que sua famosa “pedagogia do oprimido” fez ou faz bem aos mais pobres? É Freire, sem dúvida, o maior responsável pelo sucesso da estratégia gramsciana que disseminou a mentalidade esquerdista por todo o sistema educacional. Seu grande “mérito” foi justamente esse: transferir para as escolas a velha “luta de classes” marxista, que enxerga apenas “oprimidos” e “opressores” em tudo que é lado.

Os alunos deixam de ser apenas alunos, com diferentes características, entre elas a classe social, e passam a ser representantes ou da classe dominante ou da oprimida, num sistema binário, simplista e equivocado. Exatamente da forma com a qual o marxismo destruiu o indivíduo, que passa a ser ou patrão explorador ou empregado explorado, deixando de lado toda a real complexidade da vida. Contra o “fatalismo pragmático” dos “neoliberais”, Freire oferecia a “conscientização”, ou seja, os professores deveriam mostrar as “injustiças” do sistema capitalista, da globalização, conscientizando os alunos da necessidade de luta, de revolta contra os ricos, já que, para ele, a riqueza era fruto da exploração da pobreza, era uma “agressão” contra os desvalidos.

Postura minimamente neutra do professor, que oferece ao aluno diferentes pontos de vista, dá espaço ao contraditório, deixa o próprio jovem desenvolver um pensamento crítico e tirar suas conclusões por conta própria? Isso é uma ilusão que atende somente às elites opressoras. A prática educativa, diz Freire, é política por definição, não pode ser neutra — já que a neutralidade não existe —, e por isso o professor “progressista” pode, deve levar todo seu viés para dentro de sala de aula.

Feito para dar errado

O método de Paulo Freire, na verdade, não é uma proposta de ensino — é um manifesto político do começo ao fim

J. R. Guzzo

Foto: Acervo IPF/Divulgação

A esquerda nacional tentou com grande empenho nos últimos dias, embora com bem pouco sucesso de público, ressuscitar para o Brasil de 2021 um desses ídolos culturais, mais um, que ela fabrica regularmente de tempos em tempos e exige que sejam venerados pelo país inteiro como se fossem os Doze Apóstolos, ou a Santíssima Trindade, ou ambos ao mesmo tempo. Nunca importa, realmente, o que o sujeito fez — sua obra, seu talento ou os resultados concretos da sua atividade. Só interessa, para os agentes culturais do “campo progressista”, a devoção à figura escolhida para o papel de santo. É como na religião, e como em quase tudo o que a esquerda promove. Não pergunte nada; ajoelhe-se e reze. Nessa balada, vão socando em cima do público, com embalagem de herói, as figuras criadas por sua imaginação. A levar a sério o que sai na mídia, nas classes intelectuais e nos “projetos de luta” de ONGs à caça de verbas, são grandes vultos da nossa história. Vai ver de perto e é tudo uísque paraguaio.

Em nenhum momento ficou claro por que, em termos práticos, ele deveria ser louvado

Você está cansado de saber quem são eles todos, pois os comandantes da nossa cultura vêm enfiando o nome de cada um na sua cabeça desde o curso primário — Oscar Niemeyer, o geógrafo Milton Santos, Zumbi dos Palmares e mais do mesmo. Na ofensiva feita agora, o escolhido foi o professor Paulo Freire; decidiram que o Brasil todo teria de prestar homenagem a ele pelo centenário do seu nascimento. O retratinho de Freire apareceu na página de abertura do Google. Uma juíza do Rio de Janeiro proibiu que fossem feitos “atentados contra a dignidade” do professor — pelo que deu para entender, é ilegal discordar do seu “método” de educação, embora a Constituição Federal permita, ao que parece, a exposição de mais de uma ideia sobre o tema. Os “formadores de opinião” lotaram as redes sociais e as mesas-redondas de televisão com uma maciça ofensiva de cânticos em louvor a Freire. Em nenhum momento ficou claro por que, em termos práticos, ele deveria ser louvado — o que, no fim das contas, o homem fez de útil para a educação brasileira, ou para qualquer outra coisa? Nada que alguém tenha conseguido saber até hoje. Mas, como acontece com todos os heróis da esquerda nacional, isso é um detalhezinho à toa; basta dizer que o sujeito é um dos educadores “mais importantes” do país, e mesmo do mundo, e pronto. Importante por quê? Não interessa.

Paulo Freire, segundo o evangelho da esquerda brasileira, é um educador essencial para a alfabetização e para os demais campos da atividade didática neste país. De acordo com os nossos arquiduques culturais, ele criou um “método” de educação — o “método Paulo Freire”, que, por aquilo que nos dizem, é o mais decisivo avanço da cultura humana desde a invenção da escrita. Quando se olha a coisa de perto, porém, não é nada disso. O método de Freire, na verdade, não é uma proposta de ensino — é um manifesto político do começo ao fim. Não se destina, não para valer, a transmitir aos estudantes, de alguma forma mais eficiente que outras, conhecimentos de português básico, de ciência ou das quatro operações matemáticas; serve apenas para socar na cabeça das crianças e adolescentes as crenças políticas do autor. 

Ontem, quase onze mil acessos!

Sim, ontem, sexta-feira, 24 de setembro de 2021, 10 898 gentis pessoas visitaram a nossa revista.

E hoje, sábado, 10h30 (Brasília), já são 4 617.



[Versos de través] Nunca mais

Auta de Souza

...Il n'est plus dans mon coeur  
Une fibre que n'ait résonné sa Douleur.

LAMARTINE - Harmonies

Que é feito de meu sonho, um sonho puro 
Feito de rosa e feito de alabastro, 
Quimera que brilhava, como um astro, 
Pela noite sem fim do meu futuro?

Que é feito deste sonho, o cofre aberto 
Que recebia as gotas de meu pranto, 
Bagas de orvalho, folhas de amaranto, 
Perdidas na solidão de meu deserto? 

Ele passou como uma nuvem passa, 
Roçando o azul em flor do firmamento... 
Ele partiu, e apenas o tormento, 
Sobre minh'alma triste, inda esvoaça. 

Meu casto sonho! Lá se foi cantando, 
Talvez em busca de uma pátria nova. 
Deixou-me o coração como uma cova, 
E, dentro dele, o meu amor chorando. 

Nunca mais voltará... Pois, que lhe importa 
Esta morada lúgubre e sombria? 
Não pode agasalhar uma alegria 
Minh'alma, pobre morta!


Título e Texto: Auta de Souza

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Súplica 
[Versos de través] A uma senhora que me pediu versos 
Amavisse 
Tipos de pele 
O Gondoleiro do amor 

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Mais vale tarde do que nunca

Só agora?

Fra Diavolo

Confesso que foi com alguma surpresa que ouvi Manuela Ferreira Leite [foto] afirmar há dias que o entendimento governativo do OS com a “esquerda radical”, nomeadamente com o Bloco de Esquerda, “é o caminho da ruína do país”.

E acrescentar: “Numa política de esquerda como aquela que tem estado a ser seguida não se pode esperar apoios para a redução de impostos, nem para as empresas nem para a classe média. Portanto, é contra isto que temos de lutar”.

É difícil não concordar com a antiga presidente do PSD. O que é menos fácil de entender é a profunda mudança no seu discurso.

Será esta a mesma pessoa que passou todo o mandato de Pedro Passos Coelho a criticar as políticas de direita e tudo aquilo que o governo PSD/CDS fazia?

Seja como for, saúde-se a nova orientação política de Ferreira Leite, que constitui um verdadeiro ato de contrição depois de uma inexplicável deriva de “centro-esquerda”.

Mais vale tarde do que nunca.

Título e Texto: Fra Diavolo, o Diabo, nº 2334, 24-9-2021

Amizade com categoria

Aristóteles Drummond

Um olhar sobre as relações do Brasil com Portugal no século passado mostra a força da união dos dois povos e a qualidade de seus homens públicos e dos seus contemporâneos que passaram pelo poder. Estadistas de qualidade e uma elite que não se aproveitava da proximidade com o poder. 

Os anos Vargas, no Brasil, coincidiram com os de Salazar, em Portugal. Nunca se falaram, mas respeitavam-se e admiravam-se. E, nos dois países, os embaixadores eram a nata da diplomacia. Quando Plínio Salgado, líder integralista e intelectual brasileiro viveu em Portugal, exilado, de 1938 a 1945, apesar das afinidades ideológicas e até religiosas – é o autor da mais editada “Vida de Cristo” em português –, nunca foi recebido por Salazar, que não queria eventualmente contrariar Getúlio Vargas. Este, por sua vez, fez o Brasil presente com grande pompa na Exposição do Mundo Português, em 1940.  

No governo de Juscelino Kubitscheck, deu-se a maior recepção popular da história a um governante estrangeiro, na visita do Presidente General Craveiro Lopes ao Brasil, com mais de cem mil pessoas para o saudar na Avenida Rio Branco, no centro do Rio. E visitar Portugal tornou-se uma rotina dos presidentes, desde Café Filho. 

Em 1972, foi o presidente Américo Tomás quem levou, num barco da Marinha de Portugal, os restos mortais de D. Pedro I do Brasil, por ocasião dos 150 anos da Independência. Foi recebido pelo presidente Emílio Médici, o mais popular da República, quando fez o Brasil crescer a mais de 10% ao ano. 

Marcelo Caetano, que desde sempre teve amigos e admiradores no Brasil, onde já havia feito mais de uma viagem de carácter particular, quando primeiro-ministro, em 1969, foi ao Rio de Janeiro receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em solenidade que contou com a presença do ministro da Justiça e eminente jurista professor Gama e Silva, que mais tarde veio a ser embaixador em Lisboa. Marcelo estava acompanhado do ministro Franco Nogueira e foi recebido ainda pelo governador do Rio, Negrão de Lima, antigo embaixador em Lisboa e que, anos depois, o acolheu quando do exílio. O embaixador de Portugal era José Manuel Fragoso que, depois do 25 de Abril, veio morar no Rio. E houve um grande almoço no Iate Clube do Rio de Janeiro. 

FMI: economia brasileira está melhor que o esperado

Organismo internacional debitou na conta de 'medidas energéticas das autoridades' parcela do salvo positivo

Cristyan Costa

O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que o desempenho econômico do Brasil tem sido melhor que o esperado. Em relatório divulgado na quarta-feira 22, o organismo avaliou que a melhora do Produto Interno Bruto (PIB) se deu “em parte devido à resposta enérgica das autoridades”. A previsão do FMI para o PIB do país este ano é de expansão de 5,3%, inalterada em relação à estimativa de julho.

“A incerteza em torno das perspectivas é excepcionalmente alta, mas os riscos para o crescimento são vistos como amplamente equilibrados”, observaram técnicos do Fundo, ao alertarem para desafios de longa data para um maior crescimento e inclusão socioeconômica devido à pandemia. “O mercado de trabalho está atrasado em relação à recuperação da produção e a taxa de desemprego é alta, especialmente entre jovens, mulheres e afro-brasileiros.”

Título e Texto: Cristyan Costa, revista OESTE, 24-9-2021, 7h06 

Costa não está bem

Costa e outros responsáveis políticos do Governo e do PS interiorizaram uma ideia de impunidade, de que são os ‘donos disto tudo’, que podem dizer tudo, fazer tudo, e os outros têm de se agachar perante o seu poder.

José António Saraiva

Eu via e não acreditava. António Costa, muito exaltado, muito inflamado, muito suado, vociferava contra o encerramento da refinaria da Galp em Matosinhos, dizendo que era «difícil imaginar tanto disparate, tanta asneira, tanta irresponsabilidade, tanta falta de solidariedade, como aquela de que a Galp deu provas em Matosinhos». 

E ia mais longe dizendo esperar um castigo exemplar «para servir de lição» a outras empresas que queiram fazer o mesmo.

Houve quem dissesse que parecia Hugo Chávez; a mim fez-me lembrar Vasco Gonçalves em Almada no Verão Quente de 1975.

A mesma exaltação, a mesma arrogância, a mesma hostilidade à iniciativa privada.

Pensei: ‘António Costa não está bem!’

Confesso que já tinha ficado chocado há uns meses ao ouvir os ataques feitos por Pedro Nuno Santos à anterior administração da TAP e depois aos acionistas da Groundforce. 

Mas de Nuno Santos já esperamos tudo, após ter ameaçado com voz grossa os banqueiros alemães.

Agora António Costa é primeiro-ministro de um país da União Europeia, é o principal representante do Governo de um país democrático, que supostamente respeita a iniciativa privada e a sua autonomia.

Como poderia estar a falar daquela maneira?

Como podia atacar tão violentamente uma empresa?

Como podia negar-lhe a possibilidade de fazer as suas opções estratégicas?

Um hino à moderação

O projeto do governo que visa a conter as big techs não propõe nada que possa ser considerado como um incentivo ao ódio, à mentira ou ao totalitarismo

J. R. Guzzo

É realmente muito esquisito viver numa época em que a função de lutar pelas liberdades individuais passou a ser exercida, basicamente, pelo governo — e não, como deveria ser, pela sociedade civil, no grande leque de instituições que vai da mídia e da OAB até as entidades de representação profissional e os partidos políticos. Está acontecendo, no Brasil de hoje, o tempo todo. A última manifestação desta anomalia é a batalha, travada nos tribunais e no Congresso, em favor da liberdade de expressão. Quem está a favor da liberdade é o governo. A maior parte daquilo que se chama de “forças democráticas” está contra. Pode?

Foto: Antonio Molina/Foto Arena/Estadão Conteúdo

É assim que o governo, depois de tentar sem sucesso aprovar uma medida provisória, enviou ao Congresso um projeto de lei — agora sim, com tudo direitinho no papel — para limitar a interferência das grandes plataformas de comunicação social na publicação de informações, opiniões ou notícias produzidas por seus usuários. Sabe-se muito bem qual é o problema. A todo e qualquer instante, Twitter, Facebook, Instagram e demais operadores (estrangeiros, todos eles) dessas redes eliminam o que não querem ver publicado. Junto, eliminam os autores, que se veem perseguidos, hostilizados e reprimidos de todas as forças pelos donos do sistema.

As plataformas chamam a isso de “moderação”. O nome real para o que fazem é censura. Ninguém trabalha, no dia a dia da vida real nas redes, num exame criterioso do material enviado para publicação — o que acontece é a proibição e punição sistemáticas de tudo o que consideram de “direita” ou politicamente errado, num arco-íris que começa no apoio aos “atos antidemocráticos” e acaba na tolerância com o “tratamento precoce” da covid. As punições não se aplicam a conteúdos específicos; o sujeito é reprimido pelo conjunto da obra, ou porque a rede não vai com a cara dele, e sempre sem explicação nenhuma. A lei, para tudo, exige que se diga com precisão porque “A” ou “B” está sendo acusado de alguma coisa. Na internet não precisa.

LIVE com o presidente Bolsonaro, 24 de setembro + Análise

[Aparecido rasga o verbo] Na cumeeira do telhado

Aparecido Raimundo de Souza

EPARMINONDAZINHO RESOLVEU
mandar bilhetinhos para Luluzinha, a menina mais bonita da sala. Aliás, não só da sala. Da escola inteira, da rua e do bairro onde moravam. Ele paquerava com ela onde desse pé. Nos corredores, na hora do recreio, na entrada e na saída, na porta do banheiro, na cantina, no instante em que ela se sentava reservadamente para falar ao telefone celular com a mãe. Embora nunca tivessem permutado um toque de mãos, ou um beijinho, o menino insistia em espalhar para seus amiguinhos que ela era a sua namoradinha oficial.

Luluzinha sabia de tais conversas. Não dizia nem sim, nem não, não confirmava, nem desconfirmava. Simplesmente aceitava, de bom grado os olhares compridos, as espiadelas carinhosas e brejeiras pelos corredores. Se sentia lisonjeada e saltitante. Quando as amigas próximas vinham tirar satisfações, saia com elegância estudada, fugia pela tangente, sorria, mudava de assunto. Eparminondazinho, com o passar do tempo, resolveu usar uma tática diferente, com a princesa que povoava seu mundinho vazio e carente, desejoso, todavia, daquela bonequinha charmosa.

Extremamene tímido e pessimista, sempre que queria dizer alguma coisa à adorável, fazia um bilhetinho, ou melhor, compunha um versinho e mandava entregar diretamente em mãos da sua doce amada. O escolhido, não outro, senão o Dirceu, um garoto cadeirante que dava todo apoio ao colega que torcia pelos pombinhos de forma incondicional. Nesse tom de romance solto por todos os poros, logo que a donzela atravessava o portão da escola, o piá chamava o Dirceu. Um dia se excedeu. Foi mais longe. Na emoção, escreveu:
...Você que amo tanto,
Sei não quer me escutar...
para aumentar o meu encanto,
só me falta te beijar...

Luluzinha, de antemão, tinha pleno conhecimento que bastava o Eparminondazinho vê-la em algum lugar dentro das dependências do estabelecimento de ensino, logo a seguir seria procurada pelo Dirceu. Curiosa, ela lia com a rapidez que atropelava a sua alma em festa e respondia, em seguida, igualmente da mesma forma. Aproveitava a boa vontade do coleguinha que se prestava a se fazer de arauto e a esperar para devolver a réplica. Luluzinha se baseava no gancho das palavras que o ‘apaixonado’ lhe endereçava. Num deles, ousou:
...Sem querer te ofender,
Fale o que pensa, de frente.
Caso contrário irá perder,
O meu amor muito ‘eloquente...’.

Eparminondazinho, neste dia, com o sabor adocicado da imediata e inesperada resposta, se abarrotou de alegria. Ficou eufórico. Manhã seguinte foi o primeiro a chegar e o primeiro a entrar em sala. Endereçou uma rápida olhadela à Luluzinha (quatro carteiras atrás da sua) que não desviou às vistas e se manteve firme à fitá-lo. Sem se desfazer do sorriso que bailava em seu rosto, o moleque se acomodou e abriu o caderno. De dentro, em meio às folhas, sacou um papel de guardanapo. E lá, de novo, os acuros do porta-voz Dirceu, na sua barulhenta cadeira de rodas.

[Foco no fosso] Racha cuca

Haroldo Barboza

No dia 18/9/2021, alguns deputados e vereadores do RJ projetaram um “racha” (*) de futebol seguido de um churrasco. Tudo quase pronto para ser realizado na sede social do Flamengo (**) na Gávea. No entanto, alguns sócios (***) conscientes quanto aos riscos de aglomerações em suas instalações, efetuaram um protesto e conseguiram evitar que tal evento fosse concretizado no local. Louvável atitude dos que pagam as mensalidades da entidade e a desejam higienizada. 

Os incautos que deveriam dar exemplo (****), não se deram por vencidos. Partiram para o “ninho do urubu” (*****) em Vargem Grande, onde os atletas de futebol realizam seus treinos regulares. E lá realizaram o arriscado evento. De certa forma, com o aval do Governador, que deu uma passadinha no local para dar um abraço (?) em alguns colegas. 

Para nós restritos a poucos locais disponíveis (tendo de exibir certificado de vacinação), sobra oportunidade de entrar no site rachacuca, onde diversas atividades lúdicas estão disponíveis para nos ajudar a esquecer que pagamos impostos para que estes tipos de gestores definam as normas de “segurança” da população só lembrada nas eleições.  

* = melhor que “rachadinhas” nos gabinetes de muitos pilantras.

** = autorizado pela diretoria para ficar bem com os “parças”; vai que algum descontente dá idéia de abrir CPI para investigar movimentações estranhas em fundo de pensão!

*** = se eles não podem desfrutar do campo por segurança dos demais sócios, por que os aloprados não marcaram uma pelada num lixão da zona suburbana?

**** = Se seguirmos seus exemplos, os cofres públicos entrarão em falência em três meses.

***** = alto risco de se transformar no “ninho das ratazanas”.

Título e Texto: Haroldo Barboza, setembro de 2021

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