sexta-feira, 20 de agosto de 2021

[Foco no fosso] O peso da “seriedade”

Haroldo Barboza

Em 1963, Charles De Gaulle disse com coragem e muita propriedade:

”O Brasil não é um país sério.”

Se ainda estivesse vivo, certamente diria agora em 2021:

”O Brasil é o país dos trambiqueiros”.

Fatos para comprovar tal afirmativa não faltam. Neste breve relato não conseguirei citar nem 0,01% do que anotei durante décadas de incredulidade. Que deixaram de me surpreender quando percebi que o povo acomodado não fica indignado com a impunidade oficializada sob os atentos olhares das “vossas excrescências” que aprovam leis furadas para que eles (e parceiros) não sejam trancafiados. Vamos aos que mais me fazem rir (para não chorar). A galera que mal sabe ler as manchetes de jornais, ainda rotula os quadrilheiros de “espertos” e continua como trouxa, pagando as mordomias das cúpulas governamentais.

1) Motorista bêbado dirige veículo acima de 80 km/h, atropela quinze pessoas e mata umas quatro. Comparece à delegacia, é “indiciado” e aguarda julgamento em liberdade. Dois meses depois está bebendo e dirigindo novamente.

2) Oficiais da PM dão desfalques no hospital da corporação. A maior parte ainda comanda batalhões enquanto aguardam as polpudas aposentadorias.

3) Câmaras de legisladores fazem “licitação” para troca da frota de carros para servi-los, tendo em vista que os veículos em uso já estão com mais de 2 anos de uso. Enquanto isto, ambulâncias e carros da polícia enferrujam nos pátios (e terrenos baldios) por falta de manutenção.

4) Presos condenados recebem auxílio-reclusão sem precisar trabalhar dentro dos presídios. Aliás, trabalham no planejamento de fugas e subornos para terem algumas regalias proibidas.

5) Estacionamento sobre calçadas gera multa ao infrator (“eleitário”), enquanto veículos oficiais estacionam nestas áreas sem constrangimento.

6) Partidos políticos pedem verba eleitoral 3 x maior que a recebida na eleição anterior. Para atendê-los, diversas escolas e hospitais terão seus investimentos reduzidos em mais de 25%.

7) BNDES empresta (a perder de vista) milhões de dólares a países da América Latina, enquanto programas de construção de casas populares se tornam complicados para assalariados de baixa renda.

8) Centenas de impostos burocráticos (com pagamentos facilitados) espantam investidores que poderiam alavancar o programa de redução do desemprego nacional.

9) Alunos da rede municipal são “aprovados” mesmo sem saber escrever o próprio nome com letra discursiva. Se souberem ticar um “X” na cor mais exibida no papel, recebem nota 8 e “passam de ano” sem 2ª época!

Não vou começar a gastar dois algarismos para os próximos exemplos.

Cada leitor, gentilmente, acrescente cinco fatos ao que já estiver elencado.

Dentro de dois anos teremos um livro para enviar ao governo da França, para ser colocado no colo de uma estátua do bravo De Gaulle.

Antes, conferir se o peso do documento pode derrubar o monumento escolhido.

Título e Texto: Haroldo Barboza, agosto de 2021

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Esquentando a revolta 
A 4ª “onda” pode chegar em agosto 
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Embromações - capítulo 3 
Embromações - capítulo 2 

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