quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

FC Porto recebeu e venceu a Juventus por 2-1 nos “oitavos” da Liga dos Campeões

Foi um FC Porto à FC Porto aquele que se apresentou ao serviço na primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Na noite desta quarta-feira, no Estádio do Dragão, os detentores do triplete nacional bateram a eneacampeã italiana Juventus por 2-1 graças a uma grande demonstração de estaleca europeia e de um enorme espírito batalhador que deixa a vantagem (mínima) do lado portista para o jogo de volta no próximo dia 9 de março, em Turim.

Depois do empate caseiro no dérbi da Invicta, Sérgio Conceição alterou quatro peças no onze dos Dragões. Saíram Diogo Leite, Malang Sarr, Fábio Vieira e João Mário para dar lugar às entradas de Mbemba, Zaidu, Matheus Uribe e Otávio. O único embate entre dois emblemas campeões europeus na abertura da fase a eliminar da liga milionária dificilmente podia ter começado de melhor forma para os vencedores da prova em 1987 e 2004. Ainda antes dos noventa segundos, Bentancur fez um atraso arriscado para Szczesny e Mehdi Taremi aproveitou. De carrinho, o iraniano bateu o guardião internacional polaco e inaugurou o marcador no reduto portuense. 

A partir daí o FC Porto comprovou que a excelente entrada não era fogo de vista e mostrou-se muito aguerrido, com grande disponibilidade física e fortíssimo nos duelos, perante uma Juventus que parecia algo alheada da cimeira luso-italiana. Ao quarto de hora, os transalpinos ainda não haviam efetuado qualquer disparo e os portistas mantinham-se extremamente compactos. 

Tal ficava demonstrado sempre que os bianconeri tentavam sair a jogar curto a partir de trás: o FC Porto subia as linhas e colocava a formação de Andrea Pirlo em sérios apuros. Quando a vecchia signora optava por bater longo na frente, as bolas perdiam-se pela linha lateral. Já com Demiral no posto de Chiellini – que entregou a braçadeira juventina ao ex-portista Alex Sandro – Marchesín foi chamado ao jogo pela primeira vez e negou o empate com uma grande intervenção. Até aí, o guarda-redes que figurava no top dos menos batidos da atual edição da “Champions” apenas tinha aparecido para encurtar os espaços nas costas da defesa da casa. 

O início da segunda parte pareceu ter sido tirado a papel químico do da primeira. Após excelente combinação pela direita do ataque, Manafá galgou metros até à área forasteira e serviu Marega. De frente para a baliza, o maliano não vacilou e fez o 2-0 para gáudio dos companheiros em campo e na bancada. De seguida foi a vez de Matheus Uribe exibir toda a sua qualidade ao negar, com um corte de carrinho dentro da área azul e branca, um ataque promissor conduzido por Kulusevski. Dois minutos depois, Sérgio Oliveira arrancou sozinho pelo corredor central e concluiu a iniciativa com um tiro de pé esquerdo desde a meia-lua que Szczesny agarrou facilmente. Regressado de lesão, o desgastado Otávio foi rendido por Luis Díaz e Pirlo também mexeu no elenco e no sistema tático. 

A Juventus passou de um 3-5-2 com Danilo a fazer de terceiro central e Chiesa como ala direito para uma linha fixa de quatro atrás com Chiesa na esquerda e Kulusevski na direita do ataque. Pouco depois, Grujic rendeu o também exausto Marega e Tecatito Corona tentou marcar o golo da noite de pontapé de bicicleta. Contudo, o mexicano viria ser-lhe assinalado fora de jogo. Obrigado a sujar o equipamento pela segunda vez, Marchesín voltou a negar o primeiro aos visitantes quando decorria o minuto setenta. Volvidos cinco minutos, Matheus Uribe fez-se rogado mas Sérgio Oliveira não. O colombiano serviu o colega de posição para este tornar a disparar à figura desde a meia distância. 

Dentro dos derradeiros dez minutos, o subcapitão do FC Porto bateu um canto na esquerda do ataque e Marko Grujic cabeceou à malha lateral. No ataque seguinte, Rabiot aproveita o espaço que lhe foi concedido pela esquerda e cruzou atrasado para Chiesa aparecer ao segundo poste e, de primeira, reduzir a desvantagem para a Juventus. Até ao final, Francisco Conceição entrou juntamente com Loum e estreou-se na maior competição de clubes do planeta com apenas 18 anos. Depois de Alex Sandro ver a cartolina amarela após impedir Mehdi Taremi de arrancar praticamente isolado rumo à sua baliza, o desaparecido Cristiano Ronaldo pediu penálti na área do FC Porto, mas o árbitro Carlos Del Cerro e o VAR não consideraram existir qualquer infração. O apito final do juiz espanhol selou um triunfo do campeão português diante do homólogo italiano que, por incrível que pareça, pode ter sabido a pouco às hostes da Invicta.

Fonte: FC Porto, 17-2-2021, 22h25

Um comentário:

  1. Bom dia,

    Sérgio Conceição terminou o jogo de ontem com “um amargo de boca”, e é provável que esse sentimento tenha sido comum à esmagadora maioria dos portistas. Esse desconforto, com tudo o que implica de menos agradável, mais não é do que uma prova da dimensão do FC Porto: um clube que é grande ao ponto de não se contentar com uma vitória por 2-1 sobre uma das melhores equipas do mundo.

    É certo que alguns, em Portugal, talvez pouco satisfeitos com o sucesso dos campeões nacionais, já se apressaram a matizar o valor da Juventus, mas os factos são o que são: o clube de Turim chegou ao Estádio do Dragão com um registo de três vitórias em três jogos disputados fora de casa na Liga dos Campeões, com um agregado de 9-1 entre golos marcados e sofridos e até um triunfo por 3-0 sobre o Barcelona, em Camp Nou. Um candidato ao título europeu que o FC Porto derrotou com mérito e justiça inquestionáveis.

    A entrada perfeita dos azuis e brancos em cada uma das partes – na primeira, Taremi só precisou de um minuto e um segundo para marcar; depois do intervalo, Marega faturou aos 19 segundos – não explica tudo. Globalmente, como analisou Sérgio Conceição, os atletas do FC Porto protagonizaram “um jogo fantástico”, “interpretaram da melhor forma o que foi planeado” e exibiram “uma organização defensiva muito forte”.

    O golo dos eneacampeões de Itália foi, por isso, a nota mais negativa do encontro – a origem do tal “amargo de boca”… –, ainda assim insuficiente para diminuir a categoria de um triunfo que foi apreciado e festejado, mas não é embandeirado em arco: “Estamos a meio da eliminatória e vamos ter um jogo dificílimo em Turim”, já preveniu o treinador.

    Em sintonia, os jogadores que se pronunciaram destacaram que a vitória foi justa e resultou de uma exibição que deve deixar todos orgulhosos, ideia que Sérgio Oliveira sintetizou com simplicidade: “Fomos uma equipa de verdade”. E é isso que Sérgio Conceição espera, como também advertiu, que venha a acontecer nos próximos jogos das competições nacionais, uma vez que é preciso “ter sempre esta atitude e mentalidade”.

    Isso passa, em grande medida, por encarar a deslocação à Madeira da próxima jornada do campeonato como “uma final”, ou, se se preferir, mais um encontro da melhor competição de clubes do mundo: “Agora a nossa Champions é na segunda-feira com o Marítimo”. Até lá, também convém descansar, e por isso hoje é dia de folga. O trabalho no Olival é retomado amanhã às 10h30.

    Até amanhã,

    Diogo Faria – Dragões Diário
    dragoesdiario@com.fcporto.pt

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