terça-feira, 18 de maio de 2021

Contos loucos dos moucos (LIV) – São Larapial

Fazia um belo dia de sol na República Democrática Antifascista de São Teúdo Fornido. Era quase 1h da tarde quando Oswaldo chegou em casa para almoçar. Beijou a mulher e a filha. E foi lavar as mãos.

Almoçando, assistia às notícias da manhã no canal GLOBT quando ouviu um ministro da mais alta corte inquisitorial da república explicar que um ex-presidente que teria recebido generosos pacotinho de notas monetárias, além de coberturas, chácaras, sítios, quitinetes e ‘matadouros’, e que por isso fora preso e condenado por um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze juízes, já não era mais condenado, nem culpado, nem preso, por decisão dessa alta corte de horrores. Era um mártir, um santo, São Larapial, que aquela corte redescobrira e resgatara.

Oswaldo quase se engasgou e soltou “que filho da Palice esse sapão togado!”.

Engoliu as últimas garfadas de feijão, linguiça e cebola, e foi se sentar em frente ao computador. Ligou a câmera e começou: “Ó cabeça de ovo, seu moleque!...”.

O vídeo foi visualizado por milhares de pessoas. Dentre estas, algumas outras “cabeças”: de piroca, de veado, de gordo sabático, de pintassilgo saltitante etc.

A primeira das cabeças, porque sim, porque lhe apeteceu, mandou prender Oswaldo. Que está preso, aleijado, continua preso. Continuará preso até acabar a apetência do ‘cabeça de ovo’.

Enquanto isso, São Larapial, cada vez mais gordinho e rosadinho exibe debochadamente seu cinismo e falta de caráter. 

Anteriores: 
(LIII) – Era de manhã 
(LII) – Nunca mais esqueci aquele sinal 
Je ne parle pas français 
(L) – 27°C 
(XLIX) – Datas comemorativas 

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