sábado, 16 de outubro de 2021

O remédio que prevenia as mortes por hemofilia – mas não do jeito que você pensa

Detalhes sobre caso envolvendo a Bayer só vieram à tona quase duas décadas depois

Paula Schmitt 

No começo dos anos 80 o mundo estava com medo da aids. A nova doença causava terror em muita gente, principalmente na comunidade gay e entre usuários de drogas injetáveis, dois dos grupos mais suscetíveis à contaminação. Mas em 1982 a doença também começou a matar hemofílicos – pessoas cujo sangue tem dificuldade em coagular, e que, portanto, têm maior risco de morrer de hemorragia interna.

Até então ninguém suspeitava, mas o que estava matando esses hemofílicos não era seus hábitos sexuais nem o compartilhamento de seringas. De fato, a culpa não era nem da própria hemofilia, a doença que eles herdaram geneticamente.

O que começou a matar essas pessoas foi exatamente o remédio que lhes prometia salvar a vida, o Factor VIII, um concentrado de plasma sanguíneo exportado dos Estados Unidos com o vírus HIV.

Essa história – pouco conhecida e bem pouco divulgada pela mídia, principalmente a brasileira – tem detalhes que desafiam a credulidade. Um deles é o seguinte: a Bayer (dona do laboratório Cutter, fabricante do Factor VIII) continuou vendendo o produto fora dos Estados Unidos mesmo sabendo que ele estava contaminado com o vírus da aids, e mesmo tendo uma versão do produto que já não corria o risco de estar contaminada.

Outro fato consegue ser ainda mais sórdido: funcionários do próprio governo norte-americano sabiam dessa atrocidade, e optaram por encobrir o crime e escondê-lo não só dos cidadãos que pagavam seus salários, mas também de deputados e senadores. Mas essa história contém uma lição talvez ainda mais relevante, e que precisa ser sempre lembrada: a de que a verdade às vezes leva muito tempo para ser revelada.

(...)

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