terça-feira, 26 de outubro de 2021

[Dossiê: A Democracia] O fascismo no século XXI

Aristóteles Drummond

Uma das fraudes ideológicas de nossos tempos tem sido a insistência com que as esquerdas, em geral, denominam de “fascistas” aqueles, que não apenas são democratas, mas estão permanentemente atentos às manobras para a implantação de regimes à imagem e semelhança de Cuba, Venezuela, Nicarágua e, agora, Peru. A geografia da fome, miséria e regime policial é esta.

O fascismo foi criação de Benito Mussolini, consolidado com a Marcha Sobre Roma, em 1923, e terminou com ele, quando executado covardemente a 30 de abril de 1945. Os que se identificavam com os regimes de direita da época, Portugal e Espanha, em especial, tiveram natural afinidade com a grande obra fascista realizada na Itália, que viveu entre 1923 e 1939 os seus melhores anos. Infelizmente, as esquerdas dos EUA influentes – pois tinham a proteção de Eleonor Roosevelt, que chegou a ter a simpatia de Josef Stalin –, o regime de Chamberlain, em Inglaterra e a confusão socialista que reinava na França atiraram o líder italiano para os braços do monstro alemão.

As afinidades das direitas, que prevalecem até hoje, que estavam no poder em países europeus e latino-americanos, incluindo o Brasil de Vargas, estiveram sempre ligadas a políticas de segurança pública (saudades!), ordem social sem greves, invasões e atos de violência, mais a defesa da propriedade, do livre empreendimento e dos valores da civilização judaico-cristã, com políticas sociais justas e responsáveis.

Os regimes de direita costumam ter certa proximidade, quando não exercidos por militares, mas a gestão obedece mais ao mérito do que a indicações políticas. E políticas económicas de austeridade, pois conservadores, pessoas, empresas ou Estados, costumam pagar suas contas.

E a reconstrução da Itália – com o seu crescimento industrial e agrícola, as conquistas trabalhistas na área da legislação (a Carta del Lavoro é base de todas as leis laborais vigentes no mundo ocidental), a transformação de Roma, que o Duce encontrou em ruínas, os primeiros bairros populares do mundo e a criação do Estado do Vaticano – foi feita nos 16 anos de intenso trabalho do ditador. Procura-se, hoje, ocultar, mas despertou a admiração do que havia de melhor na sociedade europeia e latino-americana. E nos EUA, onde Nova Iorque era a segunda cidade de população italiana – São Paulo era a terceira. Os jornais da época e os livros publicados atestam este reconhecimento mundial.

Agora, a neta Rachele, que tem o nome da avó – exemplar italiana, que recebia na sua Villa Torlonia, finalmente aberta às visitas do público, o Padre Pio, dado o seu catolicismo –, acaba de receber novo mandato em Roma, sendo, desta vez, a mais votada da cidade. Os jornais ficaram a explorar o facto de haver “um renascimento de fascismo”, no tradicional delírio esquerdista. O mundo sabe que o regime monstruoso foi o nazismo, mas as esquerdas atacam o fascismo, pois ele deu bons resultados, inclusive nos seus semelhantes, como foram os casos do Estado Novo de Portugal e do Brasil e os anos Franco em Espanha.

A vereadora Rachele declara com frequência que, sem prejuízo ao respeito pelo avô ilustre, o seu ideal já não existe, apenas os bons feitos e bons exemplos. E como os romanos sabem o quanto devem a estes anos, é natural que prestigiem a neta, que tem sido correta no exercício da função pública.

Rachele é filha de Romano Mussolini, que viveu em Buenos Aires como pianista de casas de jazz. Nada parecido com a vida das filhas de Chávez, do filho de Fidel, que mora em Barcelona, da fortuna dos Kirchner na Argentina. Sem falar na corte de Lula no Brasil.

O fascismo morreu com seu criador, assim como o salazarismo, o getulismo e o franquismo, mas permanecem suas ideias e suas realizações. O comunismo é que está vivo, a assustar investidores, a promover greves para sabotar o turismo, levar empresas aéreas à falência, desestimular o emprego pelos impostos e leis laborais absurdas.

Só não vê quem não quer!

Título e Texto: Aristóteles Drummond, o Diabo, 23-10-2021

Anteriores: 
Capítulo 2: criação da Biacoop 
[Dossiê: A Democracia] Capítulo 1: legenda e agenda 
Que reste-t-il de la démocratie ? Tout, hélas 
Quand l’oligarchie réinvente la démocratie 
Refonder la démocratie 
[Dossiê: A Democracia] O que é democracia? 
[Dossiê: A Democracia] Apresentação e Convite
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não aceitamos/não publicamos comentários anônimos.

Se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-