domingo, 11 de janeiro de 2026

[As danações de Carina] O bom de ser velho quando chegar nosso tempo de velhice


Carina Bratt

RECEBI DA BÁRBARA, uma amiga de WhatsApp. Estamos numa idade muito elegante. Temos praticamente tudo o que queríamos possuir há 60 anos, ou até mais.

Não vamos mais à escola nem ao trabalho.

Temos mesada mensal do INSS e moradia digna. Construímos isso com o suor de nosso rosto, sem roubar de ninguém. No nosso tempo, os ladrões de colarinho branco nem colarinho usavam.

Não somos forçados a chegar em casa na hora. O papai não nos espera atrás da porta, disfarçado de relógio cuco com uma cinca nas mãos.

A nossa esposa não nos força a fazer sexo. Prefere dormir de conchinha ouvindo Carlos José, Inezita Barroso ou Caçulinha.

Alguns de nossa estirpe têm carteira de motorista e até carro próprio. Serve para nossos netos gastarem a gasolina as nossas custas.

Gente da nossa idade não tem medo de engravidar ou morrer de doença venérea pegando uma novinha no puteiro da esquina.

Já temos sorte de estarmos quase velhos, todavia, sem a preocupação de quem vai fazer os preparativos para quando o carro da funerária bater na nossa porta.

Então, senhoras e senhores da minha idade. Por conta, a vida, à nossa vida é ótima! A vida é estupenda e maravilhosa. Além disso, somos incrivelmente mais cultos e inteligentes. Sabemos coisas que muitos doutores diplomados não fazem a menor ideia. 

Nosso cérebro é mais lento, mais vagaroso, caminha num devagar quase parando, porque bem sabemos, está sobrecarregado de conhecimentos vastos.

Não somos, de forma alguma, burros ou estúpidos, apenas temos que procurar por mais tempo os fatos necessários entre toneladas de conhecimentos e experiências.

São muitas coisas acumuladas no armazenamento da nossa cabeça, que, aliás, pressionam os ouvidos internos. Em face desse inconveniente, às vezes temos dificuldades de audição.

A coisa toda funciona como um disco rígido de computador ficando lento porque está cheio de arquivos. Nosso cérebro não está mais fraco, nem capenga. Apenas acumulou muito mais informações.

Dizem que as pessoas da nossa idade muitas vezes entram na sala para ver a novela ou assistir ao jornal e não conseguem se lembrar do que realmente queriam.

Outros vão ao banheiro para fazer xixi, tiram o pinto para fora e aí surge aquela dúvida cruel: para que serve mesmo esta porcaria murcha que penduraram no meio das minhas pernas?  

No pior do mundo, não nos lembramos onde colocamos algo. Este não é um problema de memória! A natureza está apenas nos forçando a nos mover pelo menos um pouco mais. Tem idosos por aí que esquecem que colocaram as dentaduras na geladeira e outros que deslembram que a nora é a mulher linda e maravilhosa do filho recém-casado e tenta agarrá-la à força.  Ao pular na cama, sobre ela, a pergunta: moça, quem é você?!

EXISTE UMA TABELINHA.

PARA MAIORES DE SESSENTA:

Três coisas importantes: 

1. Amigos.

2. Pensamentos positivos e

3. Um lar tranquilo e hospitaleiro.

SUAS AÇÕES MAIS IMPORTANTES:

1. Sorria e ria muito.

2.Treine, mas apenas no seu próprio ritmo.

3. Passe mais tempo com amigos (nem sempre apenas com parentes, filhos ou netos, mas com amigos).

OITO COISAS ESSENCIAIS: 

1. Não espere sentir sede para beber água. Beba com mais frequência.

2. Não espere até sentir sono. Durma o suficiente.

3. Não espere cansar para descansar. Descanse um pouco. 4. Não espere ficar doente para fazer um check-up.

5. Sempre espere e acredite em milagres divinos. A palavra de Deus é sempre um bálsamo para os fantasmas da idade adultamente envelhecida.

6. Nunca perca a confiança.

7. Mantenha-se positivo e espere sempre pelo melhor.

8. Seja feliz, alegre e sorridente. Cante, grite, peide e esbraveje. Ao assistir o seu time de futebol jogando, é prazeroso mandar o juiz para a puta que pariu.

Título e Texto: Carina Bratt, da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, 11-1-2026

Anteriores:
Bastidores 
Algumas palavrinhas sobre o Natal 
Nella rotta errante delle stelle * 
Pequenas lembranças que não envelhecem... 
[As danações de Carina – Extra] O ‘Grito do Silêncio’ e o ‘Pé no chão’ caminham lado a lado 
Pra ninguém dizer por ai que não falei de nós dois

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.

Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-