Carina Bratt
RECEBI DA BÁRBARA, uma amiga de WhatsApp.
Estamos numa idade muito elegante. Temos praticamente tudo o que queríamos
possuir há 60 anos, ou até mais.
Não vamos mais à escola nem ao trabalho.
Temos mesada mensal do INSS e moradia digna.
Construímos isso com o suor de nosso rosto, sem roubar de ninguém. No nosso
tempo, os ladrões de colarinho branco nem colarinho usavam.
Não somos forçados a chegar em casa na hora.
O papai não nos espera atrás da porta, disfarçado de relógio cuco com uma cinca
nas mãos.
A nossa esposa não nos força a fazer sexo.
Prefere dormir de conchinha ouvindo Carlos José, Inezita Barroso ou Caçulinha.
Alguns de nossa estirpe têm carteira de
motorista e até carro próprio. Serve para nossos netos gastarem a gasolina as
nossas custas.
Gente da nossa idade não tem medo de
engravidar ou morrer de doença venérea pegando uma novinha no puteiro da
esquina.
Já temos sorte de estarmos quase velhos,
todavia, sem a preocupação de quem vai fazer os preparativos para quando o
carro da funerária bater na nossa porta.
Então, senhoras e senhores da minha idade. Por conta, a vida, à nossa vida é ótima! A vida é estupenda e maravilhosa. Além disso, somos incrivelmente mais cultos e inteligentes. Sabemos coisas que muitos doutores diplomados não fazem a menor ideia.
Nosso cérebro é mais lento, mais vagaroso,
caminha num devagar quase parando, porque bem sabemos, está sobrecarregado de
conhecimentos vastos.
Não somos, de forma alguma, burros ou
estúpidos, apenas temos que procurar por mais tempo os fatos necessários entre
toneladas de conhecimentos e experiências.
São muitas coisas acumuladas no armazenamento
da nossa cabeça, que, aliás, pressionam os ouvidos internos. Em face desse
inconveniente, às vezes temos dificuldades de audição.
A coisa toda funciona como um disco rígido de
computador ficando lento porque está cheio de arquivos. Nosso cérebro não está
mais fraco, nem capenga. Apenas acumulou muito mais informações.
Dizem que as pessoas da nossa idade muitas
vezes entram na sala para ver a novela ou assistir ao jornal e não conseguem se
lembrar do que realmente queriam.
Outros vão ao banheiro para fazer xixi, tiram
o pinto para fora e aí surge aquela dúvida cruel: para que serve mesmo esta
porcaria murcha que penduraram no meio das minhas pernas?
No pior do mundo, não nos lembramos onde
colocamos algo. Este não é um problema de memória! A natureza está apenas nos
forçando a nos mover pelo menos um pouco mais. Tem idosos por aí que esquecem
que colocaram as dentaduras na geladeira e outros que deslembram que a nora é a
mulher linda e maravilhosa do filho recém-casado e tenta agarrá-la à
força. Ao pular na cama, sobre ela, a
pergunta: moça, quem é você?!
EXISTE UMA
TABELINHA.
PARA MAIORES DE SESSENTA:
Três coisas
importantes:
1. Amigos.
2. Pensamentos positivos e
3. Um lar tranquilo e hospitaleiro.
SUAS AÇÕES MAIS IMPORTANTES:
1. Sorria e ria muito.
2.Treine, mas apenas no seu próprio ritmo.
3. Passe mais tempo com amigos (nem sempre
apenas com parentes, filhos ou netos, mas com amigos).
OITO COISAS ESSENCIAIS:
1. Não espere sentir sede para beber água.
Beba com mais frequência.
2. Não espere até sentir sono. Durma o
suficiente.
3. Não espere cansar para descansar. Descanse
um pouco. 4. Não espere ficar doente para fazer um check-up.
5. Sempre espere e acredite em milagres
divinos. A palavra de Deus é sempre um bálsamo para os fantasmas da idade
adultamente envelhecida.
6. Nunca perca a confiança.
7. Mantenha-se positivo e espere sempre pelo
melhor.
8. Seja feliz, alegre e sorridente. Cante,
grite, peide e esbraveje. Ao assistir o seu time de futebol jogando, é
prazeroso mandar o juiz para a puta que pariu.
Título e Texto: Carina Bratt, da Lagoa
Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, 11-1-2026
Bastidores
Algumas palavrinhas sobre o Natal
Nella rotta errante delle stelle *
Pequenas lembranças que não envelhecem...
[As danações de Carina – Extra] O ‘Grito do Silêncio’ e o ‘Pé no chão’ caminham lado a lado
Pra ninguém dizer por ai que não falei de nós dois

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