quarta-feira, 10 de junho de 2020

[Aparecido rasga o verbo] Germinal

Aparecido Raimundo de Souza

EM EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA, sai de trás das coxias a Coluna “RASGANDO O VERBO”,  para falar, em rápido escorso,  da morte, do cidadão negro George Floyd, de 46 anos, pai de uma  menina de 6 anos. Até onde se sabe, pela explosão espantosa da imprensa do mundo inteiro, Floyd, que trabalhava como segurança em um restaurante, tentou comprar, com uma cédula de US$20, um aparelho celular.

Caído no chão, algemado e desarmado, por um policial identificado como Derek Chauvin, esse crápula de 44 anos, levou o rapaz a óbto, em vista de o ter deixado inconsciente pela pressão com seu joelho no pescoço do infeliz. Derek, em nenhum momento, levou em conta os pedidos do rapaz (e foram vários) ao implorar pela sua vida, culminando com o fatídico  “NÃO CONSIGO RESPIRAR”.

Engraçado que nenhuma das pessoas presentes (que assistiram a barbárie), se levantou contra  o fardado. A multidão, ao seu redor (munida de celulares os mais modernos e sofisticados) achou melhor só “filmar” as cenas para depois postar na internet. Em primeiro lugar, sempre, os CINCO MINUTOS DE FAMA, que todas as pessoas, sem exceção (pessoas tidas como seres humanos) buscam, custe o que custar, para massagearem suas taras interiores. Viva a Fama!

Hoje o que conta é o amor pelo ego. A aura, o sucesso pela fobia interior. O amor pelo ser humano, a solidariedade, que se foda. Nos idos de 1885, o francês Émile Zola deu vida ao romance Germinal. Germinal é o nome do primeiro mês da primavera no calendário da Revolução Francesa. Ao usar essa palavra, Zola procurou associar as sementes das novas plantas às possibilidades da “TRANSFORMAÇÃO SOCIAL”.

Apesar do triunfo do livro, a ideia principal de Zola foi por água abaixo. O povo da época era burro por natureza, embora a essência do escritor, se mostrasse límpida e transparente, além de clara e de fácil entendimento. Germinal tentou fazer florescer na cabeça dos imbecilizados, a idéia de que “por mais que se arranque os brotos das mudanças, eles sempre voltarão a abrolhar, ou a despontar, jorrando novas vidas e, com elas, esperanças renovadas.

Cento e trinta e cinco anos depois, Émile Zola continua vivo e atualizadíssimo em nossa literatura. Todavia, a TRANSFORMAÇÃO SOCIAL que ele queria, que ele desejava e tentou deixar para a humanidade, nunca vingou. Zola, em linhas gerais, perdeu tempo. Talvez, em razão desse fato,  tenha  escrito, a depois, a A Besta Humana. Seria, a besta humana direcionada a ele próprio, ou à raia miúda medíocre do alvor dos seus vinte anos, usque galera sem eira nem beira, prosaica, inexpressiva e tacanha que até hoje convivemos com ela?

Germinal, para os propósitos aqui trazidos, deixa bem sedimentado que a TRANSFORMAÇÃO SOCIAL trocada por um monte de bosta se mostra insulada, longínqua, ausentada, inoperante e ineficaz.  Nada mudou, nada se transformou. A ralé retrogradou, fez e faz questão de se mostrar retirada, distanciada, isolada.  Grosso modo, IMBECILIZADA. O pilantra do Derek, policial vagabundo, despachou o George Floyd. 



O mundo quase veio a baixo. Por dias, os seres humanos (ou seriam ceres umanos??!!) esqueceram da pandemia. O covid-19 foi parar na casa do caralho.  Interessante ressaltar que a também policial branca Amber Guyger, de 36 anos, lotada no Departamento de Polícia de Dallas, matou o afro-americano Botham Shem Jean, de 26 e pasmem, ninguém veio a público ou promoveu baderna para que o caso não ficasse esquecido. Mas inexplicavelmente ficou. Cadê a transformação social?

Foi pras... Em  linhas gerais, temos aqui dois pesos e duas medidas para casos semelhantes. Poderíamos enumerar mais de vinte assassinatos de policiais da raça negra que mataram pessoas brancas. E vice versa. Causa espanto, só o George ter causado todo esse alvoroço. Se ao menos ele tivesse sido o primeiro... A transformação social, no nosso entendimento, deveria ser igual para todos, independentemente da cor, kikikikikiki... Da raça.

Os vídeos (abaixo) que ilustram o texto, deixam bem explicado, literalmente bem esmiudado, o que é RAÇA, e  o que é COR  e, sobretudo, o que é, de uma forma mais generalizada, a insensatez, o desnorteamento, o destempero e a extravagância de uma casta de debilóides, de uma cultura vulgacha e de uma linhagem que, sequer, sabe onde tem a ponta do nariz. Apesar dos esforços de Zola, cá entre nós, nem Floyd explicaria. Perdão, amados, nem Freud, aquele que batizaram Sigmund... Teria a resposta.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Vila Velha, no Espírito Santo. 10-6-2020, 15h30



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Foto: R7

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