quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Eleições americanas: onde está a maioria conservadora?


Paulo Eneas 

Independentemente do resultado final da apuração, cujas implicações serão obviamente gigantescas para a política interna dos Estados Unidos e para a geopolítica internacional, e mesmo descontando os casos de fraude, o fato é que cerca da metade dos que decidiram ir às urnas optou por votar na esquerda, escolhendo para a chefia do país um comunista que representa a antítese dos valores mais caros ao povo norte-americano. 

Esta metade daqueles que decidiram votar optou por um candidato que tem ligações explícitas com grupos criminosos e terroristas como Black Lives Matter e Antifa. Optou por um candidato que já prometeu abrir as fronteiras dos Estados Unidos para a imigração ilegal em massa, ao mesmo tempo em que assegura que irá adotar medidas ainda mais restritivas de lockdowns e fechamentos em nível nacional a pretexto da pandemia. 

Um candidato que tem uma posição claramente hostil ao acesso a armas, um dos direitos mais sagrados da tradição norte-americana. Um candidato que pode levar ao fim a autossuficiência recém-conquistada dos Estados Unidos em energia, uma vez que prometeu sujeitar a política energética do país, em especial o fracking (extração de óleo de xisto ou petróleo geológico) às diretrizes ambientalistas da ONU que irão na prática inviabilizar a atividade. 

Um candidato sobre quem pesam suspeitas e denúncias de corrupção, de pedofilia, de crimes financeiros de todo tipo, de assédio sexual, e de ter cometido crime contra a segurança nacional dos Estados Unidos quando era vice-presidente do socialista Barack Obama e usou de sua posição para sujeitar aspectos da política externa norte-americana na Ucrânia aos interesses particulares de seu filho lobista e viciado em drogas, Hunter Biden. 

Considerando que um candidato com este perfil recebeu cerca de metade dos votos dos eleitores norte-americanos, cabe perguntar: faz sentido falar em maioria conservadora nos Estados Unidos? Se esta maioria existe, considerando os 320 milhões de habitantes do país, ela omitiu-se, pois cerca de 70 milhões de eleitores votaram em Joe Biden dando a ele a chance real de assumir, ainda que com fraudes, o comando daquela nação. 

Se houve omissão, ela pode ser remediada em pleitos futuros. Mas caso não se trate de omissão, mas de adesão de ao menos metade dos norte-americanos aos valores expressos na figura do comunista Joe Biden, então poderemos dizer que a esquerda e a mentalidade revolucionária já venceram, antes mesmo da eleição, e que os valores conservadores que formaram a nação americana já não mais são abraçados pela maioria da população. 

Se for o segundo caso, será de novo a confirmação de um dos mais importantes ensinamentos do professor Olavo de Carvalho a respeito da guerra política e das disputas de poder: essa disputa ocorre na esfera da cultura, da formação das mentalidades e dos valores morais e civilizacionais, e da ocupação dos espaços nas instituições da sociedade que operam na formação da cultura e do imaginário. 

Esta disputa, que é de longo prazo, não começa nem termina em um pleito eleitoral, independentemente de seus resultados ou mesmo de eventuais fraudes envolvidas. E a própria experiência brasileira de dois anos com um governo de direita, e suas enormes dificuldades para fazer avançar uma agenda conservadora, mostra claramente isso.

Título e Texto: Paulo Eneas, Crítica Nacional,  4-11-2020   

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