sábado, 2 de abril de 2022

O fim melancólico de Moro

Se tivesse críticas construtivas ao ex-chefe, tudo bem. Mas ele preferiu demonizar Bolsonaro, numa forçada e absurda equivalência moral entre o atual presidente e o ladrão Lula

Rodrigo Constantino

Em um relatório final enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 30, a Polícia Federal (PF) informou que não há elementos de crime de Jair Bolsonaro em caso que investigava suposta interferência do presidente da República na instituição. O relatório integra um inquérito aberto pelo ex-ministro do STF Celso de Mello a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, em abril de 2020, com base em declarações da época de Sergio Moro, ex-ministro da Justiça.

Na saída de seu cargo no governo, Moro acusou Bolsonaro de tentativa de interferência em investigações. Mais especificamente, o antigo juiz da Lava Jato relatou que o chefe do Executivo pressionou pela troca de Marcelo Valeixo, então chefe da Polícia Federal e indicado pelo ex-ministro da Justiça.

Brasília, 7 de setembro de 2019

Segundo a PF, o presidente foi investigado pelos crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça e corrupção passiva privilegiada. No relatório, a corporação concluiu que não houve elementos suficientes para caracterizar a ocorrência das infrações e que também não houve delito na atuação do ex-ministro Sergio Moro.

“No decorrer dos quase dois anos de investigação, 18 pessoas foram ouvidas, perícias foram realizadas, análises de dados e afastamentos de sigilos telemáticos implementados. Nenhuma prova consistente para a subsunção penal foi encontrada. Muito pelo contrário, todas as testemunhas ouvidas foram assertivas em dizer que não receberam orientação ou qualquer pedido, mesmo que velado, para interferir ou influenciar investigações conduzidas na Polícia Federal”, diz o relatório da PF.

Moro achou adequado sair do governo da forma que saiu, tudo para “preservar sua biografia”

Em suma, mais uma narrativa que se esvai. A mídia comprou a valor de face a denúncia de Moro, mas nada se comprovou. Sobre o relatório, Moro preferiu atirar no mensageiro: “A Polícia Federal produziu um documento de 150 páginas para dizer que não houve interferência do presidente na PF. Mas, certamente, as quatro trocas de diretores da PF falam mais alto do que as 150 páginas desse documento”.

Moro desqualifica o trabalho da Polícia Federal, insinua que os responsáveis pela investigação são desonestos, ataca uma instituição toda que é respeitada no país. Coisa feia. O presidente está proibido de exercer sua prerrogativa constitucional pois o Moro não gostou da mudança? Tinha que ser o seu homem de confiança, mesmo com o ex-ministro se mostrando tão traidor? Cada vez fica mais claro que Moro foi picado pela mosca azul e acreditou que tomaria o lugar do ex-chefe na marra. Não era pela biografia; era pelo poder! 

Em meio a uma pandemia, Moro achou adequado sair do governo da forma que saiu, tudo para “preservar sua biografia”. Logo em seguida, passou a dar entrevistas para os veículos de comunicação que sempre agiram como partido de oposição ao governo. Depois, aliou-se oficialmente a jornalistas sem nenhuma credibilidade. Por fim, aproximou-se da turma desonesta do MBL, para fechar com chave de ouro a pintura de sua biografia.

Esteve ao lado do deputado Kim Kataguiri para justificar seu ganho de quase R$ 4 milhões durante apenas um ano em “consultoria” internacional, para uma firma que ganha fortuna com empresas encalacradas na Lava Jato, ignorando o conflito de interesses evidente. Kataguiri, pouco depois, estava num programa alegando que a Alemanha errou ao banir o partido nazista da política.

Moro resolveu depois elogiar a iniciativa de Renan Santos e Arthur do Val de viajar para a Ucrânia para “ajudar” os refugiados, apenas para se ver arrastado para o escândalo do áudio abjeto e revoltante do “Mamãe Falei”, querendo explorar “mulheres pobres”, porque são mais “fáceis”, isso em plena guerra. Quão podre tem de ser uma pessoa dessas?

Alguém poderia alegar que é muito azar do ex-juiz, mas uma pessoa mais cética desconfia de tanto erro seguido. Moro tem feito escolhas bizarras, cada vez afundando mais, cavando mais fundo no buraco em que se meteu. A decepção foi enorme para milhões de brasileiros patriotas que o consideraram um herói como juiz.

Se Moro tivesse críticas construtivas ao ex-chefe que lhe deu grande autonomia no governo, tudo bem. Mas ele preferiu demonizar Bolsonaro, numa forçada e absurda equivalência moral entre o atual presidente e o ladrão Lula, que o próprio Moro colocou na cadeia. Lembrando que esse governo tem mais de três anos praticamente sem escândalos de corrupção, e o próprio Moro se vangloria de seus feitos como ministro, deixando de lado que tinha um chefe que o colocou lá.

Enquanto isso, os “robôs” e o “gado” que apoiam incondicionalmente Moro nas redes socais agem exatamente da forma como denunciam nos outros. Gabinete do ódio? Sim, você encontra nas redes sociais “moretes”. Disparos automáticos para defender Moro e atacar desafetos? Tem, sim, e Kim Paim puxou um fio longo e comprometedor, que encontra gente próxima de Moro em Curitiba agindo de maneira suspeita nesse sentido.

“Nunca serei político”, disse Sergio Moro no passado. Depois, garantiu que jamais disputaria contra Bolsonaro. Aí virou candidato a presidente atacando justamente o ex-chefe e disse: “Não há a menor chance de eu desistir”. Ao que tudo indica, já desistiu. Terá valido a pena tanta traição desde quando resolveu sair daquele jeito do governo?

Título e Texto: Rodrigo Constantino, revista Oeste, nº 106, 1-4-2022

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