sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Aparecido rasga o verbo] As multiplicações desenfreadas das Espeluncas

Aparecido Raimundo de Souza

ESSAS REDES DE BEIRA DE ESTRADAS, com nomes pomposos em excessivos letreiros chamativos, onde os ônibus interestaduais param para que as pessoas desçam, estiquem um pouco as pernas e canelas e de roldão comam ou bebam alguma coisa, utilizam um sistema único de ficha eletrônica (SUFE), onde, na entrada uma simpática mocinha com um sorriso de um olho a outro ouvido oferece a cada um dos passageiros uma comanda com a qual, as pessoas correm toda a extensão do estabelecimento desembocando, ao final, numa espécie de funil que, por sua vez, como uma foz de rio, deságua nos caixas onde são somados os gastos das despesas efetuadas. Até aí a coisa é normal.

Esses empresários têm mais é que facilitar a vida de quem viaja e utiliza esses serviços rodoviários, todavia, por detrás disso encontramos, pasmem, encontramos verdadeiras arapucas disfarçadas, onde os embusteiros ou os “ladrões de bolsos” (de nossos bolsos) agem em surdina, cobrando por um simples cafezinho três reais e cinquenta e por um pão com manteiga seis reais. Na verdade, um ataque violento nas carteiras desses infelizes que se vêem com vontade despistar as lombrigas, ao entrarem nesses cognominados “pontos de apoio” são pegos de surpresa, pelos larápios que roubam que metem as mãos sem usarem a força de uma arma de fogo.


Esses espertalhões se assemelham tão ou mais a bandidos, piores, à nossa visão, aos demais facínoras que matam e estupram nas grandes cidades. Dias atrás, presenciamos uma cena bárbara, insolente e atrevida, bastante desagradável, por sinal. Um casalzinho de idosos passou por um afronto inconcebível à saída de um desses pardieiros. Eles entraram, receberam a tal peça de metal, mas, por descuido, o sessentão a esqueceu em algum lugar. Aproveitando-se disso, um malandro anônimo, certamente se beneficiou, comendo e bebendo, tendo o cuidado, claro, de esconder a sua própria de consumação e, na hora de passar pelo caixa, apresentou a que estava em branco, ou justamente a dos idosos que se encontrava sem nada marcado, o que o levou a deixar o local, acreditamos, sem desembolsar um tostão.

Conclusão: os anciões foram obrigados a arcar com cento e cinquenta reais pelo bendito acrílico, olvidado sabe-se lá em que lugar. A senhorinha voltou para o ônibus chorando, levada pelo braço de um segurança, e seu companheiro, cabisbaixo e humilhado. Fora avisado, ou melhor, ameaçado: se não pagasse pela “perda ou pelo suposto esquecimento” acabaria na delegacia de polícia mais próxima. Para quem não sabe, vamos reproduzir o que vem escrito nesses cartões da fabulosa era moderna. “UTILIZEM ESTA FICHA PARA SEUS PEDIDOS EM CADA SETOR. APÓS FINALIZAR SUAS COMPRAS ENTREGUE-A AO CAIXA PARA A SOMA TOTAL DE SUAS DESPESAS. MESMO QUE NÃO A TENHA UTILIZADO, DEVOLVA-A NA SAIDA. EM CASO DE EXTRAVIO OU DANOS SERÁ COBRADA UMA TAXA FIXADA NO CAIXA”.

Empresários desses segmentos desonestos, até pouco tempo declaravam o valor, outros evidentemente para evitarem problemas com as autoridades responsáveis apenas mencionavam a “taxa” que seria saldada quando pela passagem no caixa, porém, não especificavam o valor. Meia dúzia de perguntas não quer calar:

1. A cobrança desse quinhão (a título de perda ou extravio) é correto?

2. Se existe alguma “coisa” realmente a ser suportada pelo consumidor, não deveria existir um aviso do tamanho de um bonde, para que o usuário, desde o instante em que recebesse o tal utensílio de acrílico para a marcação dos seus dispêndios tivesse ciência de que se perdesse o trocinho lhe seria cobrado um valor adicional a título de sanção pela perda do respectivo objeto?

3. Em linha paralela: cadê o Código de Defesa do Consumidor?

4. Onde está o PROCON? Ou melhor, perguntado: senhoras e senhores, para que serve a merda nojenta do PROCON?

5. “EM CASO DE EXTRAVIO OU DANOS SERÁ COBRADA UMA TAXA FIXADA NO CAIXA”. 

6. Em que artigo esse absurdo pode ser encontrado dentro do Código de Defesa do Consumidor?

Vamos nós mesmos, se nos permitem os leitores, às respostas, já que não temos nenhum cidadão de peito, de brio e vergonha na fuça - que se candidate a vir a público e mostrar que não tem medo de represálias - e, no mesmo norte, exigir que se cumpra a lei. Aliás, nessa altura do campeonato, lei de filhos da puta, feito por filhos da puta. A “quota”, segundo o Código de Defesa do Consumidor é ilegal. É ilegal, mas engorda. E a quem amamenta, ou a quem avulta os bolsos? Aos empresários, logicamente. Deveria haver – se genuína fosse –, ao menos um aviso ao trouxa do usuário, em caso de perda ou esquecimento.

Todavia, para algumas pessoas, o Código de Defesa do Consumidor (ou Código de Defesa dos Corruptos), nada mais é que um feixe de normas insculpidas para beneficiar, favorecer, propiciar a ricos e poderosos. Duvidamos que esses senhores oportunistas venham a sofrer algum tipo de penalidade. Entre mortos e feridos, igual São Tomé, meus amados leitores, só acreditamos naquilo que vemos.

Quanto ao PROCON – esse órgão cabide de empregos e mordomias para meia dúzia de picaretas foi criado para beneficiar os manda chuvas. Nasceu para tornar legal o ilegal, ou seja, resumindo a ópera, o PROCON tem como finalidade varrer para baixo dos tapetes as sujeiras, as imundícies e as porcarias de seus asseclas, sectários e apaniguados.

Não vemos, não vislumbramos, nem entendemos de outro modo o descaso, a falta de respeito e a hombridade ao imbecilizado, tapado e tremendo Zé Mané conhecido carinhosamente entre nós, como “CONSUMIDOR”. Um país onde para tudo se paga impostos, com os mais variados nomes (emolumentos, custas, despesas, tributos compensações, encargos e tarifas, entre outros), cenas como a que presenciamos do casal de velhinhos, não deixarão de acontecer por ai afora, indefinidamente, sem que ninguém faça nada ou tome alguma providência útil e definitiva.

Por derradeiro, caríssimos leitores: onde estão os nossos queridos e amados políticos (políticos e safados, usque embusteiros e ludibriadores do povo) que não propõem uma lei mais severa para punir com rigor, esses trapaceiros que agem pelos quatro cantos do país a seu bel prazer e as margens da “justisssa morosa, lenta, lerda, tartaruga e, sobretudo, cegueta?”

O quadro sistêmico que vemos brazzzil de norte a sul, de leste a oeste, etc. etc., nos leva a deduzir com imenso pesar: somos um enorme e infindável bando de marionetes. Os grandalhões, os empresários, meus caros e amados, de fato nos manipulam como querem e desejam. E o fazem vinte e quatro horas por dia. O resto... O resto que se f...!
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, do Rio de Janeiro. 8-11-2019

Colunas anteriores:
Não só a avó perfeita, a sogra ideal, acima de tudo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não aceitamos comentários "anônimos".

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-