sexta-feira, 31 de maio de 2013

Mais uma frustração cubana

Francisco Vianna
Enquanto a Venezuela vai se transformando socialmente numa Cuba e mergulhando no caudaloso e mal cheiroso mar de miséria e pobreza que tipifica os regimes ditos “socialistas”, a ilha-cárcere dos Castros procura desesperadamente se transformar numa Venezuela sob o ponto de vista petroleiro, sem sucesso, contudo.

A plataforma norueguesa Scarabeo 9, montada na China e alugada pelos russos, instalada ao largo de Havana em 2012.

Para isso, Havana – desprovida de tecnologia e capital estatal (uma vez que privado só estrangeiro) – vem a tempos convidando uma série de empresas, preferentemente estatais, para prospectarem ‘ouro negro’ em sua plataforma marítima peri-insular. Todavia, para a frustração da ditadura Castro, até hoje, essas tentativas têm resultado em nada que possa ter algum valor industrial, principalmente para essas empresas, entre as quais se destacam as russas ZARUBEZHNEFT e GAZPROM, a espanhola REPSOL, a venezuelana PDVSA, a PETRONAS, da Malásia, e a brasileira PETROBRAS.
Quase todas já suspenderam suas prospecções em torno da ilha, sendo que a última a levantar seu equipamento de perfuração foi a russa ZARUBEZHNEFT, uma petroleira estatal que prospectava ao largo do litoral norte de Cuba.
Tais fatos representam uma frustração e uma desilusão para a ditadura cubana que sonhava prover sua autossuficiência energética em pouco mais de dois anos e, assim, não ter que depender do combustível altamente subsidiado fornecido pela Venezuela e até, em escala bem menor, pelo Brasil.
A suspensão dos trabalhos da Zarubezhneft marcou, na prática, o fim do único programa de exploração ativo que ainda funcionava na ilha caribenha, que atualmente depende totalmente do combustível fornecido pelo atribulado governo venezuelano do presidente Nicolás Maduro, em detrimento da economia da própria Caracas.
A agência Reuters de notícias relata que a estatal russa suspendeu seus trabalhos alegando “problemas geológicos”, prometendo que retomará a prospecção em 2014... Disse ainda que a saída dos russos das águas cubanas já era esperada, em função do vencimento iminente do prazo no arrendamento da plataforma norueguesa que utilizavam e que já foi arrendada a partir de julho por outra empresa.
Por outro lado, o Serviço de Geologia dos EUA estimou que as águas territoriais cubanas têm “um potencial significativo de petróleo convencional ainda não descoberto ou localizado” e que se situa entre 4,6 e 9,3 bilhões de barris de óleo fóssil. Já as autoridades cubanas elevam tais estimativas para algo em torno de 20 bilhões de barris, o que, todavia, é considerado um exagero propagandístico de Havana.
"Esta é a segunda área geológica de Cuba que… Parecia prometedora", disseram os russos da Zarubezhneft. Todavia, prospectar petróleo exige “emprego de capital e mão de obra qualificada”, dois artigos que são profundamente escassos não apenas em Cuba, mas em qualquer país socialista e, por conseguinte, pobre.
Nos esforços de prospecção, que começaram na última década envolvendo todas essas empresas citadas, a espanhola REPSOL já enterrou na ilha cerca de 100 milhões de dólares desde o início de 2012 com sua plataforma ‘SCARABEO 9’, especialmente construída na China para evitar as restrições do embargo estadunidense, nas águas profundas ao largo de Havana. A PETRONAS, da Malásia, a GAZPROM da Rússia e a PVDSA da Venezuela, assim como a PETROBRAS do Brasil tampouco conseguiram encontrar petróleo em escala industrial e cessaram suas atividades. No caso da Petrobras, não se sabe ao certo quantos dólares a estatal brasileira já enterrou em Cuba.
O mercado considera provável que os russos cumpram a sua promessa de retornar no ano que vem, porque o governo do presidente Vladimir Putin tem se esforçado em melhorar suas relações políticas e comerciais com antigos aliados de Moscou. E, na Rússia, para azar do seu povo, as implicações político-ideológicas contam mais que os números do mercado...
Salvo as preocupações ambientais que as prospecções de petróleo em torno de Cuba provocam nos EUA entre os ambientalistas e a indústria do turismo da Flórida, os que defendem o levantamento do bloqueio econômico de Washington e a melhoria das relações americanas com Havana também defendem que empresas americanas de prospecção petrolíferas possam entrar nesse mercado potencial caribenho e eventualmente levar uma fatia caso as já remotas esperanças de se encontrar petróleo na área venham a se concretizar.
A verdade é que a situação indica que, pelo menos por um punhado de anos, Cuba terá que continuar dependendo dos 96.000 barris de petróleo que a Venezuela refina diariamente para Havana e que representam cerca de dois terços do seu consumo.
Graças aos acordos altamente vantajosos para Havana assinados pelo defunto Hugo Chávez, Cuba paga parte desse combustível já subsidiado com salários altamente inflados que a Venezuela paga aos 45.000 médicos-agentes ideológicos cubanos que “operam” no país nortenho da América do Sul.
Maduro tem prometido a Cuba que continuará com os subsídios, mas, como a produção de petróleo venezuelana está em queda livre, refletindo o mesmo que ocorre em sua economia “socialista”, há muita gente, não apenas entre os seus oposicionistas, mas também entre os governistas, que está querendo muito acabar com esse ônus, sendo mesmo que alguns analistas reconhecem que nisso está o principal argumento – afora as acusações de fraude generalizada em sua eleição – daqueles que querem a sua deposição.
Título e Texto: Francisco Vianna, (da mídia internacional), 31-05-2013

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