domingo, 15 de novembro de 2020

Sleeping Giants: gigolô dos bons sentimentos

Paulo Polzonoff Jr. 

É milícia. Nada menos do que milícia. Poder paralelo de censura que faz uso da coerção para alcançar o objetivo de impor um pensamento único. Coincidência ou não, esse pensamento tende à esquerda. A mesma de tantos regimes fascistas assassinos que não se reconhecem como tal. Ah, mas se ao menos os mortos e os calados pudessem se manifestar...! 

Me refiro, aqui, ao bando, ou melhor, matilha, ou melhor, corja formada por quem quer que escreva as mensagens de intimidação do perfil anônimo Sleeping Giants no Twitter – empresa que, vale dizer, coaduna com as práticas autoritárias e flagrantemente ilegais desse “Gabinete do Ódio do Bem”. 

Não à toa, esse grupo ou indivíduo que no momento faz as vezes de carrasco numa revolução jacobina muito particular usa a figura de um gigante. Freud ou a ignorância explicam a opção por um personagem que, mais do que um simples vilão de contos de fadas, age como gigolô de uma galinha que bota ovos de ouro. Pois o Sleeping Giants é gigolô de todas as causas, dos bons sentimentos que diz defender. 

A luta contra o discurso de ódio e as fake news é uma luta de todo mundo, não só dessa esquerda autoritária que espertamente encontrou uma brecha no capitalismo, mais especificamente nos departamentos de marketing das grandes empresas, para legar ao gulag intelectual todos os que têm ideias dissonantes. Asfixiando financeiramente empresas e milicianamente agindo como investigador, procurador, juiz e executor de “réus” escolhidos a dedo, o perfil Sleeping Giants ainda tem a pachorra de dizer que seus métodos canalhas disfarçados de bom-mocismo pretendem acabar com a radicalização política no país. 

A responsabilidade moral das empresas

Milícia. Mil vezes milícia. Formada por soldadinhos encapuzados e covardemente escondidos no anonimato. O que, pensando bem, é até compreensível. Afinal, imagina se amanhã ou depois o Supremo Tribunal Federal ou outras instâncias do poder judiciário finalmente percebem que sua inação é nociva à verdadeira democracia e acaba por revelar ao mundo, por força da lei, quem faz parte dessa quadrilha? 

Como se sentirão, se e quando isso acontecer, as empresas que coadunam com a milícia ou a ela se sujeitam? Prestarão contas a seus clientes, fornecedores, funcionários e admiradores por não resistirem à tentação imoral de corrigirem uma possível injustiça com uma injustiça maior ainda? Ou lavarão as mãos, talvez até vendo uma perspectiva de lucro no papel de vítimas? 

Será que não veem esses que se juntam ao linchamento virtual, inclusive o Twitter (que posa de bastião da liberdade de expressão só quando convém à sua pauta), que a milícia que exalta as falsíssimas virtudes do silêncio forçado, da mesura à imoralidade esclarecida e da liberdade cativa da ideologia marxista hoje está prejudicando a vida de centenas de pessoas? Gente que, inocente de pecados alheios, só está tentando ganhar a vida honestamente, servindo à Verdade e expressando suas ideias da melhor forma possível? 

Mais! Uma vez mantida a liberdade de ação do gigantezinho que acalenta sonhos totalitários, como agirão essas empresas quando, por exemplo, os Covardes Adormecidos as acusarem de se apropriar da cultura aborígene ou de não usar couro vegano (sic) em seus sapatos ou ainda de, sei lá, promover a exclusão dos sem-olfato em suas fragrâncias?  

Porque a história mostra que, uma vez chancelada sua cruzada por meio da inação da Justiça e da cumplicidade das Big Tech, certo da invencibilidade de sua narrativa desonesta e diabolicamente desastrado com o poder, como são todos os aspirantes a ditadores, os corvos hão de se voltar contra quem hoje aplaude a sanha linchadora de anões intelectuais e morais. 

Título e Texto: Paulo Polzonoff Jr., Gazeta do Povo, 14-11-2020, 20h14 

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